Undertone review apresenta o mais recente filme de terror da A24, uma produção que promete deixar os espectadores em estado de alerta. A obra, dirigida por Ian Tuason, é uma experiência intensa e perturbadora, especialmente quando assistida em um cinema com um bom sistema de som. Ao final da exibição, a sensação é de estar sob um feitiço, com a mente ainda processando os eventos que acabaram de ser vistos.
Undertone e sua narrativa envolvente
O filme segue Evy, interpretada por Nina Kiri, uma apresentadora de podcast sobre o paranormal que retorna à sua casa de infância para cuidar de sua mãe, que se encontra em estado comatoso. Essa volta ao lar traz à tona os fantasmas do passado, enquanto Evy tenta manter sua sanidade gravando o podcast que faz com seu amigo Justin, que é dublado por Adam DiMarco. Justin recebe gravações misteriosas de um casal que relata sons estranhos em sua casa, o que logo começa a afetar Evy de maneira inquietante.
O uso do som como ferramenta de terror
A A24 apostou fortemente na atmosfera sonora de Undertone em sua divulgação, e isso se mostra uma decisão acertada. Ian Tuason, com sua experiência em áudio, cria uma obra que se assemelha a um filme de terror de ‘áudio encontrado’, semelhante a clássicos como The Blair Witch Project. Os sons perturbadores que permeiam o filme, desde as gravações do podcast até os ruídos ambientes da casa isolada, contribuem para um clima de desconforto que permeia toda a narrativa.
A estética visual que intensifica a tensão
A parte visual do filme é igualmente impressionante, com composições que utilizam sombras e iluminação de maneira eficaz. As cenas em que Evy se aproxima do quarto de sua mãe são particularmente impactantes, transformando um simples corredor em um espaço de terror absoluto. O fato de Tuason ter filmado em sua própria casa de infância em Toronto adiciona uma camada de autenticidade à história, refletindo sua vivência pessoal ao cuidar de seus pais durante suas lutas contra o câncer.
Construindo tensão de maneira magistral
Undertone é um exemplo de como manter a tensão durante toda a projeção. A configuração de um único cenário e a presença quase solitária de Evy são tanto um risco quanto uma força do filme. A atmosfera sufocante é estabelecida rapidamente, utilizando o layout da casa e escolhas de iluminação para amplificar a sensação de desconforto. Com uma duração de apenas 84 minutos, o filme não perde tempo e rapidamente mergulha na narrativa.
Desenvolvimento de personagens e atuações
Nina Kiri, como Evy, entrega uma performance convincente, capturando a luta interna da personagem entre ceticismo e dor. Sua habilidade em transmitir emoções através de expressões faciais é fundamental para os momentos de tensão do filme. Já Michèle Duquet, que interpreta a mãe de Evy, traz uma profundidade inesperada ao seu papel, mesmo em um estado comatoso. Cada respiração dela se torna um ponto focal, à medida que o público espera por qualquer sinal de vida.
A conclusão de Undertone
Ao final, Undertone é uma experiência cinematográfica que vai além do simples susto. A combinação de som, imagem e atuações cria uma obra que ressoa emocionalmente, mesmo quando o roteiro apresenta algumas falhas. A recusa de Tuason em oferecer respostas fáceis sobre o que está acontecendo na casa contribui para a força do filme, deixando o público com mais perguntas do que certezas. Essa ambiguidade é o que torna Undertone uma obra memorável e impactante.
Assistir a Undertone é se permitir ser levado por uma montanha-russa de emoções, onde o terror psicológico se entrelaça com a dor da perda. A experiência é intensa e deixa uma marca duradoura, fazendo com que o público reflita sobre o que realmente significa enfrentar os demônios do passado.
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