Priscila Albuquerque, uma profissional de tecnologia, decidiu mudar completamente sua vida após enfrentar um burnout. A paulistana de 42 anos, que passou duas décadas trabalhando na área de tecnologia da informação, tomou a corajosa decisão de deixar seu emprego e se dedicar a viajar pelo Brasil e dançar forró, uma de suas grandes paixões.
A crise de burnout que Priscila enfrentou foi um divisor de águas em sua vida. Após uma mudança de gestão em sua empresa, ela sentiu os efeitos do estresse crônico e decidiu que era hora de buscar um novo caminho. “Eu já tinha esse plano de conhecer o Brasil, conhecer o mundo, viajar, mas o trabalho sempre deixa a gente um pouco preso. Tive um burnout no trabalho e foi quando resolvi vender meu apartamento e ir atrás desse sonho”, relata.
Priscila Albuquerque e a decisão de viajar
Desde junho do ano passado, Priscila tem se aventurado por diversas regiões do Brasil. Ela largou um emprego estável e decidiu dedicar pelo menos dois anos a fazer o que realmente ama: viajar, fazer trilhas e dançar forró. O burnout a levou a buscar uma vida mais plena e conectada com suas verdadeiras paixões.
O aumento do burnout no Brasil tem sido alarmante. Em 2024, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) concedeu um número recorde de benefícios a trabalhadores diagnosticados com a síndrome, evidenciando a necessidade de atenção à saúde mental. Priscila, ao passar por essa experiência, buscou ajuda profissional e optou por um afastamento do trabalho, aproveitando a possibilidade de se ausentar por dois anos sem remuneração.
Preparativos para a nova jornada
A decisão de Priscila não foi impulsiva. Ela se organizou financeiramente antes de embarcar nessa nova fase. “Vendi meu apartamento e todos os meus móveis. Levei o que consegui guardar para a casa da minha mãe e então comecei a viajar”, explica. Essa preparação foi fundamental para que ela pudesse aproveitar ao máximo sua jornada sem se preocupar excessivamente com questões financeiras.
Com raízes nordestinas, o forró sempre fez parte da vida de Priscila. “Minha mãe é pernambucana e sempre foi apaixonada por forró, então, desde pequena, eu danço forró”, conta. Para ela, retornar a essa dança em um momento difícil foi uma forma de encontrar conforto e acolhimento. O ambiente do forró é descrito por ela como acolhedor, onde é fácil fazer novas amizades, mesmo quando se está sozinho.
Desafios e adaptações nas viagens
Inicialmente, Priscila começou suas viagens utilizando um carro alugado. No entanto, logo percebeu que essa opção era financeiramente inviável. Após três meses, ela ajustou seus planos e passou a viajar de ônibus, o que tornou a experiência mais acessível. “Viajar sozinha, como mulher, exige algumas estratégias. Por exemplo, evito chegar em uma cidade nova à noite”, afirma.
Ela também se preocupa com a segurança ao escolher seu meio de transporte. “Como mulher, você sempre tem que estar atenta a como vai viajar. Se está pegando um ônibus ou um serviço de carona, como o BlaBlaCar ou um Uber, isso demanda atenção, especialmente em grandes cidades”, explica Priscila.
Vivendo a vida plena e o forró
Desde que iniciou sua jornada, Priscila já visitou diversas cidades, incluindo locais como Bahia, Rio de Janeiro e Pernambuco, sempre acompanhando o calendário dos festivais de forró. “O forró no Brasil tem um calendário de festivais muito extenso, tanto no Sudeste quanto em outros Estados. Então fui me organizando em relação às datas e lugares”, comenta.
Ela já participou de vários festivais, como o Nata Forrozeira e o Malagueta, e visitou lugares icônicos para os amantes do forró, como Itaúnas e Ilhabela. Para Priscila, viajar é um antídoto para a vida corrida que levava antes. “A viagem é um momento de retorno a si mesma, onde você se observa de outra maneira”, reflete.
Reflexões sobre o futuro
Com a experiência adquirida em suas viagens, Priscila agora pondera se retornará ao setor de TI ou se buscará algo que esteja mais alinhado com seu novo estilo de vida. Para aqueles que sonham em dar uma pausa no trabalho e correr atrás de seus próprios sonhos, ela enfatiza a importância do planejamento. “É fundamental se organizar antes de tomar uma decisão tão grande. Viver o momento presente é essencial”, conclui.
Para saber mais sobre saúde mental e burnout, você pode acessar informações da Organização Mundial da Saúde. Além disso, para dicas sobre como lidar com a vida corrida, confira Em Foco Hoje.



