Dormir em rede ajuda prematuros a ganhar peso durante internação

Um estudo recente indica que dormir em rede pode beneficiar o ganho de peso de bebês prematuros durante a internação em unidades neonatais.

Dormir em rede tem se mostrado uma prática benéfica para o ganho de peso de bebês prematuros durante a internação. Um estudo realizado no Brasil revelou que essa abordagem pode ser crucial para a recuperação desses recém-nascidos em unidades neonatais.

Dormir em rede e ganho de peso

Pesquisa conduzida por especialistas da Universidade Federal do Ceará (UFC) demonstrou que bebês prematuros que foram colocados em redes durante a internação apresentaram um ganho de peso superior em comparação àqueles que receberam apenas os cuidados tradicionais. O estudo, publicado no Jornal de Pediatria, analisou a evolução de 60 recém-nascidos em uma unidade neonatal da Santa Casa de Misericórdia de Sobral.

Metodologia do estudo

Os participantes foram divididos em quatro grupos, cada um submetido a diferentes intervenções. Um grupo passou duas horas diárias em redes, enquanto outro recebeu sessões diárias de hidroterapia. Um terceiro grupo utilizou tanto a rede quanto a hidroterapia, e o grupo de controle recebeu apenas os cuidados habituais. Os resultados mostraram que, embora todos os bebês tenham ganhado peso, aqueles que dormiram em rede tiveram um ganho médio de 360 gramas, enquanto o grupo que combinou a rede com hidroterapia alcançou um ganho médio de 616 gramas.

Importância do relaxamento

A hipótese central do estudo é que o relaxamento proporcionado pelo uso da rede é fundamental para o ganho de peso dos prematuros. O pediatra Francisco Plácido Arcanjo, um dos autores da pesquisa, enfatiza que a tranquilidade é essencial para que esses bebês consigam se desenvolver adequadamente. Ele explica que a rede simula características do ambiente intrauterino que são perdidas quando os bebês nascem prematuramente.

Características do ambiente neonatal

O formato côncavo da rede e o uso de tecido de algodão ajudam a manter o recém-nascido aquecido e contido. Isso é vital, pois os prematuros têm um sistema de termorregulação ainda em desenvolvimento e consomem muita energia apenas para manter a temperatura corporal. Além disso, o posicionamento suspenso e a baixa resistência do tecido da rede diminuem pontos de pressão e estímulos dolorosos.

Cuidados durante a internação

O estudo também estabeleceu um período específico para a utilização das redes, que foi programado para ocorrer entre as intervenções diárias da equipe de saúde, como aferição de sinais vitais e troca de fraldas. Essa redução na manipulação dos bebês favoreceu um sono mais profundo, associado à diminuição de dor e desconforto. No entanto, a prática não deve substituir métodos como o canguru, que promove o contato direto entre o bebê e os pais.

Uso restrito a ambientes hospitalares

Embora a rede seja uma prática comum em várias regiões do Brasil para relaxamento, seu uso deve ser restrito a ambientes hospitalares para recém-nascidos. No estudo, a técnica foi aplicada apenas em bebês clinicamente estáveis e sob monitoramento rigoroso. O pediatra Arcanjo alerta que fora do ambiente hospitalar, o uso da rede pode ser arriscado, uma vez que prematuros estão mais suscetíveis a complicações que podem não ser imediatamente identificadas.

Monitoramento constante é essencial

Mesmo no hospital, a movimentação dos recém-nascidos dentro da rede deve ser monitorada de perto. O tecido pode, em algumas situações, cobrir o rosto do bebê, o que aumenta o risco de problemas respiratórios. Portanto, cuidados rigorosos são necessários para garantir a segurança dos bebês.

No Brasil, a prematuridade é uma questão de saúde pública significativa, com uma taxa de 10% a 12% de nascimentos ocorrendo antes da 37ª semana de gestação. Isso representa entre 300 mil e 340 mil prematuros anualmente, conforme dados do Ministério da Saúde. Portanto, estratégias que favoreçam a estabilidade clínica e o crescimento desses bebês são prioritárias.

O grupo de pesquisa da UFC já planeja novos estudos para avaliar os efeitos do uso prolongado da rede sobre dor, estresse e desenvolvimento. Se os resultados forem confirmados, essa prática pode se tornar uma alternativa de baixo custo e viável para UTIs neonatais, especialmente em áreas onde a prematuridade ainda representa um desafio significativo.

Para mais informações sobre cuidados com recém-nascidos, você pode acessar emfocohoje.com.br. Além disso, é importante verificar as diretrizes de saúde pública sobre prematuridade em fontes confiáveis, como o Organização Mundial da Saúde.

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Em Foco Hoje Redação
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