Estudante haitiana impedida de embarcar em um voo para a Europa, Ruth Lydie Joseph, compartilha sua experiência de discriminação no Aeroporto Internacional de São Paulo. A situação ocorreu quando ela tentava embarcar em um voo da Latam, e a abordagem que sofreu levanta questões sobre o tratamento de imigrantes e a assistência oferecida por companhias aéreas.
Estudante Haitiana Impedida de Embarcar
Ruth Lydie Joseph, uma jovem de 32 anos, reside no Brasil desde 2020, especificamente em Foz do Iguaçu, Paraná. Ela estuda relações internacionais na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) e estava programada para um intercâmbio acadêmico na República Tcheca. O incidente no aeroporto de Guarulhos, onde tentou embarcar para Praga, com uma escala em Frankfurt, resultou em uma série de eventos que a deixaram angustiada.
Incidente no Aeroporto de Guarulhos
Na terça-feira, Ruth chegou ao aeroporto para realizar o check-in. No entanto, enquanto aguardava na fila para despachar suas bagagens, um segurança da Latam a abordou de maneira intimidante. Ele tomou as etiquetas de bagagem de suas mãos e começou a fazer perguntas sobre sua viagem e sua permanência no Brasil. Ruth ficou perplexa com a abordagem e percebeu que as perguntas não eram apenas para confirmar sua identidade, mas sim para questionar sua presença no país.
Tratamento Discriminatório
Durante a conversa, o segurança parecia insatisfeito com as respostas de Ruth, o que culminou em uma situação humilhante. Ele afirmou que ela não tinha o “perfil adequado” para viajar e confiscou suas passagens. Ruth expressou que se sentiu intimidada e desrespeitada na frente de outros passageiros. A situação se agravou quando ela perdeu o primeiro voo devido a essa abordagem.
Assistência Negada
Após o ocorrido, Ruth solicitou que a universidade onde estuda interviesse, pedindo um relatório por escrito sobre a situação. A companhia aérea ofereceu remarcar sua viagem, mas apenas após uma nova avaliação. Ruth decidiu então tentar novamente no dia seguinte, mas a falta de assistência se repetiu. Ela perdeu o segundo voo por conta de atrasos na emissão do novo cartão de embarque.
Reação do Centro de Direitos Humanos
O caso de Ruth Lydie Joseph chamou a atenção do Centro de Direitos Humanos e Cidadania do Imigrante (CDHIC), que iniciou um acompanhamento da situação. A advogada Kathelly Menezes, representante do CDHIC, destacou a gravidade do descaso enfrentado por Ruth, enfatizando que a companhia aérea não deve julgar quem tem ou não o “perfil” para viajar. Essa prática, segundo ela, perpetua a discriminação contra migrantes e refugiados.
Práticas Discriminatórias em Companhias Aéreas
A abordagem discriminatória vivida por Ruth é um reflexo de um problema maior enfrentado por muitos migrantes. As práticas de companhias aéreas que se baseiam em julgamentos subjetivos podem resultar em violações de direitos. O CDHIC ressalta que a raça e a origem de uma pessoa muitas vezes influenciam a maneira como ela é tratada, especialmente em contextos migratórios.
Desdobramentos Finais
Na quinta-feira, Ruth foi informada de que seu voo havia sido remarcado para uma nova data, com escala em Madri. O CDHIC continuará a monitorar o caso, buscando garantir que a estudante receba o tratamento justo e digno que merece. A situação de Ruth Lydie Joseph não é um caso isolado, mas sim parte de um padrão de discriminação que deve ser combatido.
As experiências de estudantes e migrantes, como a de Ruth, são fundamentais para entender os desafios enfrentados por aqueles que buscam novas oportunidades em outros países. A luta por direitos e igualdade no tratamento é um caminho necessário para a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva.



