Novo estudo reforça que não há ligação entre uso de paracetamol na gravidez e autismo em crianças
O uso de paracetamol na gestação voltou a ser debatido nos últimos anos após declarações do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que sugeriu uma possível conexão entre o medicamento e um aumento no risco de desenvolvimento do Transtorno do Espectro Autista (TEA) em crianças. Contudo, especialistas e autoridades de saúde refutaram essa associação. Agora, um novo e abrangente estudo confirma o que já era conhecido: não existem evidências de que o uso de paracetamol durante a gravidez eleve o risco de autismo ou do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) nas crianças.
A pesquisa, divulgada na revista científica JAMA Internal Medicine na última segunda-feira (29), é uma das mais extensas já realizadas sobre o tema. Os pesquisadores examinaram registros de saúde de Hong Kong entre 2001 e 2023. Não foram encontrados indícios de que o uso de paracetamol na gestação aumente o risco de autismo ou TDAH, mesmo ao considerar fatores genéticos e familiares que poderiam afetar os resultados.
Uso de paracetamol na gravidez não aumenta risco de autismo
A pesquisa avaliou 708.020 pares de mães e filhos, dos quais 43,3% haviam sido expostos ao paracetamol durante a gravidez. É importante mencionar que os pesquisadores compararam irmãos, o que possibilitou um controle mais eficaz sobre fatores familiares e genéticos que poderiam influenciar os resultados, dado que eles compartilham uma parte significativa da carga genética e do ambiente familiar. Em uma gestação, a mãe utilizou paracetamol; na outra, não. Os cientistas acompanharam 124.333 crianças para avaliar o risco de autismo e 97.285 para investigar o TDAH. O acompanhamento teve um período mínimo de dois anos para autismo e de cinco anos para TDAH.
Ao comparar irmãos, os pesquisadores não observaram um aumento no risco de autismo ou TDAH associado ao uso de paracetamol durante a gestação. O resultado se manteve mesmo ao considerar o trimestre da gravidez em que o medicamento foi utilizado, a dose acumulada e a frequência de uso, que foi classificada como esporádica, intermitente ou persistente. Segundo os autores, os resultados reforçam que as associações observadas em estudos anteriores provavelmente foram influenciadas por fatores familiares compartilhados, e não pelo uso do medicamento. É essencial ressaltar que os resultados não implicam que o paracetamol possa ser utilizado sem orientação médica. Os pesquisadores enfatizam que a recomendação é utilizar o medicamento apenas quando houver indicação clínica, na menor dose eficaz e pelo menor tempo possível.
O que diz o Ministério da Saúde?
O Ministério da Saúde reiterou que não há relação entre o uso de paracetamol e o TEA. Segundo a pasta, o medicamento é registrado no Brasil e sua segurança e eficácia são comprovadas. “Por se tratar de um transtorno complexo, com múltiplos graus e manifestações, o Transtorno do Espectro Autista frequentemente é alvo de desinformação”, afirma o Ministério em comunicado. A pasta também alerta as gestantes: “Sigam sempre as recomendações médicas individualizadas para o uso de qualquer medicamento durante a gravidez para proteger a saúde da mãe e do bebê. Confie em fontes oficiais e ajude a combater a desinformação.”
Posicionamento da Anvisa
A Anvisa, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, também emitiu uma nota destacando que, no Brasil, não há registros de notificações de suspeitas de eventos adversos que relacionem o uso de paracetamol durante a gravidez a casos de autismo. O medicamento registrado no Brasil é indicado para reduzir febre e aliviar dores leves a moderadas, como dor de cabeça, dor no corpo, dor de dente, dor nas costas, cólicas menstruais e dores associadas a resfriados. “De acordo com a Instrução Normativa nº 265/2023, o paracetamol é classificado como medicamento de baixo risco e integra a lista de produtos que não exigem receita médica. Essa classificação é resultado de um histórico de uso seguro e amplamente estabelecido ao longo de muitos anos de acompanhamento”, afirmou a entidade. Para mais notícias acesse… Confira também outros conteúdos em…



