Lídia Jorge é a vencedora do Prêmio Camões de Literatura

A escritora Lídia Jorge foi premiada com o Prêmio Camões de Literatura, um dos mais prestigiados da língua portuguesa.

Lídia Jorge é a vencedora do Prêmio Camões de Literatura 2026

A escritora portuguesa Lídia Jorge foi escolhida como a laureada do Prêmio Camões de Literatura 2026, a mais relevante distinção da língua portuguesa. A decisão foi divulgada nesta quinta-feira (2), após uma reunião virtual do júri. A autora receberá um prêmio de 100 mil euros, financiado pela Fundação Biblioteca Nacional (FBN/MinC do Brasil) e pelo Governo de Portugal, além de um diploma assinado pelos presidentes dos dois países.

Recentemente, o selo Autêntica Contemporânea lançou dois de seus livros no Brasil: Diante da manta do soldado e Misericórdia. A editora também anunciou que A costa dos murmúrios será publicado em breve. O Grupo Editorial Record possui obras da escritora em seu catálogo.

“Recebemos a notícia de que Lídia Jorge foi agraciada com o Prêmio Camões 2026 com muita alegria”, afirmou a editora do selo Autêntica Contemporânea, Rafaela Lamas, ao PublishNews. “Essa distinção reconhece uma obra de rara profundidade, capaz de tocar o leitor ao revisitar temas essenciais da história de Portugal e seu passado ditatorial. Além disso, sua escrita ultrapassa barreiras geográficas ao abordar questões que nos dizem respeito como sociedade, como a condição feminina, o peso das tradições, as rupturas familiares e os conflitos entre gerações, tudo isso imbuído de um lirismo muito característico.”

Conforme a organização do Camões, Lídia Jorge é uma das autoras mais destacadas da literatura portuguesa contemporânea, com uma obra elogiada pela análise minuciosa da história recente de seu país, pela reflexão social e pela defesa dos direitos humanos e das mulheres. “Desde O dia dos prodígios, de 1979, o variado conjunto da obra de Lídia Jorge tem contribuído para enriquecer o patrimônio literário e cívico-cultural da língua portuguesa, trazendo vivências do último período da guerra colonial. A costa dos murmúrios, de 1988, é um marco na sua produção, pois enfatiza sua experiência em Moçambique e desconstrói as narrativas da guerra colonial sob a ótica feminina. Um de seus romances mais recentes – Misericórdia, de 2022 – aborda a velhice, a urgência da vida e a resistência ao fim. Sua escrita, caracterizada por uma prosa poética densa, trata do passado ditatorial de Portugal, da condição feminina, do impacto das transformações históricas na vida cotidiana, do significado das revoluções, da emigração, das tensões entre a sociedade moderna e a pós-moderna, além dos conflitos entre gerações e das rupturas familiares, tudo isso com um estilo literário de forte carga lírica e foco na memória coletiva. Por todas essas razões, o júri decidiu, de forma unânime, que Lídia Jorge é merecedora do Prêmio Camões 2026”, diz a ata do júri.

Os jurados desta edição foram o professor José Carlos Seabra Pereira (Universidade de Coimbra – Portugal); a professora, poeta e ensaísta Ana Mafalda Leite (Universidade de Lisboa – Portugal); a professora e pesquisadora Lucia Santaella (PUC-SP, Brasil); o professor, jornalista, historiador e doutor em Letras, José Ribamar Bessa Freire (Brasil); o escritor e crítico literário Lopito Feijó (Angola); e a escritora, poeta, professora universitária e pesquisadora Odete Semedo (Guiné-Bissau).

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, comentou sobre a premiação da autora portuguesa: “A escolha de Lídia Jorge para o Prêmio Camões de Literatura 2026 celebra uma das grandes vozes da literatura em língua portuguesa, cuja obra reafirma o poder da escrita para preservar memórias, ampliar horizontes e promover reflexões sobre a condição humana. O Prêmio Camões simboliza a riqueza da nossa língua comum e o compromisso contínuo do Brasil e dos países lusófonos com a valorização da cultura, da literatura e do diálogo entre os povos. Celebrar Lídia Jorge é também reconhecer a força transformadora da palavra e da criação artística na construção de sociedades mais democráticas, diversas e humanas”, declarou em nota.

Para o presidente da FBN, Marco Lucchesi, Lídia Jorge merece todo o reconhecimento. “Ela vive no coração do presente. Aponta para todas as contradições, dentro de uma perspectiva onde política e poética se mostram inseparáveis, embora prevaleça, do início ao fim, a altitude textual e a dinâmica profunda da língua literária. Seu vasto conhecimento da África, especialmente de Moçambique, de Portugal e dos países de língua portuguesa, enriquece imensamente sua obra. Lídia Jorge possui uma consciência crítica e vigilante diante de um passado colonial e de todas as práticas de injustiça, defendendo um amplo estatuto de emancipação. Sua produção é vasta e rica em abordagem e gêneros literários. É uma das glórias da língua portuguesa”, afirmou o também autor.

Quem é Lídia Jorge

Nascida em Boliqueime, Algarve (Portugal), em 18 de junho de 1946, Lídia Jorge formou-se em Filologia Românica pela Universidade de Lisboa. Nos anos 70, durante a Guerra Colonial Portuguesa, viveu em Angola e Moçambique, experiências que influenciaram sua produção literária. Seu primeiro romance, O dia dos prodígios (1980), marcou uma nova fase na literatura portuguesa ao romper com o realismo tradicional e o tom documental que predominavam na época. Suas obras foram traduzidas para várias línguas e já conquistaram prêmios como o Prémio Pessoa, Médicis Étranger e o Prémio Estatal Austríaco de Literatura Europeia.

O Prêmio Camões

O Prêmio Camões é a mais importante premiação da língua portuguesa. Criado em 1988 pelos Governos do Brasil e de Portugal, tem como finalidade estreitar os laços culturais entre as nações que fazem parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e enriquecer o patrimônio literário e cultural da língua portuguesa. O prêmio é concedido a autores pelo conjunto da obra que contribuiu para o enriquecimento do patrimônio literário e cultural da língua portuguesa. A primeira edição ocorreu em 1989. O Ministério da Cultura português organiza a premiação pela parte de Portugal, enquanto a Fundação Biblioteca Nacional é responsável pela parte brasileira. Em todas as edições do prêmio, o júri é composto por dois representantes de Portugal, dois do Brasil e dois das demais nações da CPLP – Angola, Guiné-Bissau, Cabo Verde, Moçambique, Timor Leste e São Tomé e Príncipe. O mandato dos jurados é de dois anos. O diploma concedido aos laureados contém o nome de todos os países lusófonos e é assinado pelos chefes de estado do Brasil e de Portugal. Entre os 36 vencedores, estão autores de cinco países lusófonos (Brasil, Portugal, Moçambique, Angola e Cabo Verde). Para mais notícias acesse… Confira também outros conteúdos em…

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Em Foco Hoje Redação
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