Tarcísio propõe reajuste salarial de 10% para polícia em São Paulo

O governador Tarcísio de Freitas apresentou um projeto de reajuste salarial de 10% para a polícia em São Paulo, após pressão da categoria.

O reajuste salarial da polícia é um tema que vem ganhando destaque nas discussões políticas em São Paulo. O governador Tarcísio de Freitas, do partido Republicanos, anunciou recentemente a apresentação de dois projetos de lei à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). Essas propostas visam um aumento de 10% nos salários das polícias Militar e Civil, a ser implementado em 2026, além de alterações no plano de carreira da Polícia Civil.

Essas iniciativas foram motivadas por pressão de representantes da categoria, que expressaram insatisfação com a falta de diálogo e transparência por parte do governo. A urgência da situação é ainda mais acentuada pelo prazo limitado para a aprovação das leis, devido às regras eleitorais que proíbem a concessão de benefícios a servidores públicos nos 180 dias que antecedem as eleições.

Reajuste salarial polícia e impacto financeiro

Os projetos enviados à Alesp fazem parte da chamada lei orgânica da polícia, que visa organizar a estrutura funcional da instituição, incluindo carreiras, funções, critérios de ingresso, regras de promoção e atribuições de cada cargo. De acordo com os estudos realizados pela Coordenadoria de Planejamento, Orçamento e Finanças, o impacto financeiro do reajuste salarial é estimado em cerca de R$ 1,02 bilhão, podendo ultrapassar R$ 1,75 bilhão nos dois anos subsequentes.

Se aprovado, o aumento salarial beneficiará aproximadamente 198 mil servidores, incluindo tanto os ativos quanto os inativos. A administração estadual garante que essa medida não comprometerá a saúde fiscal do Estado.

Mudanças no plano de carreira da polícia

Além do reajuste, o projeto também propõe uma reestruturação na carreira da Polícia Civil, que inclui novas diretrizes para progressão, avaliação de desempenho e ocupação de cargos de liderança. Para ascender de classe, os policiais deverão atender a critérios como um mínimo de seis anos de serviço, avaliações satisfatórias, conclusão de cursos de aperfeiçoamento e a ausência de punições recentes.

A discussão sobre a atualização da lei orgânica da Polícia Civil de São Paulo se intensificou nos últimos anos, especialmente após a promulgação de uma lei nacional que estabelece diretrizes para as corporações em todo o Brasil. A legislação vigente no estado é considerada ultrapassada, datando da década de 1970, o que motivou a criação de um grupo de trabalho pelo governo para desenvolver uma proposta de modernização.

Pressão da categoria e mobilizações

O presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (ADPESP), André Santos Pereira, ressaltou que o tempo para a implementação das mudanças é restrito, devido às normas eleitorais. Durante os anos eleitorais, projetos que oferecem benefícios aos servidores não podem ter efeitos nos 180 dias que antecedem as eleições, o que gera uma pressão adicional para que as propostas sejam discutidas e votadas rapidamente.

As propostas discutidas incluem a manutenção do modelo de remuneração atual, a criação de critérios objetivos para promoções, uma carga horária de 40 horas semanais e benefícios de saúde para servidores ativos e aposentados. No entanto, questões relacionadas à previdência ainda enfrentam resistência dentro do governo.

A insatisfação entre os policiais civis levou a uma série de mobilizações, onde delegados e policiais, tanto ativos quanto aposentados, se uniram para elaborar uma carta aberta ao Conselho da Polícia Civil. O documento, que já conta com mais de 800 assinaturas, exige uma maior atenção a temas como valorização profissional, recomposição salarial e autonomia da instituição.

Desafios e perspectivas futuras

Apesar dos avanços nas discussões, existem divergências dentro da própria categoria. Parte dos delegados de classe especial expressou críticas ao novo plano de carreira, que é defendido por entidades do Fórum Resiste-PCSP. A falta de transparência nas reuniões, como a recente na Delegacia Geral, onde a minuta do projeto não foi apresentada, gera descontentamento entre os policiais.

Os representantes da categoria afirmam que continuarão lutando por seus direitos e pela valorização da Polícia Civil. A mobilização da categoria é um reflexo da necessidade de mudanças significativas nas condições de trabalho e reconhecimento profissional dos servidores. Para mais informações sobre a situação da polícia em São Paulo, acesse Em Foco Hoje e para detalhes sobre legislação policial, consulte o site do governo federal.

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Em Foco Hoje Redação
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