A falta de médicos no Hospital Regional de Sorriso tem gerado preocupações significativas na comunidade local. O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) decidiu tomar medidas legais contra o governo estadual devido a várias falhas graves no funcionamento da unidade de saúde. Essas falhas incluem problemas estruturais e a escassez de profissionais de saúde, o que compromete a qualidade do atendimento.
Falta de médicos e problemas estruturais
Localizado a 420 km de Cuiabá, o Hospital Regional de Sorriso é uma referência em atendimentos de urgência e emergência. No entanto, a ação civil pública, assinada pelo promotor de Justiça Márcio Florestan Berestinas, destaca que as irregularidades não são casos isolados, mas sim questões estruturais que afetam o funcionamento da unidade.
O MPMT identificou que, embora o hospital tenha 143 leitos cadastrados, apenas 116 estavam operacionais em determinados períodos. A falta de médicos levou ao fechamento temporário de até 28 leitos, o que impactou diretamente a realização de cirurgias eletivas, que foram reduzidas e, em alguns casos, suspensas.
Consequências da falta de profissionais
O déficit de profissionais de saúde, especialmente na área de enfermagem, é alarmante. O diretor técnico da unidade relatou que há uma necessidade de aproximadamente 140 funcionários. Isso afeta não apenas a rotina do hospital, mas também a assistência obstétrica e pediátrica, que são essenciais para a comunidade.
Em momentos críticos, o hospital ficou sem pediatras ou neonatologistas disponíveis, o que é inaceitável para uma unidade que deveria ser referência em gestações de alto risco. Um único pediatra plantonista muitas vezes acumulava a responsabilidade de atender urgências, emergências, além de supervisar o parto e o alojamento conjunto.
Problemas de infraestrutura
Além da falta de médicos, o hospital enfrenta sérios problemas de infraestrutura. Usuários relataram a falta de climatização adequada, ausência de água em alguns setores e banheiros em condições precárias. Esses fatores não apenas afetam o conforto dos pacientes, mas também aumentam o risco de infecções hospitalares.
Existem indícios de problemas estruturais mais graves, como rachaduras e a necessidade de intervenções nas fundações. O MPMT argumenta que as medidas tomadas até agora pelo estado, como contratações pontuais e reformas parciais, não foram suficientes para resolver os problemas existentes.
Ação do Ministério Público
O Ministério Público de Mato Grosso pediu à Justiça que o governo estadual apresente um Plano de Reestruturação. Esse plano deve incluir um diagnóstico completo do quadro de pessoal, um cronograma para a recomposição de recursos humanos, a reabertura dos leitos fechados e a regularização da assistência obstétrica e pediátrica.
Além disso, o MPMT solicitou uma avaliação técnica estrutural independente do prédio. Essa análise deve determinar a viabilidade das reformas em andamento ou a necessidade de construir uma nova unidade hospitalar para garantir a qualidade do atendimento à população.
Impacto na saúde pública
A falta de médicos e os problemas estruturais no Hospital Regional de Sorriso têm um impacto direto na saúde pública da região. A unidade é responsável por atender uma ampla área, e a sua ineficiência pode resultar em consequências graves para os pacientes que dependem de serviços de saúde de qualidade.
É fundamental que o governo tome medidas imediatas para resolver essas questões. A população merece ter acesso a um atendimento digno e eficiente, e a falta de médicos não pode ser ignorada.
Para mais informações sobre a saúde pública em Mato Grosso, acesse Em Foco Hoje. Para entender melhor a importância de uma boa infraestrutura hospitalar, você pode visitar o site da Organização Mundial da Saúde.



