Especialista na chuva, Verstappen relembra aulas aos 4 anos: “Quase atropelava meu pai”
Com a possibilidade de chuva no GP da Bélgica deste domingo, o piloto da Red Bull, Max Verstappen, compartilha como aprendeu a dirigir em condições molhadas. Lando Norris, por sua vez, admite que não gostava da chuva no início.
Ir bem na chuva é talento natural?
A expectativa de chuva sempre está presente no GP da Bélgica, que acontecerá no circuito de Spa-Francorchamps. Considerado um dos grandes especialistas em pistas molhadas, Max Verstappen revela que sua habilidade para pilotar em condições adversas começou na infância, durante suas corridas de kart. Ao ser questionado sobre sua primeira experiência na chuva, Verstappen recordou como aprendeu a pilotar ao lado de seu pai, Jos Verstappen, que competia na F1 na época.
– Na Bélgica e na Holanda chove bastante. Provavelmente, uma das minhas primeiras corridas foi em uma pista molhada. Além disso, quando eu competia na categoria mini, não havia pneus para chuva, então corríamos com pneus lisos mesmo com chuva. Isso era desafiador, mas ótimo para desenvolver controle em pista molhada. Eu já praticava isso desde os quatro anos e meio com meu pai. Pilotávamos muito na pista molhada. Ele me mostrava as melhores linhas. Ele ficava parado em um ponto da pista, onde eu quase o atropelava, e tinha que se afastar rapidamente porque eu entrava na curva um pouco rápido demais (risos).
A importância das aulas no molhado
Apesar dos sustos ocasionais com seu pai, Max Verstappen acredita que essas lições em pista molhada foram essenciais para aprimorar a técnica que hoje lhe garante bons resultados na chuva na F1.
– É assim que se aprende. É preciso sair da pista. É necessário entender onde há aderência e onde não há. É um processo contínuo ao longo dos anos. Você aprende constantemente algo novo e, especialmente nessa fase da vida, dá passos significativos. Agora, talvez não tanto, mas entre cinco e 12 anos, até os 14, você realmente evolui bastante na pista molhada e aprende a lidar com todas essas situações.
A experiência de Lando Norris
O relato de Max Verstappen se alinha ao do piloto reconhecido como um dos melhores em corridas na chuva na F1, Ayrton Senna. Após uma estreia decepcionante em condições molhadas, o brasileiro se dedicava a treinar sempre que chovia em São Paulo com seu kart até dominar a técnica de encontrar aderência em situações difíceis. O atual campeão mundial de F1, Lando Norris, também possui um bom histórico em pista molhada, mas confessou ao ge.globo que não teve uma boa experiência em sua primeira corrida na chuva.
– Eu odiei isso. Tenho uma lembrança bem clara porque foi um dos piores dias da minha vida. Acho que foi em 2008, talvez 2009. Lembro que estava muito frio. Eu também era bem magro naquela época. Tinha tipo 0% de gordura corporal, mas também 0% de músculos. Não era uma combinação legal. Eu não estava preparado para correr naquela época. Sentia frio rapidamente.
– Lembro que a final foi molhada. Acho que nem cheguei à final principal. Eu era muito lento quando comecei a pilotar no meu primeiro ano. Foi simplesmente uma das piores experiências da minha vida. Eu só estava correndo. Não curti nada. Não queria mais pilotar.
A evolução de Norris na chuva
Com o passar dos anos, no entanto, Norris começou a mudar sua perspectiva sobre corridas em pista molhada, incluindo a conquista de um campeonato mundial de kart nessas condições.
– A única corrida em que eu diria que me senti confiante na chuva foi minha última corrida no kart. Foi em 2014, no campeonato mundial. Acho que a segunda final, ou algo assim, foi molhada. Provavelmente a maior corrida da minha carreira. Ganhei o campeonato e a final logo depois disso. Encerrei minha carreira no kart com um pouco mais de confiança na chuva – disse, acrescentando: – Sempre fiz o meu trabalho quando estou na chuva. Provavelmente é minha melhor estatística no que diz respeito ao meu desempenho no molhado. Mas agora eu gosto disso. É definitivamente um desafio maior. Ainda há momentos que não curto. Quando você não consegue enxergar os 5 a 10 metros à sua frente. Isso não é algo que eu goste nem um pouco. Mas faz parte do desafio.
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