PM morta com tiro na cabeça é um caso que tem gerado grande repercussão e levantado muitas questões sobre as circunstâncias da morte da policial militar Gisele Alves Santana. O ex-marido dela prestou depoimento à Polícia Civil, afirmando que Gisele nunca demonstrou intenção de se suicidar.
O ex-marido, que não teve seu nome revelado por questões de segurança, compareceu à delegacia em São Paulo para relatar sua versão dos fatos. Ele estava acompanhado pelo advogado José Miguel da Silva Júnior, que representa a família da soldado. Durante o depoimento, o ex-marido destacou que a relação entre ele e Gisele era boa, mas que se afastaram devido ao ciúmes do atual companheiro dela, o tenente-coronel da PM, Geraldo Leite Rosa Neto.
PM morta com tiro na cabeça e depoimentos contraditórios
Gisele foi encontrada sem vida em 18 de fevereiro no apartamento que compartilhava com o tenente-coronel, que alegou que a esposa cometeu suicídio após uma discussão. Segundo ele, após pedir a separação, foi tomar banho e, nesse intervalo, Gisele teria disparado contra a própria cabeça. A versão apresentada pelo coronel, no entanto, não convenceu a família da soldado, que contesta a hipótese de suicídio.
O advogado da família afirmou que o ex-marido de Gisele irá sustentar que ela nunca demonstrou sinais de depressão ou intenção de se matar durante o tempo em que estiveram juntos. Além disso, o ex-marido expressou preocupação com a segurança dele e da filha que teve com Gisele, que agora deverá ficar sob sua guarda.
Investigação em andamento
A investigação sobre a morte de Gisele foi reclassificada como morte suspeita. A Polícia Civil está analisando diversas evidências que levantam dúvidas sobre a versão do tenente-coronel. Laudos periciais indicaram marcas de arranhões e lesões no rosto da policial, além de sinais de disparo à queima-roupa, o que é incomum em casos de suicídio.
Os peritos também notaram que a arma estava na mão de Gisele, algo que normalmente não acontece em suicídios. Outro ponto que levantou suspeitas foi o fato de que o coronel estava seco quando as autoridades chegaram ao local, apesar de alegar que havia tomado banho após o ocorrido.
Possibilidade de feminicídio
A família de Gisele acredita que ela pode ter sido vítima de feminicídio. O advogado José Miguel da Silva Júnior afirmou que existem indícios de que a soldado estava em uma relação tóxica e que há testemunhas que têm medo do tenente-coronel. A Justiça já determinou a redistribuição do caso para a Vara do Júri, considerando as evidências de crime doloso, que inclui a possibilidade de feminicídio.
Além disso, um inquérito policial militar foi instaurado para investigar denúncias anônimas sobre a relação do casal, que era marcada por ameaças e instabilidade emocional. A investigação continua em andamento, e novos laudos estão sendo aguardados para esclarecer ainda mais as circunstâncias da morte de Gisele.
Laudos periciais e novas evidências
Os laudos já concluídos indicam que a causa da morte foi traumatismo decorrente de um disparo encostado do lado direito da cabeça. Também foram identificadas lesões que podem ser compatíveis com agressões. A análise da trajetória do tiro revelou que ele foi disparado de baixo para cima, o que também gera questionamentos sobre a versão do suicídio.
Marcas de sangue foram encontradas no banheiro, o que é estranho, considerando que Gisele foi encontrada em outro cômodo. A Polícia Técnico-Científica está trabalhando na análise de laudos residuográficos e toxicológicos para determinar se havia substâncias no organismo da soldado.
Expectativas e desdobramentos
A expectativa é que a investigação avance rapidamente, pois a família e a defesa de Gisele acreditam que já há elementos suficientes para solicitar a prisão preventiva do tenente-coronel. O advogado José Miguel expressou insatisfação com a lentidão do processo e ressaltou a necessidade de uma resposta mais ágil das autoridades.
O caso da PM morta com tiro na cabeça continua a gerar debates sobre a violência contra a mulher e a importância de investigações rigorosas em casos que envolvem suspeitas de feminicídio. A sociedade aguarda por respostas e justiça para Gisele Alves Santana, cuja morte ainda levanta muitas interrogações.



