Fazenda da maconha: André Fernandes retorna ao local e encontra droga enterrada

André Fernandes voltou à fazenda onde foi encontrada uma plantação de maconha e revelou ter encontrado droga enterrada. A situação gerou polêmica e investigações.

Fazenda da maconha: André Fernandes volta ao local e diz que encontrou droga enterrada após visita do governador

O deputado André Fernandes (PL) retornou à fazenda onde foi localizada uma plantação com aproximadamente 290 mil pés de maconha, em Acopiara, no Ceará, e declarou nas redes sociais, nesta sexta-feira (3), que encontrou parte da droga enterrada no local, que estava sem vigilância policial. Segundo a legislação brasileira, em casos de apreensão, a droga deve ser incinerada. No início da semana, o governador Elmano de Freitas (PT) esteve na propriedade e garantiu que a Polícia Civil permaneceria até que toda a plantação fosse destruída. ✅ Clique e siga o canal do g1 Ceará no WhatsApp

Na semana passada, a apreensão, considerada uma das maiores da história do estado, gerou polêmica e se tornou alvo de investigação policial após uma denúncia do deputado André Fernandes, que alegou que o local – ainda com as drogas ensacadas e os pés de maconha plantados – havia sido deixado sem custódia pelos policiais. Na nova denúncia, divulgada nesta sexta (3), André relatou ter visitado a fazenda na noite da quinta-feira (2) e não ter encontrado nenhum policial presente. Ele então escavou uma parte do terreno e descobriu os pés de maconha enterrados. Tentou chamar um trator para escavar outras áreas, mas foi interrompido por uma equipe da Polícia Civil que chegou durante a gravação do vídeo. “Comprovei que o governador mentiu. A droga não foi incinerada. Ela foi enterrada”, afirmou o deputado. “O governador disse que a polícia só sairia quando destruísse tudo. A destruição sendo a incineração. Não aconteceu”.

O g1 buscou a Casa Civil do Governo do Ceará e a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) para comentar a nova alegação do deputado federal. A reportagem será atualizada assim que houver resposta. 📍De acordo com a legislação brasileira, drogas apreendidas sem a ocorrência de prisão em flagrante devem ser destruídas por incineração, no máximo em 30 dias a partir da apreensão. A lei também exige a delimitação do local, “asseguradas as medidas necessárias para a preservação da prova”. O deputado ainda destacou que apenas escavou uma pequena parte do terreno, mas que haveria mais drogas enterradas na área restante. Todo o local foi revolvido por tratores da Superintendência de Obras Públicas (SOP), que estavam auxiliando nas operações policiais.

A droga foi descoberta durante uma operação da Polícia Civil realizada em 25 de junho em Acopiara. No dia 27, André Fernandes denunciou que a área tinha sido deixada sem custódia, com a droga e outras provas ainda lá. O deputado visitou o local e mostrou que a maior parte da plantação ainda estava presente, assim como parte da droga já colhida e outras evidências. Dois dias após a denúncia, no dia 29, o governador Elmano de Freitas (PT) visitou a fazenda acompanhado dos chefes das forças de segurança estaduais, enquanto tratores aparentemente limpavam o terreno. O governador afirmou que a plantação seria destruída. “Nós vamos apurar absolutamente tudo. Nós não vamos passar a mão na cabeça de ninguém”, declarou Elmano.

O Partido Liberal (PL) anunciou que acionará o Ministério Público Federal (MPF), a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) solicitando “a apuração dos novos fatos, a preservação das provas, a identificação de todos os agentes públicos envolvidos e a apresentação da íntegra dos documentos oficiais relativos à operação”. O partido também indicou que avaliará a abertura de uma ação de improbidade administrativa contra o governo estadual, “caso as investigações confirmem que agentes públicos, no exercício de suas funções, deliberadamente deixaram de observar os deveres legais e funcionais impostos pela legislação”. Após a denúncia de André Fernandes, no final de junho, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que iria investigar a denúncia de “falha nos procedimentos na custódia”. A pasta busca entender por que a droga foi mantida na área com os pés de maconha ainda plantados, sem segurança para preservar o local. Posteriormente, a Polícia Civil informou que a fazenda havia sido arrendada e já tinha identificado o dono e o arrendatário. No dia 2 de julho, o proprietário João Holanda Neto foi preso temporariamente, enquanto familiares afirmavam que o verdadeiro responsável pela droga era Cristiano Rodrigues de Lima, o homem que arrendou a área em 2025. João Holanda foi solto nesta sexta (3). Cristiano está foragido.

