Haroldo Caetano, o promotor que passou por uma experiência traumática ao ser feito refém durante uma rebelião em Goiás, relembra momentos de intensa tensão. O episódio ocorreu no Centro Penitenciário de Atividades Industriais do Estado de Goiás (Cepaigo), onde ele ficou cativo por seis dias. Essa experiência, que ocorreu há trinta anos, moldou sua visão sobre o sistema prisional brasileiro.
Haroldo Caetano refém na rebelião de Pareja
Em 1996, Haroldo Caetano tinha apenas 26 anos e já atuava na área de execução penal. Durante uma visita de autoridades ao Cepaigo, a situação saiu do controle. A rebelião foi liderada por Leonardo Rodrigues Pareja, um criminoso notório da época. Pareja ficou famoso após um sequestro em 1995, envolvendo uma adolescente em Salvador.
A rebelião começou de forma inesperada e rapidamente escalou em violência. Os detentos, armados e ameaçadores, tomaram reféns, incluindo membros do Judiciário e jornalistas. A tensão era palpável, e a sensação de pânico tomou conta do ambiente. Caetano descreve que, em muitos momentos, acreditou que não sairia vivo daquela situação.
Momentos de pânico e incerteza
O promotor recorda que a percepção inicial da situação era confusa. Com o aumento da violência, os reféns foram submetidos a ameaças constantes. “Havia gritos, armas improvisadas e um cenário de desespero”, relembra. A rotina durante os dias de cativeiro foi marcada por estresse e ansiedade, com os reféns vivendo sob pressão constante.
Apesar da gravidade, os detentos tentaram estabelecer uma rotina, oferecendo alimentação e até momentos de lazer aos reféns. Contudo, Caetano mal conseguia comer, devido ao nervosismo. Ele perdeu cerca de oito quilos durante o cativeiro, um reflexo do desgaste físico e emocional que enfrentou.
Impacto da rebelião no sistema prisional
A rebelião no Cepaigo não foi apenas um evento isolado, mas um reflexo das condições precárias do sistema prisional. Caetano acredita que a experiência revelou a falta de respeito aos direitos humanos e as dificuldades que os detentos enfrentam. “A rebelião expôs a precariedade das condições e a distância entre o que o sistema deveria ser e a realidade”, afirma.
Ele também destaca a invisibilidade das situações enfrentadas dentro das prisões, o que permite que a violência se perpetue. “É fundamental conhecer as histórias das pessoas que estão ali”, enfatiza, ressaltando a necessidade de humanização no tratamento dos detentos.
Memórias que não se apagam
Para processar essa experiência, Haroldo Caetano decidiu escrever um livro, intitulado “A rebelião”, que será lançado em breve. Ele acredita que compartilhar essas memórias é essencial para que não sejam esquecidas. “Essas lembranças ainda estão muito vivas em mim. Com o tempo, percebi que essa vivência não era apenas pessoal, mas algo que precisava ser discutido”, explica.
O lançamento do livro está programado para ocorrer na Assembleia Legislativa de Goiás, e Caetano espera que sua obra contribua para uma reflexão mais profunda sobre o sistema prisional. Ele quer que as pessoas compreendam as complexidades e desafios enfrentados por aqueles que estão atrás das grades.
Após a rebelião, Leonardo Pareja foi recapturado, mas sua história trágica não terminou ali. Ele foi assassinado meses depois dentro do sistema prisional. A experiência de Haroldo Caetano, por sua vez, continua a ressoar em sua vida e carreira. Para mais informações sobre o sistema prisional e suas complexidades, você pode acessar este link.
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