Jetour T2 4×4 é lançado por R$ 349.900 e disputa mercado com Tank 300 e Haval H9

O novo Jetour T2 4x4 chega ao mercado brasileiro com um preço de R$ 349.900, mirando concorrentes como o Tank 300 e o Haval H9.

Jetour T2 4×4 tenta repetir boas vendas do GWM Haval H9

A Jetour apresentou, na última sexta-feira (24), a nova versão 4×4 do T2. Este SUV híbrido é equipado com quatro motores e elimina o cardã para enfrentar terrenos acidentados. O modelo tem como alvos no Brasil os GWM Tank 300 e Haval H6. O primeiro foi lançado por R$ 342.000, buscando aliar conforto e potência, mas registrou apenas 2.869 emplacamentos, muito abaixo do líder do segmento entre janeiro e junho de 2026, que é a Toyota Hilux SW4, com 6.780 unidades vendidas. O GWM Haval H9, que custa R$ 335.000, chegou após o Tank 300, focando ainda mais no uso off-road. Este modelo, maior e com motor exclusivamente a diesel, desafia a noção de que todos os carros chineses são elétricos ou híbridos.

A estratégia foi eficaz: o H9 emplacou 5.942 unidades no mesmo período, quase o dobro do Tank 300. Agora, o Jetour T2, que foi lançado em março apenas com tração dianteira, ganhou uma versão 4×4 por R$ 349.990, buscando destacar os híbridos nesse segmento.

Mesma guerra, munição diferente

Assim como o Tank 300 e o Haval H9, o Jetour T2 aposta em um design com linhas retas e exibe um visual robusto, mesmo em ambientes urbanos, visando um público que considera a Toyota SW4, mas sente falta da tecnologia que só os modelos chineses oferecem. Essa robustez é evidente nas caixas de roda salientes, feitas de plástico rígido, e em detalhes como as alças dianteiras para reboque e os pontos de ancoragem no capô, que servem como apoio para cordas e outros itens comuns em veículos de aventura.

No entanto, as alças no capô e os ganchos de reboque são apenas estéticos, feitos de plástico, e não têm funcionalidade real. Outro aspecto voltado para o uso off-road é o estepe montado na tampa do porta-malas, que é uma roda idêntica às demais do T2, permitindo que o veículo continue a trilha mesmo após um furo.

Enquanto o exterior do T2 4×4 remete a jipões, seu interior possui um DNA distinto. O Tank 300 opta por um acabamento mais luxuoso, com um relógio analógico no painel e saídas de ar inspiradas no Mercedes Classe G, que tem preço a partir de R$ 2 milhões. Em contraste, o T2 4×4 mantém um visual robusto, com características como:

  • Alças no console central e na coluna ao lado do para-brisa;
  • Uma alça extra na porta do motorista e duas em cada porta dos passageiros, para maior apoio durante o off-road;
  • Parafusos aparentes no console central e nas portas;
  • Acabamento interno com formas angulares, evitando o uso de elementos circulares;
  • Piso de borracha rígida sob os tapetes, facilitando a limpeza de sujeira e barro.

A central multimídia, por sua vez, conta com uma tela ampla de 15,6 polegadas e os bancos são mais confortáveis que os do Tank 300 e H9, proporcionando um melhor suporte ao motorista e passageiros, especialmente enquanto a suspensão traseira independente lida com as irregularidades do terreno.

O teto em suede tem um toque suave, e o porta-malas é um dos destaques do T2 4×4, com capacidade de 580 litros, superando os 380 litros do Tank 300. Em comparação com o Haval H9, que possui sete lugares, a capacidade do porta-malas varia: com a terceira fileira de bancos em uso, são 88 litros, enquanto com os assentos abaixados, a capacidade aumenta para 791 litros.

