O caso do tenente-coronel Geraldo Neto, acusado de feminicídio, levanta questões sobre a dependência financeira da esposa, Gisele Alves Santana. Durante o interrogatório, Geraldo afirmou que essa dependência financeira, agravada por empréstimos, foi um dos principais fatores que impediram o divórcio.
Geraldo, que se encontra detido sob a acusação de ter assassinado Gisele com um tiro na cabeça em seu apartamento localizado no Brás, Centro de São Paulo, explicou que a situação financeira de sua esposa estava comprometida. Ele alegou que Gisele havia contraído dívidas para a construção de uma casa para seus pais e para procedimentos estéticos, como cirurgias plásticas.
Geraldo Neto e a dependência financeira da esposa
Segundo o tenente-coronel, a renda de Gisele estava tão reduzida que, após o pagamento das dívidas e impostos, ela recebia menos de R$ 1.000 mensais. Para ajudar, Geraldo transferia entre R$ 1.500 e R$ 2.000 para a conta de Gisele a cada mês, além de arcar com despesas domésticas que somavam cerca de R$ 10.000.
Geraldo também mencionou que buscou alternativas para que Gisele pudesse ter uma autonomia financeira. Ele tentou garantir um novo emprego para ela na assessoria da Polícia Militar no Tribunal de Justiça, onde a função oferecia um adicional de R$ 5.000 mensais. Com esse novo salário, Gisele poderia alugar um apartamento e viver de forma independente com a filha, o que facilitaria a separação.
Os eventos do dia anterior ao crime
Na manhã do dia 17 de fevereiro, Geraldo e Gisele frequentaram a academia em horários diferentes. Após o treino, Gisele se trancou na suíte com a filha e permaneceu lá durante o dia. Geraldo relatou que, por volta do meio-dia, Gisele pediu que ele buscasse uma marmita na portaria do prédio, que ele entregou na porta do quarto.
Geraldo afirmou que, após a refeição, a rotina de silêncio foi quebrada quando ele sugeriu que tomassem café juntos. Durante a conversa, que durou cerca de duas horas, eles relembraram momentos do relacionamento, discutindo prós e contras da separação. O tenente-coronel descreveu esse momento como emocional, com ambos chorando e se abraçando.
O desfecho trágico
Após a conversa, Geraldo alegou que tiveram relações sexuais, considerando isso como um último momento juntos. No entanto, Gisele expressou que preferia não tomar uma decisão imediata sobre a separação. Eles concordaram que a decisão final seria feita no dia seguinte, 18 de fevereiro.
Na manhã do dia seguinte, Geraldo disse que Gisele acordou cedo para iniciar uma novena. O que ocorreu após isso ainda está sendo investigado. O Ministério Público apresentou laudos periciais que indicam que Geraldo segurou a cabeça de Gisele e disparou a arma contra ela, descartando a hipótese de suicídio.
Manipulação da cena do crime
Após o crime, Geraldo foi acusado de manipular a cena para simular que Gisele havia cometido suicídio. Imagens de câmeras corporais de policiais militares mostraram a tensão entre um cabo que queria preservar o local do crime e a autoridade de Geraldo, um oficial de alta patente. O comportamento de Geraldo após o crime levantou suspeitas sobre sua versão dos fatos.
As investigações estão em andamento, e a expectativa é que o caso seja julgado pela Justiça comum. O Ministério Público pediu uma indenização mínima de R$ 100.000 aos familiares de Gisele. A defesa de Geraldo nega as acusações e afirma que ele colaborou com as investigações.
Este caso é um dos primeiros de feminicídio envolvendo um oficial da Polícia Militar de São Paulo desde 2015. Para mais informações sobre feminicídio e suas implicações legais, você pode visitar este site. Para atualizações sobre o caso, acesse Em Foco Hoje.



