A perda de visão após cirurgia é uma realidade preocupante para muitos pacientes que buscam tratamento. Recentemente, em Salvador, um grupo de pessoas passou por procedimentos cirúrgicos na Clínica Clivan e, um mês depois, enfrentam graves sequelas que alteraram suas vidas.
Perda de visão cirurgia em Salvador
Na Clínica Clivan, situada na Avenida Garibaldi, um total de 140 cirurgias de catarata foram realizadas em 26 de fevereiro. Infelizmente, 26 pacientes que operaram em uma das salas cirúrgicas desenvolveram infecções oculares severas. Entre eles, Marli Bispo, uma cuidadora, perdeu a visão de um dos olhos e compartilhou sua experiência angustiante.
Em uma entrevista, Marli expressou como essa situação afetou sua vida cotidiana. “A gente chega para se cuidar e sai cega da clínica. Trabalho, sou cuidadora, tive que parar de trabalhar, tive que parar de estudar. Tenho um filho pequeno. Estou vivendo de a família me ajudando financeiramente e os amigos. Eu não consigo dormir, durmo uma noite, a outra não. É horrível, muito horrível”, afirmou.
Impactos na rotina dos pacientes
Além de Marli, outros pacientes relatam dores persistentes e uma nova dependência em relação aos familiares para realizar tarefas simples do dia a dia. Edileuza Santana, que passou por uma cirurgia para remoção de um olho infeccionado, enfrenta um processo de recuperação difícil. Ela agora depende de cuidados constantes, algo que não era necessário antes da cirurgia.
A filha de Edileuza, Ana Cláudia Rios, teve que reorganizar sua vida para lidar com essa nova realidade. Ela cuida não apenas da mãe, mas também do pai, que já não enxerga devido ao glaucoma, e de sua filha pequena. “Meu pai não enxerga dos dois olhos, então assim, ela era o suporte para ele. Então hoje, além de minha mãe que eu tenho que cuidar, tem meu pai que não enxerga, tenho uma filha de 6 anos e eu estava sem trabalhar”, contou Ana Cláudia.
Investigação em andamento
A Clínica Clivan permanece fechada enquanto as investigações sobre as denúncias de lesão corporal culposa estão em andamento. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou que 13 pacientes perderam a visão de um dos olhos após as cirurgias. A Polícia Civil está realizando oitivas e diligências para esclarecer todos os detalhes do caso. Laudos periciais são aguardados para auxiliar na investigação.
Todos os 26 pacientes que foram operados na mesma sala estão sendo acompanhados em instituições de saúde, como o Hospital Geral do Estado (HGE) e o Hospital Santa Luzia. Até o momento, nenhum deles tem previsão de alta médica.
Reabilitação e suporte psicológico
A próxima fase do tratamento desses pacientes inclui encaminhamentos para reabilitação, que contará com uma equipe multiprofissional, incluindo psicólogos, no Instituto dos Cegos da Bahia, em Salvador. Isso é crucial, pois muitos estão lidando não apenas com as sequelas físicas, mas também com o impacto emocional da perda de visão.
Posicionamento da clínica e do oftalmologista
O oftalmologista responsável pelas cirurgias, que preferiu não ser identificado, afirmou que atua na área desde 2013 e nunca enfrentou uma situação semelhante. Ele aguarda os resultados da investigação sanitária, que poderá identificar se houve contaminação em insumos ou instrumentos cirúrgicos utilizados durante os procedimentos.
A Clínica Clivan, por sua vez, emitiu uma nota destacando que todos os protocolos de segurança e biossegurança foram seguidos rigorosamente. A clínica realiza mais de 8 mil cirurgias anualmente e reafirma seu compromisso com a saúde dos pacientes.
Para mais informações sobre saúde ocular, você pode acessar este link da OMS. Além disso, para atualizações sobre o caso, acompanhe Em Foco Hoje.



