Cosmético vegano: características, mitos e benefícios

Os cosméticos veganos estão em alta e prometem revolucionar o mercado de beleza. Conheça suas características e desmistifique algumas ideias.

Cosmético vegano: entenda o que é, as características e os mitos

Os cosméticos veganos têm ganhado destaque no mercado global de beleza e devem alcançar a marca de US$ 28,5 bilhões até 2031, conforme estimativas da consultoria Allied Market Research. Nesse contexto, essa categoria deixa de ser um nicho alternativo para se firmar como uma das principais tendências na indústria da beleza. As razões para esse crescimento incluem preocupações ambientais e éticas, além da percepção de que os produtos veganos são mais seguros em comparação com as opções convencionais. Mas será que isso é verdade? E qual é a composição desses cosméticos?

Quem esclarece essas dúvidas são a dermatologista Iris Markuz, o professor e especialista em cosmética verde Fernando Amaral, e a farmacêutica Marina Cristofani, que é especialista em Pesquisa e Desenvolvimento de Cosméticos.

O que faz um cosmético ser vegano?

A principal característica que define um cosmético vegano é a ausência de ingredientes de origem animal em sua formulação, além da proibição de testes em animais durante seu desenvolvimento. Isso significa que componentes como mel, colágeno animal, lanolina e cera de abelha não fazem parte da composição. Por outro lado, são utilizados ativos vegetais, biotecnológicos e sintéticos. No entanto, Marina Cristofani ressalta que existe um debate contínuo na indústria da beleza sobre a possibilidade de usar ingredientes que, inicialmente, foram testados em animais ou que passaram por processos que os envolveram.

Fernando Amaral também menciona a inclusão de ingredientes como colágenos veganos extraídos de frações de proteínas de arroz, soja, trigo ou por meio da fermentação de leveduras, além de esqualano derivado da cana-de-açúcar e ácido hialurônico obtido por fermentação bacteriana. Selos de certificação ajudam na identificação desses produtos, como Certified Vegan, PETA, Be Veggie, Vegan Society Logo e SVB (Selo Vegano da Sociedade Vegetariana Brasileira).

Cosmético vegano é mais seguro?

A resposta é: depende! A crença de que cosméticos veganos são mais suaves ou menos agressivos para a pele é um dos mitos mais comuns nas redes sociais. “Não há evidência científica que comprove que eles apresentam menor risco de alergia apenas por serem veganos”, afirma Iris Markuz. Para a dermatologista, o risco de irritação ou alergia está muito mais relacionado à formulação e à individualidade de cada paciente do que à origem dos ingredientes.

A mesma lógica se aplica aos cosméticos naturais, que também podem causar irritação ou sensibilização da pele. Independentemente de serem veganos ou não, alguns componentes requerem mais atenção, como fragrâncias sintéticas, conservantes, tensoativos sulfatados ou óleos essenciais concentrados. “Esses elementos podem causar irritação, especialmente em peles com a barreira cutânea comprometida”, explica a dermatologista. Além disso, como acontece em qualquer cosmético, seja vegano ou não, é comum a inclusão de substâncias sintéticas na composição. No caso dos ativos naturais, isso se deve ao fato de que, segundo Amaral, eles “são mais difíceis de estabilizar […] e, frequentemente, é necessário adicionar ingredientes de conservação, que são sintéticos”. A farmacêutica Marina Cristofani complementa, afirmando que isso não deve ser visto como um impeditivo. O que realmente importa é que os ingredientes sejam testados e sua segurança seja garantida: “Ingredientes sintéticos são altamente refinados e proporcionam à formulação um sensorial mais agradável, permitindo que o usuário utilize o produto sem que ele fique pegajoso ou oleoso. […] Outro aspecto é a necessidade de conservantes na formulação, para evitar contaminação microbiana. Os conservantes mais seguros e que foram amplamente testados para a saúde humana são os sintéticos (quando utilizados na concentração adequada)”.

Para quais tipos de peles são indicados?

Em geral, cosméticos veganos podem ser utilizados por todos os tipos de pele, desde que sejam bem formulados e recomendados adequadamente. Atualmente, o mercado oferece opções específicas para hidratação, acne, controle de oleosidade e envelhecimento da pele.

Entretanto, algumas condições dermatológicas requerem cuidados especiais. No caso da acne, por exemplo, a médica sugere evitar ingredientes que possam ser comedogênicos, como óleo de coco e manteiga de cacau. Pessoas com rosácea devem ter cautela com fragrâncias e óleos essenciais, pois podem provocar irritação. Aqueles que lidam com melasma devem priorizar ativos que ajudem a controlar a pigmentação e investir em fotoproteção rigorosa. Por fim, os especialistas alertam que é mais importante do que seguir o que está escrito no rótulo, consultar um médico para entender a raiz do problema e as necessidades de cada pele.

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Em Foco Hoje Redação
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