A história do design feminino é frequentemente esquecida, mas é repleta de contribuições significativas. Muitas mulheres desempenharam papéis cruciais na evolução do design, embora suas histórias tenham sido ofuscadas por narrativas dominadas por homens.
História do design feminino e suas pioneiras
Charlotte Perriand, Estella Aronis e Regina Gomide Graz são apenas algumas das mulheres que ajudaram a moldar o design. No entanto, suas contribuições muitas vezes são ignoradas. O apagamento dessas designers resulta de diversos fatores, incluindo a crença de que apenas homens poderiam ser criadores. Além disso, a presença feminina nas universidades de design foi tardia.
As mulheres sempre estiveram envolvidas na produção artística, muitas vezes em ambientes domésticos. A professora Maureen Schaefer França, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, destaca que a divisão de trabalho por gênero impacta a visibilidade das mulheres. O espaço doméstico, associado às mulheres, é historicamente menos valorizado do que o espaço público, geralmente ligado aos homens.
A produção artística no ambiente doméstico
No contexto do lar, as mulheres se dedicavam a atividades como bordados, têxteis e cerâmicas, frequentemente consideradas “artes menores”. Lindsay Cresto, professora de Teoria e História do Design na UTFPR, explica que as revistas da época ensinavam técnicas de bordado, levando a sociedade a ver essas atividades como reprodutivas, não criativas.
As produções femininas eram frequentemente limitadas ao ambiente doméstico ou vendidas discretamente para complementar a renda familiar, já que era um estigma para os homens não sustentar a casa sozinhos. Nos livros de história do design, as obras de homens como William Morris, do movimento Arts and Crafts, são frequentemente mais lembradas.
O impacto da Bauhaus no design feminino
A Bauhaus, uma escola de design na Alemanha, revolucionou a arquitetura e o design. Algumas mulheres começaram a se inscrever em seus cursos, mas a maioria foi direcionada para a área têxtil. Os mestres da instituição acreditavam que as mulheres não tinham a capacidade de visualização tridimensional, o que as afastava de áreas como marcenaria e arquitetura.
No Brasil, a inclusão das mulheres no design ocorreu de forma mais lenta. Na década de 1960, surgiram os primeiros cursos de design, e algumas mulheres, como Carmem Portinho e Daisy Igel, começaram a atuar como professoras. Apesar disso, os homens ainda predominavam.
A evolução do reconhecimento das mulheres no design
Na década de 1980, Ana Julia Melo Almeida, doutora em design pela Universidade de São Paulo, observou um aumento nas pesquisas sobre a representação das mulheres na arte e no design. Esse movimento buscou investigar como a história tem ocultado certas trajetórias enquanto legitima outras, impactando tanto os estudos acadêmicos quanto o mercado.
Atualmente, as designers que deixaram sua marca na história estão sendo cada vez mais estudadas. Contudo, ainda é desafiador identificar e documentar suas contribuições, pois muitos registros são escassos e, em alguns casos, não existem fotos dessas profissionais.
O legado de oito designers notáveis
Para recuperar essas histórias, é importante destacar algumas designers que marcaram a trajetória do design:
- Lilly Reich: Começou como costureira industrial e se tornou parceira de Mies van der Rohe, contribuindo para móveis icônicos.
- Charlotte Perriand: Conhecida por adaptar o modernismo às necessidades do cotidiano, explorou materiais naturais em seus projetos.
- Ray Eames: Junto com seu marido, Charles, desenvolveu um design que combina funcionalidade e estética, embora seu trabalho tenha sido frequentemente ofuscado.
- Marie Neurath: Criou um sistema de linguagem visual que facilitou a compreensão de dados, embora seu trabalho tenha sido associado principalmente a seu marido.
- Estella Aronis: Teve sua carreira ofuscada pelo ex-marido, mas foi uma precursora no design de uniformes ergonômicos no Brasil.
- Regina Gomide Graz: Participou da Semana de Arte Moderna e produziu tecidos e tapeçarias, mas sua trajetória é pouco reconhecida.
- Irene Ruchti: Trabalhou em projetos de paisagismo e design antes mesmo da formalização dos cursos de design no Brasil.
- Marta Erps-Breuer: Conectou a vanguarda do design europeu à pesquisa científica no Brasil, mas sua produção foi pouco reconhecida.
Essas mulheres desempenharam papéis fundamentais na evolução do design, mas suas histórias muitas vezes permanecem nas sombras. É crucial continuar a pesquisa e a valorização de suas contribuições. O reconhecimento da história do design feminino é um passo importante para garantir que futuras gerações conheçam e celebrem essas trajetórias.
Para saber mais sobre a história do design e suas influências, visite Em Foco Hoje. Além disso, você pode explorar mais sobre o impacto das mulheres no design em MoMA.



