Os tripulantes de um navio africano enfrentaram uma situação crítica antes de serem resgatados. A embarcação, que estava à deriva no Oceano Atlântico, apresentava condições alarmantes, como a falta de água potável e um elevado nível de estresse psicológico entre a tripulação. A Polícia Federal confirmou essas informações, que revelam a gravidade da situação enfrentada pelos 11 tripulantes.
Tripulantes Navio Africano Resgatados
A embarcação, conhecida como NW AIDARA, estava à deriva há dois meses devido a uma falha no sistema hidráulico. A comunicação com o mundo exterior foi severamente comprometida, tornando-se impossível manter contato via satélite ou rádio de alta frequência. A única opção disponível para comunicação era através de rádio muito alta frequência (VHF), que limitava a troca de informações a navios próximos.
Durante o período em que o navio ficou à deriva, a tripulação enfrentou dificuldades extremas. A falta de água e a ausência de condições mínimas de higiene contribuíram para o aumento do estresse psicológico. A situação se agravou a ponto de a própria tripulação decidir pela substituição do comandante, que não estava mais em condições de liderar devido ao estado emocional debilitado.
Irregularidades Documentais do Navio
A Polícia Federal também revelou que a NW AIDARA apresenta indícios de irregularidades em sua documentação. As autoridades identificaram divergências entre a bandeira declarada e as informações contidas nos registros eletrônicos. O navio partiu do continente africano com destino a outro país da mesma região, onde seriam feitas atualizações documentais relacionadas ao novo armador.
Infelizmente, durante a travessia, a embarcação começou a apresentar falhas técnicas, resultando em sua deriva prolongada. O pedido de socorro foi realizado ainda em águas estrangeiras, mas não obteve resposta. Posteriormente, o navio acabou entrando em águas sob jurisdição brasileira, onde foi finalmente socorrido pela Marinha do Brasil.
Operações de Resgate e Socorro
A Marinha do Brasil recebeu a primeira notificação sobre o NW AIDARA no dia 25 de fevereiro. Naquela ocasião, a embarcação estava fora da área de jurisdição brasileira, sob responsabilidade de Dakar. O problema inicial foi causado pelo rompimento de uma mangueira hidráulica, resultando no vazamento de óleo e danos à engrenagem de acionamento do leme. Isso comprometeu o controle do navio, que se deslocou à deriva até entrar na área marítima sob a jurisdição brasileira.
Assim que o navio entrou na área de responsabilidade do Centro de Busca e Salvamento do Nordeste, o Serviço de Busca e Salvamento foi acionado. No dia 9 de março, o Navio-Patrulha Oceânico Araguari foi enviado para estabelecer comunicação e avaliar as condições da tripulação. Simultaneamente, o navio Corveta Caboclo partiu de Salvador com destino ao local do resgate.
- Navio-Patrulha Oceânico Araguari enviado para o resgate.
- Corveta Caboclo partiu de Salvador.
- Navio Rebocador de Alto-Mar Triunfo desatracou do porto de Natal.
Após várias operações, o Navio Rebocador de Alto-Mar Triunfo conseguiu resgatar a embarcação e a conduziu ao Porto de Fortaleza. O Comandante do 3º Distrito Naval, Vice-Almirante Jorge José de Moraes Rulff, destacou a importância das ações realizadas pela Marinha do Brasil, que garantiram a segurança da navegação e a preservação ambiental, além de assegurar a integridade física e psicológica dos tripulantes.
Até o presente momento, nenhum responsável legal pela embarcação se apresentou. A Polícia Federal está investigando a situação migratória dos tripulantes e tomando as medidas administrativas necessárias, em colaboração com a Marinha do Brasil e outras autoridades competentes. O respeito aos direitos humanos e à legislação vigente é prioridade em todo o processo.
Para mais informações sobre operações de resgate marítimo, você pode visitar Marinha do Brasil. Além disso, para notícias atualizadas, acesse Em Foco Hoje.



