Acre registra maior alta proporcional de latrocínios no Brasil

O Acre teve um aumento significativo nos latrocínios em 2025, enquanto o restante do Brasil apresentou uma redução nesse tipo de crime.

Na contramão do país, Acre registra maior alta proporcional de latrocínios em 2025

O Acre apresentou o maior aumento proporcional de latrocínios do Brasil em 2025, conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23). O estado passou de uma vítima de roubo seguido de morte em 2024 para seis no ano seguinte, resultando em um crescimento de 497,5%. O levantamento revela que essa alta ocorreu em contraste com a diminuição nacional, onde o número de vítimas desse crime caiu 17%, de 969 para 807.

Os dados são coletados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e se baseiam em informações fornecidas pelas secretarias estaduais de Segurança Pública, polícias civis e militares, além do Ministério Público. O estudo abrange casos de mortes violentas intencionais (MVI) e inclui diferentes tipos de crime. No Acre, além do aumento no número de vítimas, as ocorrências passaram de uma para seis, elevando a taxa de 0,1 para 0,7 por 100 mil habitantes. Embora o percentual do Acre seja o maior do país, o aumento está atrelado ao baixo número de casos registrados no ano anterior, totalizando cinco vítimas a mais entre 2024 e 2025. Na Região Norte, apenas Acre e Tocantins tiveram aumento no número de vítimas de latrocínio; os demais estados apresentaram redução ou estabilidade.

O latrocínio é uma das categorias que compõem o grupo de Mortes Violentas Intencionais (MVI), um indicador utilizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública para agrupar os casos em que há intenção de matar. Esse grupo inclui também homicídios dolosos, feminicídios, lesões corporais seguidas de morte e mortes resultantes de intervenção policial.

Em 2025, o Brasil registrou 40.775 mortes violentas intencionais. Dentro desse total, os latrocínios se destacaram com uma das maiores reduções entre as categorias analisadas, com uma queda superior a 17%. O levantamento também indica que as armas de fogo foram as mais utilizadas nesse tipo de crime, presentes em 88,3% dos casos registrados no país em 2025. Armas brancas foram utilizadas em 6,8% das ocorrências, enquanto outros meios representaram 4,9%.

Outro recorte do estudo revela que 62,8% das vítimas de latrocínio eram negras, enquanto 36,7% eram brancas. A maior parte das vítimas está concentrada na faixa etária de 18 a 24 anos, mas o levantamento ressalta a participação de pessoas com 60 anos ou mais, que representaram cerca de 28% das vítimas de latrocínio no Brasil em 2025. Entre crianças e adolescentes de até 17 anos, foram registradas 18 vítimas de latrocínio no ano passado, sendo um caso envolvendo uma criança de até 11 anos e 17 ocorrências entre adolescentes de 12 a 17 anos.

Entre os casos notáveis registrados no Acre em 2025 está a morte do vigilante Raimundo de Assis Souza Filho, de 52 anos, durante uma tentativa de roubo à arma que ele utilizava enquanto trabalhava em uma escola estadual de Rio Branco. De acordo com as investigações, três homens participaram da ação e foram denunciados pelo Ministério Público por latrocínio. Outro caso foi o da idosa Maria do Socorro Morais da Rocha, de 72 anos, encontrada morta após a invasão de sua casa por criminosos na zona rural de Senador Guiomard. A Polícia Civil concluiu que os suspeitos acreditavam que o casal guardava dinheiro na residência e foram responsabilizados por roubo seguido de morte. Também em 2025, a Polícia Civil determinou que o comerciante Manoel Carlos Alemão da Costa, de 48 anos, assassinado dentro de seu estabelecimento em Cruzeiro do Sul, foi vítima de latrocínio. As investigações indicaram que os criminosos pretendiam assaltar o comerciante, mas dispararam contra ele durante a ação.

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Em Foco Hoje Redação
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