A situação do transporte público Rio Branco tem causado grandes transtornos aos moradores da capital acreana. Desde o início da paralisação parcial, os usuários enfrentam desafios significativos, especialmente em horários de pico. A insatisfação é evidente, com relatos de esperas que podem ultrapassar quatro horas.
Transporte público Rio Branco em crise
A redução na oferta de ônibus é resultado de reivindicações feitas pelos motoristas, que alegam atrasos salariais e a falta de direitos trabalhistas. A empresa responsável pelo serviço, Ricco Transportes, opera na cidade sob um contrato emergencial, o que tem gerado instabilidade no atendimento.
De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte de Passageiros e Cargas do Estado do Acre (Sinttpac), a diminuição da frota é de 30% durante os horários de pico, que vão das 6h às 9h, e chega a 50% nos períodos de menor movimento, entre 9h e 17h. À tarde, a redução volta a ser de 30% até as 19h.
Descontentamento dos passageiros
Os passageiros têm expressado sua frustração com a situação. A vendedora Cristiana Fonseca, por exemplo, relatou que o ônibus da linha São Francisco/Via Incra é um dos mais problemáticos, levando mais de quatro horas para chegar ao seu destino. “A gente espera, não tem o que fazer. Quem precisa voltar para casa cedo, se vê preso no terminal, aguardando um ônibus que vem a hora que quer”, desabafou.
Outro usuário, João Lima, que trabalha como padeiro, também comentou sobre as dificuldades enfrentadas. Ele mencionou que, muitas vezes, precisa caminhar longas distâncias para conseguir pegar outro ônibus, pois os que chegam ao terminal estão quebrados ou atrasados. “Era para eu ter pegado o ônibus, mas ele ainda não chegou. Ninguém sabe o que acontece”, lamentou.
Histórico de paralisações
Essa paralisação não é um evento isolado. Apenas um mês antes, houve outra interrupção no serviço, onde a Ricco Transportes também suspendeu a circulação dos ônibus, alegando problemas mecânicos e a falta de manutenção nas vias. Naquela ocasião, 31 linhas foram afetadas, e a situação foi normalizada apenas por volta das 9h do dia seguinte.
Essas interrupções frequentes refletem uma crise mais profunda no sistema de transporte público de Rio Branco. A Ricco está no comando do serviço desde 2022, após a saída da Empresa Auto Aviação Floresta, e depende de contratos emergenciais que são renovados a cada seis meses.
Impacto financeiro e subsídios
A Prefeitura de Rio Branco tem tentado mitigar os efeitos dessa crise, repassando subsídios à empresa de transporte. Atualmente, o valor pago é de R$ 3,63 por passageiro transportado, permitindo que a tarifa permaneça em R$ 3,50. Essa estratégia visa evitar um aumento no custo para os usuários, mas os recursos têm sido insuficientes para cobrir os salários atrasados dos funcionários.
Em 2021, mais de R$ 2,4 milhões foram destinados às empresas de ônibus, mas esses valores foram utilizados apenas para quitar parte dos salários de 2020. A situação financeira da Ricco Transportes é preocupante, com alegações de prejuízos significativos.
Possíveis desdobramentos
Com a continuidade das paralisações, a população de Rio Branco pode enfrentar um colapso ainda maior no transporte público. A falta de uma solução rápida pode levar a um aumento das reclamações e à insatisfação geral. É crucial que as autoridades e a empresa encontrem um caminho para resolver os problemas enfrentados pelos motoristas e usuários.
Para mais informações sobre o transporte público e suas implicações, acesse este link do governo. Além disso, você pode acompanhar atualizações sobre a situação em Em Foco Hoje.



