Financiamento de carros usados para motoristas de app enfrenta desafios

O programa Move Aplicativos agora permite o financiamento de seminovos, mas a aprovação de crédito é um desafio para motoristas de app.

Move Aplicativos: motoristas de app agora podem financiar carros usados, mas aprovar crédito vira desafio

Esclareça suas dúvidas sobre o Programa Move Brasil. Nesta semana, o governo federal ampliou o programa Move Aplicativos, que proporciona financiamento com juros reduzidos para motoristas de aplicativos e taxistas. A nova linha de crédito com taxas menores agora também permite a aquisição de veículos seminovos.

As diretrizes para os seminovos permanecem quase inalteradas desde junho: O veículo deve ter um valor máximo de R$ 150 mil; O modelo seminovo precisa ser elétrico ou híbrido flex (modelos híbridos que usam apenas gasolina não são elegíveis); Deve ter sido fabricado a partir de 2024; A montadora deve estar credenciada no programa Mover.

Conforme a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), há uma oferta limitada de veículos com sistema híbrido flex disponíveis por menos de R$ 150 mil no mercado de seminovos. Nessa faixa, destacam-se as versões híbridas de: Fiat Pulse: R$ 107.493; Fiat Fastback: R$ 117.746; Peugeot 2008 GT: R$ 146.415; Peugeot 208 GT: R$ 120.769. Em contrapartida, os modelos elétricos são mais variados, e o preço médio indicado pela tabela Fipe é de: BYD Dolphin Mini: R$ 98.136; BYD Dolphin: R$ 118.540; GWM Ora 03: R$ 120.391; GAC Aion UT: R$ 128.790; Chevrolet Spark EUV: R$ 139.020; Geely EX2: R$ 113.882; Renault Kwid E-Tech: R$ 81.412. Volkswagen Polo, Chevrolet Onix Plus, BYD Dolphin e Fiat Pulse podem ser incluídos no programa Move.

O programa enfrenta barreira na aprovação do crédito. Apesar da injeção de R$ 30 bilhões para financiar a venda de veículos com juros inferiores à média do mercado, o número de carros financiados para motoristas de aplicativos e taxistas é baixo. Até 14 de julho, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou que apenas R$ 1 bilhão foi empenhado no programa, representando apenas 3% do total reservado para garantir o financiamento dos veículos.

O g1 consultou especialistas e representantes do setor para compreender os obstáculos que estão impedindo o avanço do programa. Todos foram unânimes em apontar a dificuldade dos motoristas em conseguir a aprovação do crédito. “A maioria dos motoristas não tem condições, senão estaríamos vendo esse valor crescer, como ocorreu em programas anteriores. Portanto, a análise de crédito é realmente o que está barrando o progresso do programa”, afirmou a economista Tereza Fernandez. Ela acrescenta que, mesmo com a redução das taxas de juros, o custo do carro ainda é elevado. “Um motorista de Uber pagar R$ 120 mil em tantos meses resulta em uma prestação alta, mesmo com esses juros”, destaca. “O risco recai todo sobre a instituição financeira. O risco de inadimplência é elevado. As instituições financeiras não estão liberando crédito, pois essa análise está sob sua responsabilidade”, declarou o consultor automotivo Milad Kalume Neto. Ele observa que, das nove instituições financeiras que atuam no programa, apenas duas são consideradas mais acessíveis.

Armando Castelar, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), ressalta que as famílias já chegam ao financiamento endividadas, o que diminui o número de interessados na troca de veículos. “As famílias estão bastante endividadas. Tanto a dívida quanto o serviço da dívida, que é o que as famílias gastam mensalmente para pagar juros e amortizações, estão em níveis recordes”, afirma Castelar. “Entendo que haja uma hesitação por parte do motorista em se endividar, uma vez que ele já está muito comprometido como consumidor. Como as instituições vão conceder crédito a quem já está excessivamente endividado? Podem oferecer uma nova dívida, mas se você já está muito endividado, vai assumir essa dívida apenas porque foi oferecida?”, complementa.

