Governo estima que 47,3% das exportações brasileiras são atingidas por tarifas dos EUA

O governo federal calcula que 47,3% das exportações brasileiras estão sujeitas a tarifas dos Estados Unidos, impactando diversos setores.

Governo estima que 47,3% das exportações brasileiras são atingidas por tarifas dos EUA

O governo brasileiro estima que 47,3% das exportações do país são afetadas por tarifas impostas pelos Estados Unidos. Essa estimativa considera as tarifas de 12,5%, anunciadas nesta quinta-feira (23), e as de 25%, divulgadas na semana anterior, além da sobretaxa sobre aço e alumínio, que foi introduzida no ano passado pelo governo dos EUA. De acordo com o ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), se forem consideradas apenas as novas tarifas, essas medidas dos EUA atingem 23,1% das exportações brasileiras, enquanto 52,7% continuam sem tarifas adicionais específicas ou setoriais contra o Brasil. Agora no g1

Segundo informações do governo, 4,7% das exportações são impactadas exclusivamente pela sobretaxa de 12,5%, que inclui produtos como obras de pedra, gesso e materiais semelhantes; minérios; óleos essenciais e itens de perfumaria; e pescados. Além disso, 1,9% das exportações é afetada exclusivamente pela sobretaxa de 25%, que abrange, entre outros, o açúcar. Por sua vez, 16,5% das exportações são impactadas simultaneamente pelas duas tarifas, sujeitando-se a uma sobretaxa total de 37,5%, incluindo produtos como máquinas e equipamentos, diversos tipos de madeira, gorduras e óleos, calçados, móveis e confecções.

Nesta quinta-feira, os Estados Unidos anunciaram a aplicação de uma nova tarifa sobre importações provenientes de aproximadamente 60 parceiros comerciais, incluindo o Brasil, devido à falta de proibição e fiscalização da importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. A tarifa de 12,5% entrou em vigor nesta sexta-feira (24). Na semana passada, o governo norte-americano também confirmou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com uma longa lista de itens isentos. Como resultado, alguns produtos brasileiros agora enfrentam uma sobretaxa total de 37,5%. Novas tarifas de Donald Trump Reprodução/Jornal Nacional

No mês de junho do ano passado, o presidente republicano aumentou as tarifas sobre aço e alumínio com base na Seção 232, um instrumento separado da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês). A tarifa, que anteriormente era de 25%, passou a ser de 50%. LEIA TAMBÉM: Tarifas de 50% sobre aço e alumínio entram em vigor nos EUA; entenda os impactos para o Brasil.

A aplicação dessas tarifas teve um impacto direto no setor siderúrgico de grandes parceiros comerciais dos EUA, como Canadá e México. O Brasil, que é o segundo maior fornecedor de aço para os Estados Unidos, também foi afetado. O MDIC também afirma que, no primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras para os Estados Unidos totalizaram US$ 17,4 bilhões, representando uma queda de 13% em comparação ao mesmo período do ano anterior. As importações brasileiras de produtos dos Estados Unidos também apresentaram uma diminuição no primeiro semestre, com uma redução de 12,8% na corrente de comércio bilateral.

“Esse movimento está ocorrendo em um contexto de crescente incerteza em relação à política comercial dos Estados Unidos, caracterizado pelo aumento do uso de instrumentos tarifários, pela adoção de medidas restritivas e inadequadas, e por frequentes revisões das condições de acesso ao mercado norte-americano.” Em relação ao tarifaço anunciado neste mês, o governo brasileiro afirmou que a medida é “completamente arbitrária e injustificada” e, por isso, iniciará “imediatamente” os procedimentos para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, levando o assunto à Organização Mundial do Comércio (OMC).

🔎A Lei de Reciprocidade é um mecanismo que permite que um país aplique a outra nação as mesmas medidas, restrições ou tarifas que sofreu dela. Na prática, se um governo estrangeiro impõe sanções ou barreiras unilaterais “injustas”, o Brasil utiliza essa norma para reagir na mesma moeda, adotando restrições equivalentes para reequilibrar as relações e proteger sua economia. No entanto, entidades empresariais defendem que o Brasil deva priorizar as negociações em vez de retaliações, a fim de evitar “escalar” a tensão com o governo de Donald Trump.

Embora o governo opte por implementar a Lei de Reciprocidade, o próprio instrumento legal prevê um processo a ser seguido para que a reciprocidade possa ser aplicada, como a realização de consultas públicas para ouvir as partes interessadas e a definição de prazos para a análise de pleitos específicos; somente depois disso, as contramedidas poderão ser sugeridas.

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Em Foco Hoje Redação
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