Neste domingo, os peruanos participarão das eleições presidenciais em um contexto eleitoral que se destaca pelo número recorde de candidatos. A expectativa é alta, pois a população busca romper com um ciclo de instabilidade política que tem caracterizado o país nos últimos anos. A eleição ocorre em meio a uma crescente insatisfação popular, marcada por escândalos de corrupção e um aumento na criminalidade.
Eleições presidenciais Peru e o cenário atual
O total de eleitores aptos a votar ultrapassa 27 milhões, que decidirão não apenas o novo presidente, mas também os membros de um congresso bicameral que foi recentemente restabelecido. As seções eleitorais abrirão às 7h, horário local, e fecharão às 17h. As cédulas de votação, que são as mais longas da história do país, medem 44 centímetros e serão contadas após o fechamento das urnas.
As pesquisas de opinião indicam que a candidata de direita Keiko Fujimori está ligeiramente à frente, seguida de perto por outros três concorrentes. Entre eles estão dois ex-prefeitos de Lima, Rafael López Aliaga e Ricardo Belmont, além de Carlos Álvarez, um ex-comediante que se apresenta como um outsider político. Nenhum dos candidatos, no entanto, alcançou mais de 15% nas intenções de voto, o que sugere a possibilidade de um segundo turno em junho.
Cenário fragmentado e candidatos em disputa
O cenário eleitoral é bastante fragmentado, com os candidatos que seguem Fujimori em um empate técnico. A pesquisa revela que cerca de 13% dos eleitores ainda estão indecisos, o que pode influenciar significativamente o resultado final. A incerteza em torno da eleição reflete um declínio institucional mais profundo, com o Peru tendo visto oito presidentes desde 2018, muitos dos quais enfrentaram impeachment ou foram forçados a deixar o cargo.
Analistas políticos, como Fernando Tuesta, comentam que estas eleições podem representar uma ruptura com a instabilidade ou, ao contrário, perpetuar o ciclo de crises políticas. A luta contra a corrupção tem sido um tema central na campanha, especialmente considerando que quatro ex-presidentes estão atualmente encarcerados devido a casos de suborno relacionados à construtora Odebrecht.
Preocupações com corrupção e segurança
A corrupção não é a única preocupação dos eleitores. A segurança pública também se tornou uma questão premente. Historicamente, o Peru não era conhecido por altos índices de criminalidade, mas, nos últimos anos, os casos de homicídios e extorsão aumentaram significativamente. A professora Paula Muñoz, da Universidad del Pacífico, destaca que esses crimes têm impactado diretamente trabalhadores do setor de transporte e pequenas empresas.
Dados oficiais apontam um aumento de quase 20% nos casos de extorsão no último ano, e as taxas de homicídio atingiram níveis alarmantes. Esse cenário tem gerado apoio a propostas mais rigorosas e populistas, refletindo uma tendência observada em outros países da América Latina, onde a criminalidade é tratada com mão de ferro por líderes políticos.
Propostas dos candidatos e o futuro do Peru
Alguns candidatos apresentaram propostas que incluem o envio de tropas para combater o crime, a reinstauração da pena de morte e a retirada dos tribunais internacionais de direitos humanos. Além disso, há sugestões para que juízes que lidam com casos criminais possam atuar de forma anônima, reintroduzindo os chamados ‘juízes sem rosto’, uma prática que não é utilizada no Peru desde 1997.
Com a eleição se aproximando, a população aguarda ansiosamente os resultados, que poderão determinar o futuro político do país. A situação atual exige uma reflexão profunda sobre as escolhas que os peruanos farão nas urnas. Para mais informações sobre o contexto político do Peru, você pode acessar Em Foco Hoje.
Além disso, para entender melhor a situação política e social do Peru, consulte o BBC News.



