A celebração do Ver-o-Peso em Belém, um dos ícones culturais da cidade, marca um momento especial para os feirantes e a comunidade local. Com 399 anos de história, o mercado é reconhecido como a maior feira livre da América Latina e um patrimônio tombado pelo Iphan.
Nesta sexta-feira, dia 27, os feirantes se reuniram para uma festividade simbólica, mesmo sem a programação oficial da prefeitura. O evento, organizado pelo Instituto Ver-o-Peso, incluiu um bolo de aniversário e a tradicional canção de parabéns no Mercado de Carnes, reunindo representantes de todos os setores do complexo.
Ver-o-Peso Belém e sua importância cultural
O Ver-o-Peso, carinhosamente conhecido como ‘Veropa’, é um espaço que vai além de um simples mercado. Com uma área de 25 mil metros quadrados, ele é um complexo arquitetônico e paisagístico que representa a essência da cultura paraense. O presidente do Instituto Ver-o-Peso, Manoel Rendeiro, ou ‘Didi’, enfatizou a importância da união entre os trabalhadores para manter viva a tradição do local.
O mercado foi oficialmente reconhecido como patrimônio histórico em 1977, mas a luta dos feirantes por reconhecimento das suas atividades como patrimônio cultural imaterial continua. Didi destacou que as práticas de venda de produtos regionais, como açaí, pescado e hortifrúti, são parte da identidade cultural da região e precisam ser valorizadas.
História do Ver-o-Peso
Inaugurado em 1625, o Ver-o-Peso começou como um posto de aferição de mercadorias e arrecadação de impostos. Com o passar dos séculos, ele se transformou no maior entreposto comercial da Amazônia, centralizando o fluxo de produtos da floresta para mercados locais e internacionais.
Durante o século XVIII, Belém se destacou como um ponto comercial vital, recebendo bens europeus e produtos locais. O Ver-o-Peso foi tombado como patrimônio pelo Iphan em 1977, reconhecendo seu valor histórico e cultural.
Desafios enfrentados pelos feirantes
Apesar do reconhecimento, os feirantes enfrentam desafios constantes. Neste ano, a principal reivindicação é o reconhecimento das atividades centenárias como patrimônio cultural imaterial. Didi planeja reuniões com o Iphan e o governo estadual para pressionar por essa valorização.
“Não adianta só a estrutura ser patrimônio sem os trabalhadores que fazem ele funcionar”, afirmou Didi, ressaltando a importância do papel dos feirantes na manutenção da cultura local.
O Ver-o-Peso como centro cultural
O Ver-o-Peso não é apenas um mercado, mas um polo de vida social e intercâmbio cultural. O espaço abriga diversas práticas tradicionais que fortalecem as relações entre os feirantes e a comunidade. As interações no mercado são fundamentais para a preservação da cultura paraense.
Além do comércio, o Ver-o-Peso é um local onde a cultura se manifesta em diversas formas, desde a culinária até as tradições locais. A feira é um reflexo da identidade paraense, reunindo sabores, histórias e uma rica diversidade cultural.
Futuro do Ver-o-Peso
Com a revitalização de 90% do complexo, o Ver-o-Peso continua a ser o coração cultural e econômico de Belém. O espaço se prepara para eventos importantes, como a COP30, que ocorrerá em breve na cidade, destacando ainda mais sua relevância.
O futuro do Ver-o-Peso depende da valorização contínua de suas tradições e da luta dos feirantes por reconhecimento. A preservação da memória e das práticas culturais é essencial para garantir que o mercado continue a ser um símbolo da identidade paraense.
Para mais informações sobre a cultura paraense, acesse Em Foco Hoje. E para saber mais sobre o patrimônio cultural no Brasil, visite o site do Iphan.