Quando a operação foi realizada, no dia 25 de junho, a Polícia Civil informou ter descoberto a área de plantio e também um acampamento utilizado pelos suspeitos, que fugiram com a chegada dos policiais. Em um dos locais, os agentes encontraram até feijão cozinhando em uma panela, indicando que a saída dos criminosos foi recente. Na ocasião, os agentes localizaram cerca de 160 mil pés de maconha em fase de cultivo e outros 130 mil já colhidos, totalizando aproximadamente 290 mil pés da droga, com cerca de 5 toneladas do entorpecente.

Após a operação, a Polícia Civil divulgou um vídeo mostrando a plantação de maconha sendo derrubada por tratores e incinerada no próprio local. No entanto, o deputado federal André Fernandes demonstrou que a maior parte da plantação ainda permanecia no local, e a parte que já havia sido colhida e ensacada também estava lá. Na propriedade, foram deixados materiais como celulares e cadernos de anotações. A Controladoria Geral de Disciplina do Ceará (CGD) – órgão responsável por investigar desvios de conduta de agentes de segurança pública – iniciou uma investigação para apurar a conduta dos policiais responsáveis pela preservação do sítio onde a plantação de maconha estava sendo cultivada. O Ministério Público do Ceará (MPCE) informou que está acompanhando as investigações por meio do Grupo de Atuação Especial em Segurança Pública (Gaesp) e do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), “que atuam de forma integrada para assegurar a devida apuração dos fatos”. Na manhã do dia 29 de junho, André Fernandes informou que protocolou a denúncia sobre a plantação de maconha na Polícia Federal. Ao ser contatada, a PF declarou que “não comenta investigação em andamento”.

A Polícia Civil do Ceará divulgou, no início da noite da quinta-feira (2), que prendeu um homem de 59 anos, apontado como o proprietário do terreno onde a plantação de maconha foi encontrada. Ele é investigado pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico. João Holanda Neto foi preso temporariamente por 30 dias, em uma investigação da Polícia Civil por tráfico de drogas e associação para o tráfico. Ele se apresentou a uma delegacia para prestar depoimento sobre o caso, e teve o mandado de prisão cumprido. Segundo a família, João Holanda está em tratamento devido a um câncer de pele e, como estava afastado das atividades, arrendou o terreno para outra pessoa. De acordo com a advogada de defesa de João Neto, Maria Lopes, desde a formalização do aluguel, o cliente não retornou mais à propriedade. Nos últimos meses, ele teria ido apenas até a frente da propriedade, “onde tem uma casinha pequena na qual guardava um carro velho e outras coisas do sítio e que, desse ponto de referência, não dava para ver nenhuma plantação”, segundo a advogada. “Eu peço até pela alma de sua mãe, de seus filhos”, diz João Neto ao arrendatário da propriedade, em um vídeo emocionado. E complementa: “Eu pensando que você era uma [boa] pessoa. E você faz isso comigo? Você conhece a gente há mais de 15 anos, tomava café na casa da minha mãe. Pelo amor de Deus, se apresente. Como você faz uma coisa dessa comigo? Você é de casa. Se eu soubesse que era para uma coisa dessa comigo, eu jamais faria [o contrato]”.

No dia 29 de junho, durante sua visita à fazenda, o governador Elmano de Freitas questionou as declarações do deputado federal André Fernandes no vídeo publicado nas redes sociais, no qual o parlamentar indagou o motivo pelo qual a droga havia sido deixada no local, sugerindo que a operação foi interrompida. “Quem foi que interferiu nessa megaoperação? Quem foi que deu a ordem para que os policiais que estavam aqui simplesmente fossem embora? Que ligação poderosa foi essa que alguém do alto escalão recebeu para fingir que nada disso aconteceu?”, questionou André. Em resposta, Elmano afirmou que o deputado deveria prestar depoimento à Polícia para revelar o nome do suposto indivíduo que interferiu na operação. “Quero pedir ao deputado André Fernandes que ele tenha a honra de poder em depoimento dizer que autoridade teria ligado para suspender o trabalho da Polícia Civil aqui”, declarou Elmano. “Nós vamos apurar tudo e queremos a colaboração do deputado André Fernandes, daqueles que lhe deram informação, para que possamos ter tudo absolutamente esclarecido”. O g1 procurou o deputado, por meio de sua assessoria, para comentar o pedido do governador. A reportagem será atualizada quando houver resposta.

Para mais notícias acesse emfocohoje.com.br. Confira também outros conteúdos em centralnerdverse.com.br.

Compartilhe
Em Foco Hoje Redação
Em Foco Hoje Redação

Em Foco Hoje é um perfil editorial responsável pela produção e organização de conteúdos informativos sobre atualidades, tecnologia, economia, saúde e temas de interesse geral, sempre com foco em clareza, utilidade e atualização constante.