Rússia tenta bloquear Starlink de Musk para conter drones ucranianos

A Rússia busca neutralizar os drones ucranianos utilizando a tecnologia Starlink, que tem impactado a logística russa. A guerra está mudando com essa interferência.

Rússia tenta bloquear Starlink de Musk para conter drones ucranianos

Com a ajuda da internet da Starlink, drones ucranianos têm causado estragos nas rotas de abastecimento da Rússia. Moscou aposta em sistemas de interferência para reverter a vantagem de Kiev.

Forças da companhia Sparta, pertencente às Forças Armadas da Ucrânia, estão preparando um drone de ataque de médio alcance Zozulia. A Rússia está se esforçando para neutralizar os ataques de drones ucranianos de “alcance intermediário” camuflando suas cargas e instalando sistemas avançados de guerra eletrônica contra a Starlink, a tecnologia de internet via satélite de Elon Musk, conforme relatado por uma reportagem da agência de notícias Reuters.

Esses drones, que frequentemente operam através da Starlink e são capazes de atingir alvos a dezenas de quilômetros além das linhas de frente de maneira precisa e econômica, transformaram a guerra na Ucrânia com ataques que variam entre 25 e 200 quilômetros. Isso possibilitou à Ucrânia causar danos significativos à logística das tropas russas dentro do território ucraniano. Um reflexo disso é a Crimeia, península ucraniana anexada pela Rússia, que agora enfrenta uma crônica falta de combustível após uma campanha coordenada das forças de Kiev contra as linhas de abastecimento, depósitos de combustível, instalações de defesa aérea e centros de comando.

Os ataques têm se concentrado nas rodovias que conectam Mariupol, Berdyansk, Melitopol e a Crimeia — as principais artérias que abastecem as forças russas que atuam no sul e leste da Ucrânia.

Comandantes ucranianos afirmam que sua ofensiva contínua forçou a Rússia a utilizar rotas de reabastecimento mais lentas e menos eficientes. Os drones teriam tornado alguns trechos do corredor terrestre que liga a Rússia à Crimeia perigosos demais, reduzindo a velocidade do transporte de combustível, munição e reforços.

A resposta da Rússia foi a implementação do sistema de interferência Volna Kupol Garant, que emite um sinal suficientemente forte para desestabilizar a conexão da Starlink em uma área de aproximadamente 20 km², relatou à Reuters Serhii Beskrestnov, conselheiro do Ministério da Defesa da Ucrânia. Este desenvolvimento é significativo no conflito, uma vez que a Starlink era, até então, considerada em grande parte imune a interferências.

A virada a favor da Ucrânia na guerra ocorreu no início deste ano, quando a SpaceX cortou o acesso não autorizado das forças russas à Starlink, o que prejudicou as operações de drones e as comunicações da Rússia. Isso proporcionou uma vantagem à Ucrânia, permitindo que drones aprimorados evitassem detecções, resistissem a interferências e realizassem ataques com maior precisão, enquanto a Rússia tentava se adaptar. “O bloqueio do Starlink para as forças russas foi um dos desenvolvimentos mais significativos no campo de batalha neste ano”, afirmou Rob Lee, pesquisador sênior do Programa Eurásia do Foreign Policy Research Institute, à agência de notícias Associated Press. O sucesso das operações ucranianas de médio alcance é resultado dessa mudança. “O que mudou é que agora oito em cada 10 missões são bem-sucedidas”, disse Pharaon. Há apenas alguns meses, a taxa de sucesso era inversa, segundo ele.

As forças russas foram surpreendidas quando a campanha ucraniana se intensificou há três meses. No entanto, começaram a mobilizar unidades móveis antiaéreas e a adotar outras táticas para interceptar os drones, relataram comandantes e pilotos de drones ucranianos. Uma das táticas envolve o uso de dispositivos eletrônicos sofisticados de interferência para bloquear as conexões utilizadas para pilotar os drones, alguns dos quais conseguem interromper os sistemas Starlink – o Ministério da Defesa da Ucrânia afirma ter detectado dez deles. Alguns desses dispositivos de interferência foram instalados pela Rússia nas proximidades de cidades e instalações militares, conforme afirmaram os militares ucranianos. Equipamentos desse tipo são alvos preferenciais dos soldados ucranianos por razões óbvias. Um vídeo de um ataque ucraniano a um desses sistemas mostra uma grande explosão após um drone atingir um local com seis caixas grandes do tamanho de trailers. “Assim que atingimos essa instalação, nossos drones equipados com Starlink voaram sem problemas”, relatou um comandante do 422º Regimento de Sistemas Não Tripulados da Ucrânia em operação na região sul de Zaporíjia.

Outras táticas que a Rússia tem utilizado para manter as linhas de frente abastecidas incluem esconder combustível e outros suprimentos militares em veículos civis, como caminhões que deveriam estar transportando água ou leite. A operação logística também envolveria pequenos carros civis, quadriciclos e motocicletas. Além disso, as tropas russas estariam utilizando abrigos camuflados, prédios abandonados e estruturas agrícolas para ocultar suprimentos, além de postos de gasolina civis para armazenar combustível militar. Também teriam começado a escoltar comboios de caminhões de combustível com picapes armadas com metralhadoras e a utilizar estradas secundárias.

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Em Foco Hoje Redação
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