A recente delação de Joneuma Silva Neres, ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, trouxe à tona a conexão de Uldurico Júnior com facções criminosas. A revelação é alarmante e destaca a complexidade das relações entre políticos e o crime organizado.
Uldurico Júnior Facções: Os Envolvidos na Delação
Na sua delação, Joneuma apontou que Uldurico Júnior, ex-deputado federal, manteve reuniões com líderes de facções dentro de presídios. Essas conversas foram descritas como normais, mas na verdade, revelam um esquema que facilitou a fuga de 16 detentos. A ex-diretora estava presa por mais de um ano antes de fazer o acordo com o Ministério Público da Bahia.
As informações sobre as reuniões foram detalhadas por Joneuma, que mencionou a participação de cinco pessoas. Dentre elas, dois estão sob investigação, enquanto os outros três apenas foram citados. Os nomes incluem:
- Alberto Cley Santos Lima (PSD) – candidato a vereador em Eunápolis.
- Matheus da Paixão Brandão – secretário parlamentar de Uldurico.
- Jonatas dos Santos (MDB) – vereador de Teixeira de Freitas.
- David Loyola – secretário de Desenvolvimento Econômico de Teixeira de Freitas.
- Clebson Porto – advogado.
O ex-deputado é acusado de receber R$ 2 milhões para facilitar a fuga, tendo recebido um adiantamento de R$ 200 mil, que foi entregue em caixas de sapato e transferências via PIX.
Reuniões Privadas com Detentos
As reuniões entre Uldurico e os detentos eram feitas em ambientes fechados, longe de olhares curiosos. Joneuma revelou que, além de Uldurico, outros líderes de facções também estavam presentes, como Ednaldo, conhecido como Dada, e Sirlon, o Saguin. A delação, assinada em fevereiro, expõe não apenas a participação de Uldurico, mas também as ameaças que Joneuma sofreu para manter o silêncio sobre o esquema.
O relacionamento entre Joneuma e Uldurico começou quando ela trabalhou na Unidade Prisional de Teixeira de Freitas, onde ele já tinha influência. Em março, após ser nomeada diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Uldurico a pressionou para facilitar o contato com Dada, que buscava recursos financeiros.
Dinheiro e Negociações
A operação que resultou na prisão de Uldurico foi chamada de “Duas Rosas”, uma referência à expressão que usavam para se referir ao pagamento do valor acordado pela fuga. Joneuma descreveu como o dinheiro foi negociado e entregue, com detalhes que envolvem encontros em hotéis e entregas em caixas de sapato.
Em uma das reuniões, um representante de Dada entregou R$ 200 mil a Joneuma, que posteriormente fez transferências para Uldurico e outros envolvidos. Joneuma também revelou que Uldurico solicitou mais adiantamentos, mas Dada se recusou, afirmando que o restante seria pago após a fuga.
Mudanças no Plano de Fuga
O plano inicial era para a fuga de Dada e Saguin, mas acabou envolvendo mais 14 detentos. A data da fuga foi antecipada devido a uma possível fiscalização no presídio. Uldurico questionou Joneuma sobre as mudanças após a repercussão da fuga em massa.
Implicações e Repercussões
A delação de Joneuma não apenas expõe a relação de Uldurico com o crime, mas também menciona o ex-ministro Geddel Vieira Lima, sugerindo que parte do dinheiro seria destinada a ele. Geddel negou qualquer envolvimento, expressando indignação com as alegações.
A Justiça aceitou a denúncia contra Uldurico e Dada, que permanece foragido. As investigações continuam, e a operação resultou em mandados de busca e apreensão em endereços ligados a outros envolvidos.
O cenário revela a necessidade de uma análise mais profunda sobre a relação entre política e crime organizado na Bahia. Para mais informações sobre o assunto, acesse Em Foco Hoje. Além disso, você pode consultar a página do governo para entender melhor as ações do Ministério Público.



