A tirolesa no Pão de Açúcar tem gerado polêmica e preocupações entre ambientalistas e a comunidade. Recentemente, a Justiça Federal do Rio de Janeiro tomou uma decisão significativa, proibindo a construção deste projeto e determinando uma indenização de R$ 30 milhões por danos morais coletivos.
Tirolesa Pão de Açúcar: A Decisão Judicial
A decisão da 20ª Vara Federal anulou as licenças concedidas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O juiz Paulo André Espírito Santo Manfredini destacou a falta de um debate público adequado e a insuficiência das motivações que respaldaram a autorização do projeto.
A sentença impede qualquer progresso na instalação da tirolesa, que tinha como objetivo conectar o Pão de Açúcar ao Morro da Urca. A obra, que despertou críticas de ambientalistas, levantou preocupações sobre os impactos ambientais e a integridade do patrimônio natural da região.
Impactos e Reações ao Projeto
O juiz também ordenou que a Companhia Caminho Aéreo Pão de Açúcar, responsável pela gestão do parque, apresente um plano de recuperação da área afetada em até 60 dias. Este plano deve incluir a remoção de estruturas e resíduos deixados pela obra. Além disso, a empresa terá 120 dias para elaborar um Plano Diretor de Gestão da área, com restrições a qualquer ampliação ou alteração que não esteja em conformidade com as normas de proteção do local.
A indenização de R$ 30 milhões será direcionada ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos, ressaltando a importância simbólica e ambiental do Pão de Açúcar, classificado como patrimônio de relevância mundial.
Histórico da Polêmica
O Pão de Açúcar é tombado pelo Iphan desde 1973 e recebeu reconhecimento como Patrimônio Mundial pela UNESCO em 2012. Este status impõe regras rigorosas para qualquer intervenção na área. A proposta de instalação da tirolesa foi apresentada em 2022, como parte das festividades pelos 110 anos do bondinho. O projeto previa quatro linhas de descida com aproximadamente 755 metros de extensão.
Contudo, em 2023, surgiram questionamentos sobre os potenciais danos ambientais e as perfurações na rocha. A Prefeitura do Rio chegou a interromper parte das obras para uma análise técnica. A Justiça Federal, atendendo a um pedido do Ministério Público Federal, embargou a construção, alertando para os riscos envolvidos.
Reação da UNESCO e Especialistas
A repercussão do caso alcançou a UNESCO, que solicitou informações ao governo brasileiro e expressou preocupações sobre a possibilidade de perda do título de Patrimônio Mundial, caso as irregularidades fossem confirmadas. Especialistas e entidades ligadas ao patrimônio histórico levantaram preocupações sobre os danos à paisagem e às rotas tradicionais de escalada na região.
Desdobramentos Futuros
Em um desdobramento anterior, em junho de 2025, a Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça havia autorizado a continuidade das obras, considerando que a paralisação poderia trazer mais prejuízos do que a conclusão do projeto. Com base nessa decisão, a empresa anunciou a retomada das obras em 2026. No entanto, a recente sentença da Justiça Federal reverte esse cenário, barrando definitivamente a instalação da tirolesa, pelo menos até que uma nova decisão possa ser alcançada em instâncias superiores.
O futuro do projeto da tirolesa no Pão de Açúcar permanece incerto, com a comunidade e ambientalistas observando atentamente os próximos passos. A situação destaca a importância de um equilíbrio entre desenvolvimento turístico e a preservação do patrimônio natural.
Para mais informações sobre questões ambientais e patrimoniais, você pode acessar o site do ICOMOS. Além disso, fique por dentro de outras notícias acessando Em Foco Hoje.



