Morango importado do Egito tem causado grandes mudanças no mercado agrícola brasileiro, especialmente na Região Serrana do Espírito Santo. Os agricultores locais enfrentam dificuldades devido à concorrência desleal com a fruta que chega do exterior a preços significativamente mais baixos. Essa situação tem gerado preocupações entre os produtores, que relatam uma queda na renda e até desistências do cultivo.
Morango importado do Egito e seus efeitos no mercado
A entrada do morango egípcio no Brasil tem pressionado os preços da fruta local. Agricultores do Espírito Santo afirmam que o produto importado chega ao país com um custo inferior ao da produção local, dificultando a competitividade. Em um cenário onde o custo médio de produção na Região Serrana varia entre R$ 15 e R$ 16 por quilo, o morango do Egito é comercializado a cerca de R$ 8 por quilo.
O secretário de Agropecuária de Santa Maria de Jetibá, Vanderlei Marquez, expressou sua preocupação: “Como é que o produtor vai sobreviver tendo custo de R$ 16 e vendendo morango a R$ 10 ou R$ 11, para tentar equilibrar a concorrência?” Essa realidade tem levado muitos agricultores a reconsiderar suas atividades.
Aumento das importações e seus impactos
O volume de morangos importados do Egito aumentou drasticamente, passando de pouco mais de 4 mil toneladas em um ano para cerca de 42 mil toneladas no ano seguinte. Essa elevação nas importações tem sido um fator crucial na desvalorização do morango produzido localmente.
Regilvan Barbosa, um agricultor de Santa Maria de Jetibá, cultiva cerca de 14 mil pés de morango em estufa e sente diretamente os efeitos dessa competição. Ele relatou que, nos últimos 12 meses, os custos de produção aumentaram em torno de 15%, tornando a situação ainda mais complicada para os produtores locais.
Reação do governo e propostas de solução
Em resposta à crise, a Secretaria de Estado da Agricultura do Espírito Santo tem buscado alternativas para proteger os agricultores locais. O governo capixaba enviou um ofício ao Ministério da Agricultura e Pecuária solicitando a revisão da tarifa de importação, que atualmente é considerada baixa, em torno de 4%. A proposta é discutir um aumento nessa tarifa para criar um ambiente de competição mais justo.
O secretário estadual de Agricultura, Enio Bergoli, destacou que “o morango do Egito chega ao país por cerca de R$ 7 ou R$ 8 o quilo para a indústria, um valor que fica abaixo do custo de produção da maioria das propriedades que cultivam morango no Espírito Santo e no Brasil”.
Impacto nas cooperativas e na economia local
As cooperativas que comercializam morango congelado também estão sentindo o impacto da concorrência. Uma cooperativa em Santa Maria de Jetibá teve que reduzir o valor pago aos agricultores para permanecer competitiva. O diretor comercial, Geovane Schulz, explicou que as características do morango egípcio atraem a indústria, dificultando ainda mais a situação dos produtores locais.
Historicamente, os agricultores recebiam cerca de R$ 7,50 por quilo, mas atualmente esse valor caiu para uma faixa entre R$ 2,50 e R$ 5. Essa queda nos preços tem desestimulado novos plantios e gerado um clima de desânimo entre os produtores.
Alternativas para os agricultores
Pesquisadores do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) sugerem que os agricultores diversifiquem suas lavouras para mitigar os riscos econômicos. No entanto, essa transição é complexa e requer tempo, o que pode ser um desafio significativo para aqueles que dependem exclusivamente do cultivo de morango.
Andrea Costa, uma pesquisadora do Incaper, enfatizou que “aprender a trabalhar com outra cultura leva tempo, assim como implantar uma nova lavoura”. Para muitos produtores, essa mudança pode significar sérios problemas financeiros.
Possíveis desdobramentos futuros
A situação atual pode ser afetada por diversos fatores, incluindo questões políticas e econômicas, como a instabilidade no Oriente Médio, que pode impactar as importações de morangos. Esse cenário poderia, potencialmente, beneficiar os agricultores do Espírito Santo, permitindo que eles recuperem parte de sua competitividade no mercado.
Enquanto isso, a luta dos produtores locais continua, e a necessidade de um equilíbrio entre os custos de produção e os preços de importação se torna cada vez mais urgente. O futuro do cultivo de morango na Região Serrana do Espírito Santo depende de ações efetivas que garantam a sustentabilidade e a viabilidade econômica para os agricultores.
Morango importado do Egito representa um desafio significativo para os agricultores locais, que precisam encontrar maneiras de se adaptar a essa nova realidade e garantir a continuidade de suas atividades no mercado.



