O despejo em Cuiabá está gerando preocupação, pois mais de 300 famílias podem ser afetadas por uma decisão judicial recente. O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado Max Russi, fez um apelo à Corregedoria-Geral do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) para que a ordem de despejo seja suspensa.
A solicitação de Russi foi feita em resposta a uma decisão do juiz Marcio Aparecido Guedes, que determinou a entrega de apartamentos localizados nos condomínios Villas das Minas e Villas das Lavras do Sutil I e II à empresa Trunk Gestão Empresarial Ltda. Essa empresa adquiriu 496 imóveis em um leilão judicial.
Despejo em Cuiabá e Direitos Humanos
No documento enviado à corregedoria, o deputado Max Russi criticou a ordem de imissão na posse, afirmando que ela ignora normas de direitos humanos e não considera mecanismos adequados de mediação de conflitos. A decisão, segundo ele, desrespeita diretrizes que estabelecem que despejos coletivos devem ser precedidos de diálogo e de planos de acolhimento social.
Entre as normas mencionadas por Russi estão o Provimento nº 23/2023 do TJMT, que regulamenta os processos de posse e busca garantir que as ordens de desocupação sejam executadas de forma pacífica e organizada. Este provimento institui a Comissão Regional de Soluções Fundiárias, que tem a função de mediar conflitos fundiários coletivos.
Impactos da Decisão Judicial
A Resolução nº 510 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) também é citada, pois regulamenta a criação de comissões para mediar conflitos de posse coletivos. Essa resolução estabelece diretrizes para que ações de despejo contra populações vulneráveis ocorram de modo humanizado e pacífico. Além disso, as diretrizes do Supremo Tribunal Federal (STF) também são relevantes nesse contexto.
A Trunk Gestão Empresarial Ltda. informou que cerca de 30% dos ocupantes dos apartamentos já firmaram acordos para permanecer nos imóveis. A empresa tentou negociar com os demais moradores, mas não obteve sucesso nas tratativas. Eles afirmaram que a saída dos ocupantes depende do cumprimento dos mandados pela Justiça, que já foram entregues aos Oficiais de Justiça, mas não é possível prever um prazo para a execução.
Entendendo o Contexto do Despejo
O processo que leva ao despejo em Cuiabá está vinculado a uma falência que se arrasta desde 2003, relacionada ao empreendimento Minas do Cuiabá. O complexo habitacional é composto por 496 unidades, distribuídas em 31 blocos. O juiz responsável pela decisão fez uma ressalva importante: os moradores que já firmaram acordos judiciais e estão em dia com suas obrigações não devem ser afetados pela ordem de despejo.
A empresa Trunk Gestão Empresarial Ltda. também facilitou as condições de pagamento, oferecendo parcelamento em até 240 meses, sem exigir aprovação de crédito. Essa medida visa auxiliar os moradores a regularizarem sua situação, mas a pressão do despejo ainda gera grande apreensão entre as famílias afetadas.
Possíveis Desdobramentos e Ações Futuras
As consequências do despejo em Cuiabá podem ser significativas, tanto para as famílias diretamente afetadas quanto para a comunidade local. A falta de moradia adequada pode levar a um aumento da vulnerabilidade social, além de gerar tensões e conflitos na região.
A atuação da ALMT, por meio do deputado Max Russi, é um passo importante para garantir que os direitos dos moradores sejam respeitados. A busca por soluções pacíficas e justas é fundamental para evitar a violação de direitos humanos e promover a dignidade das populações vulneráveis.
Para mais informações sobre direitos humanos e mediação de conflitos, você pode acessar o site do Conselho Nacional de Justiça. Além disso, para acompanhar mais notícias sobre o assunto, visite Em Foco Hoje.



