Os universos de anime têm uma maneira única de lidar com a morte, muitas vezes apresentando reviravoltas que fazem com que a morte não seja um fim absoluto. Isso provoca uma conexão emocional intensa com os espectadores, que muitas vezes sentem a dor das perdas fictícias quase como se fossem reais. A indústria do anime é conhecida por suas mortes impactantes, mas também por suas inovações que desafiam a lógica da morte definitiva.
Um dos conceitos mais comuns que surgem nesse contexto é a reencarnação. Este elemento narrativo se tornou tão popular que está se consolidando como um gênero em expansão. Além disso, séries que exploram loops temporais, como Re:Zero, tratam a morte como um ponto de virada na narrativa, ao invés de um encerramento para os personagens.
Re:Zero e suas mortes como marcos em um loop de Isekai
Em Re:Zero – Starting Life in Another World, a morte não é o fim da jornada. Na verdade, é um mecanismo que impulsiona a trama. A série, baseada em um mangá que começou a ser publicado em 2012, ganhou destaque após sua adaptação para anime em 2016. O protagonista, Subaru Natsuki, experimenta a morte 11 vezes apenas na primeira temporada, estabelecendo um tom sombrio desde o início.
O que torna Re:Zero tão fascinante é a forma como Subaru utiliza suas mortes como uma espécie de ‘código de trapaça’ contra a própria morte. Com a continuação da série, a contagem de mortes de Subaru só aumenta, solidificando sua posição como uma das melhores opções de isekai sombrias disponíveis na plataforma Crunchyroll.
Neon Genesis Evangelion e a reinvenção da morte
O universo de Neon Genesis Evangelion começou a desafiar as regras da morte após a exibição da série original, que foi ao ar entre 1995 e 1996. Elementos como a clonagem de Rei Ayanami e a conexão de Yui com Eva-01 apenas distorcem as regras da existência. No entanto, os filmes da franquia, conhecidos como Rebuild of Evangelion, introduzem loops temporais, permitindo que o protagonista, Shinji Ikari, tenha novas oportunidades de vida após cada morte.
Embora poucos personagens consigam realizar seus sonhos dentro desse universo, as mortes de Shinji eventualmente abrem espaço para alguns finais felizes, mostrando que a morte pode ser apenas uma parte do ciclo.
Dragon Ball e a trivialização da morte
Em Dragon Ball, a morte é quase irrelevante, graças a artefatos mágicos que podem realizar quase qualquer desejo, incluindo a ressurreição. Ao reunir todas as Dragon Balls de um planeta, o invocador pode chamar um Dragão que concede desejos. Embora seja comum que personagens sejam trazidos de volta à vida, existem limitações. Mesmo com o poder dos Dragões mais poderosos, a ressurreição não é ilimitada.
Vários personagens icônicos, como Goku e Vegeta, já retornaram do além em algum momento da trama. A incessante busca por mais Dragon Balls se tornou um dos motores narrativos mais divertidos da série, influenciando muitos outros animes shonen a seguir essa fórmula.
Jujutsu Kaisen e a morte como uma escolha
No universo sombrio de Jujutsu Kaisen, a morte é frequentemente o início de algo terrível. Mesmo que um personagem não seja um feiticeiro, existem várias maneiras de evitar a morte completa. O vilão principal, Kenjaku, utiliza uma técnica de transferência de cérebro para manipular a morte e estender sua própria vida indefinidamente. Ele cria os Jogos de Culling para facilitar a reencarnação de outros feiticeiros poderosos, burlando a morte em uma escala ainda maior.
Além disso, um indivíduo pode se transformar em um Espírito Amaldiçoado após a morte, dependendo das circunstâncias, geralmente trágicas. Um exemplo disso é Rika, a companheira espiritual de Yuta Okkotsu.
One Piece e a dificuldade em deixar personagens morrer
A saga de Alabasta em One Piece exemplifica uma das falhas mais notáveis na escrita de Eiichiro Oda. Após um momento dramático em que um personagem querido parece sacrificar-se heroicamente, Oda simplesmente traz esse personagem de volta, como se nada tivesse acontecido. Essa abordagem gera debates entre os fãs sobre o impacto real das mortes dentro da narrativa.
Esses universos de anime, com suas abordagens únicas sobre a morte, não apenas desafiam as expectativas, mas também oferecem novas perspectivas sobre a vida e a morte. A forma como as histórias se desenrolam, muitas vezes, nos faz refletir sobre o valor da vida e as segundas chances que todos merecem.
Para mais informações sobre o impacto da morte em narrativas de ficção, você pode visitar Wikipedia. E não se esqueça de conferir mais conteúdos em Em Foco Hoje.



