A reforma agrária em João Pessoa está em pauta, com o Ministério Público Federal (MPF) movendo uma ação civil pública para assegurar os direitos de 53 famílias que habitam a comunidade Ponta de Gramame. Essas famílias estão estabelecidas na região há mais de 27 anos e reivindicam a regularização da terra que ocupam.
MPF e a Ação Judicial
No dia 27, o MPF protocolou a ação na Justiça Federal da Paraíba, visando a implementação de reformas agrárias em uma área que é objeto de disputa. O processo é direcionado contra o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a União e a empresa que detém a propriedade do terreno.
O MPF solicita que sejam tomadas providências para a desapropriação da área, incluindo a necessidade de um novo decreto presidencial a ser editado em até 90 dias. Além disso, a conclusão de estudos técnicos pelo Incra deve ocorrer em um prazo de 180 dias, com alocação de recursos para indenização e estruturação do assentamento.
Consequências da Inércia Administrativa
Apesar de um decreto de 2008 que reconheceu a área como de interesse para reforma agrária, o MPF aponta que o processo não foi finalizado, evidenciando uma falta de ação administrativa que perdura por quase três décadas. A situação atual gera uma insegurança jurídica para as famílias, que podem ser removidas a qualquer momento, afetando diretamente suas atividades agrícolas e a segurança alimentar local.
A Comunidade Ponta de Gramame
A comunidade Ponta de Gramame foi criada em fevereiro de 1999, quando cerca de 60 famílias ocuparam uma área abandonada. Hoje, aproximadamente 205 pessoas residem no local, onde cultivam alimentos que são comercializados em feiras e programas públicos.
Nos últimos anos, a comunidade enfrentou diversos episódios de violência relacionados a conflitos fundiários, incluindo despejos e destruição de lavouras. Um levantamento recente revela que a maioria das famílias já sofreu com essas situações de violência.
A Produção Agrícola e seu Impacto
Atualmente, a produção agrícola da comunidade é significativa, alcançando cerca de oito toneladas de alimentos por semana. Essa produção é vital para o abastecimento de diversos bairros de João Pessoa, além de contribuir para programas como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).
Sem a regularização fundiária, as famílias permanecem em uma situação vulnerável, o que pode comprometer tanto a produção agrícola quanto a segurança alimentar na região.
Próximos Passos na Ação Judicial
A ação do MPF será analisada pela Justiça Federal, que também considerará um pedido de audiência de conciliação. A Defensoria Pública da União participará do processo, buscando garantir os direitos das famílias envolvidas.
Para mais informações sobre a reforma agrária e suas implicações, você pode acessar o site do Incra. Para acompanhar mais notícias sobre o tema, visite Em Foco Hoje.