T2 enfrenta o off-road, mas Tank 300 e H9 fazem melhor

O g1 testou o T2 4×4 em um ambiente que realmente desafia suas capacidades: um terreno acidentado, com grama, terra solta, barrancos e até um trecho com água suficiente para cobrir metade das rodas. O teste começou na área urbana de São Paulo (SP) e seguiu para Bragança Paulista (SP), onde o percurso inicial foi feito em ruas e rodovias bem pavimentadas. Diferente da maioria das montadoras que atuam no Brasil, a Jetour não divulga a potência combinada do sistema híbrido. Os motores e suas potências são:

  • Motor 1.5 turbo a combustão: 135 cv e 20,4 kgfm;
  • Primeiro motor elétrico dianteiro: 102 cv e 17,3 kgfm;
  • Segundo motor elétrico dianteiro: 122 cv e 22,4 kgfm;
  • Motor elétrico traseiro: 238 cv e 32,6 kgfm.

A potência total instalada, que é a soma da potência e do torque de todos os motores, chega a 591 cv e 91,7 kgfm. Na prática, esses números colocariam o T2 acima dos 394 cv do Tank 300 e até do Mercedes-AMG Classe G, que possui 585 cv e 86,6 kgfm. No entanto, devido às diferentes potências e torques dos motores, eles não podem operar simultaneamente em sua capacidade máxima, evitando que as rodas recebam forças distintas.

A experiência na estrada, onde esse desempenho deveria ser mais evidente, foi diferente. Com dois adultos a bordo e a bateria do sistema híbrido totalmente carregada, a sensação ao acelerar era mais semelhante à de um veículo com cerca de 400 cv. O desempenho ainda é impressionante para um carro de 2.362 kg, mas não corresponde à expectativa para um modelo com quase 600 cv. Outro ponto a ser destacado é a suspensão, que faz a carroceria oscilar mais do que o esperado. Basta acelerar, mesmo que suavemente, para a dianteira do T2 se elevar, e ao frear, ela mergulha, lembrando a sensação de um Volkswagen Santana dos anos 1990.

Em terrenos fora do asfalto, durante um teste conhecido como “caixa de ovo”, que consiste em uma sequência de pequenas irregularidades, o T2 se comportou muito bem, mantendo a cabine estável e absorvendo eficientemente os movimentos das rodas, permitindo que os ocupantes permanecessem confortáveis. O sistema de tração nas quatro rodas se mostrou eficiente ao lidar com lama de um lado e piso seco do outro, além de uma subida com um buraco em uma das laterais, projetada para testar a tração.

No entanto, o T2, embora tenha se saído bem fora de estrada, não oferece tantos recursos quanto o H9 e o Tank 300, que estão mais preparados para enfrentar uma variedade maior de situações. Embora o T2 possua oito modos de condução para diferentes terrenos, não é possível bloquear os diferenciais dianteiro e traseiro, um recurso disponível no Tank 300 e no Haval H9. Um modo que melhora o giro do carro, reduzindo a tração da roda traseira interna, é melhor executado nos modelos da GWM, que conseguem realizar giros mais fechados que o T2.

Além disso, esses modelos possuem uma interface mais intuitiva na central multimídia para o off-road, reunindo em uma única tela informações que o T2 4×4 não apresenta, como: ângulo de inclinação lateral e longitudinal, informações sobre o bloqueio dos diferenciais, pressão e temperatura dos pneus, direção indicada pela bússola digital e pressão atmosférica. O T2 4×4, por sua vez, se destaca ao mostrar a profundidade da água durante a travessia, emitindo um alerta sonoro quando se aproxima do limite de 70 cm de profundidade, conforme indicado pela fabricante.

A conclusão é que o T2 4×4 está bem preparado para uso fora de estrada, mas o Tank 300 e o Haval H9 oferecem uma gama maior de recursos. Para aqueles que buscam um veículo com aparência de jipão, mas priorizam conforto e um desempenho mais robusto, o modelo da Jetour apresenta um conjunto mais equilibrado a um preço bastante próximo aos concorrentes. Um ponto adicional a favor do T2 4×4 é a autonomia da bateria, que atinge 106 km no modo elétrico, superando os 74 km do Tank 300. Isso possibilita percorrer os 94 km entre São Paulo (SP) e Campinas (SP) sem consumir combustível.

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Em Foco Hoje Redação
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