A dificuldade de acesso ao crédito para motoristas foi confirmada por Leandro Cruz, presidente do Sindicato dos Trabalhadores com Aplicativos de Transportes Terrestres Intermunicipais do Estado de São Paulo. Embora ele aprove a iniciativa do governo, Cruz afirma que uma parte significativa dos motoristas chega “negativada” ao solicitar o financiamento do veículo, resultando na não aprovação pela instituição financeira. “O maior problema é que o trabalhador que realiza muitas corridas, que ganha entre R$ 10 mil e R$ 12 mil, já está negativado. Esse trabalhador é o que mais possui condições de financiar, mas tem suas solicitações negadas”, destacou Leandro. Ele também menciona que a garantia oferecida por um veículo seminovo é inferior à de um modelo zero km, elevando os custos que o motorista poderá enfrentar em um período menor. “É necessário realizar uma cautelar muito detalhada, pois há motoristas que alteram a quilometragem, e outros que alugam carros com apenas quatro meses de uso e acabam danificando o motor, ficando meses sem operar”, revela.

A Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto) também apoia a ampliação do programa do governo federal, mas não celebra. “É crucial ter uma expectativa realista quanto aos seus efeitos imediatos. Se os critérios de análise de risco permanecerem os mesmos, uma parte significativa desses profissionais continuará enfrentando barreiras para acessar o financiamento”, disse Everton Fernandes, presidente da Fenauto. A preocupação é compartilhada pela Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef). “Chamamos a atenção para dois pontos: O crédito estará sujeito a critérios de aprovação das instituições financeiras que assumem o risco. Portanto, é razoável esperar recusas de propostas devido à falta de condições para honrar o crédito. Em alguns casos, poderão exigir entrada para mitigar o risco de inadimplência”, declarou Enilson Sales, presidente da Anef.

De acordo com dados do Serasa, o Brasil enfrenta um elevado nível de endividamento. Em junho deste ano, foram registrados 83,7 milhões de endividados no país — 17,2% a mais do que em 2023, quando eram 71,4 milhões. Este é o maior número da série histórica, que indica um aumento por 18 meses consecutivos.

Procurado, o BNDES afirmou que não existem problemas na instituição para o repasse dos valores. O BNDES monitora a execução do Programa BNDES Move Motoristas em todo o território nacional, através do acompanhamento de seus resultados e da comunicação com os agentes financeiros credenciados. Esse monitoramento subsidia o aprimoramento contínuo da operacionalização do programa, quando necessário. O Programa BNDES Move Motoristas segue em funcionamento, com operações e repasse de recursos sendo realizados através da rede de instituições financeiras credenciadas, conforme o modelo previsto. Como é comum em programas dessa natureza, que envolvem etapas de habilitação, análise de crédito e contratação com os agentes financeiros, a aprovação das operações ocorre de forma gradual. A instituição financeira, a partir do envio do pedido da concessionária, realizará a análise do perfil de crédito de cada motorista ou taxista e, se aprovado, concluirá a contratação com as condições do programa. Os critérios de aprovação do financiamento seguem a política de crédito de cada instituição financeira credenciada, dentro dos parâmetros gerais do programa, como elegibilidade do veículo, do beneficiário e do uso (taxista, motorista de aplicativo ou cooperativa). O BNDES não estabelece critérios individuais de aprovação de crédito, que são de responsabilidade de cada agente financeiro. O repasse de recursos para as instituições financeiras ocorre após a aprovação do crédito, com a apresentação da Nota Fiscal de compra do veículo ao BNDES. As instituições que já realizaram operações até agora incluem Banco do Brasil, Banrisul, Caixa Econômica Federal, Sicoob, Sicredi, Ailos, GM Financial, Volkswagen Financial Services, Banco Stellantis e Mobilize Financial Services. Além das diversas instituições financeiras já atuando, outras ainda estão em processo de implementação do Programa em seus sistemas, com previsão de entrada em breve. Para mais notícias acesse… Confira também outros conteúdos em…

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Em Foco Hoje Redação
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