Violência psicológica contra mulheres cresce 1300% no RJ

O aumento da violência psicológica contra mulheres no Rio de Janeiro é alarmante, com um crescimento de 1300% em 10 anos, segundo o Dossiê Mulher.

Violência psicológica contra mulheres cresce 1300% em 10 anos no RJ, e Dossiê Mulher analisa ‘discurso redpill’ pela 1ª vez

Os casos de violência psicológica direcionados às mulheres aumentaram 1300% em uma década no Rio de Janeiro, conforme dados do Instituto de Segurança Pública (ISP). Essa análise faz parte do Dossiê Mulher, divulgado nesta quarta-feira (1º). A nova edição apresenta informações de 2025 e, pela primeira vez, dedica um capítulo à investigação dessas narrativas nas redes sociais, destacando como elas podem facilitar a naturalização da violência de gênero, especialmente em relação ao movimento redpill.

“O discurso redpill é marcado pela promoção do ódio contra mulheres, utilizando falas misóginas que as reduzem a seres submissos aos homens, reforçando hierarquias de gênero que deveriam ter sido superadas. O essencial é que esse ‘movimento’ forma uma identidade de grupo com um repertório e gramática social específicos, empregando esse ódio como uma forma de existir no mundo”, esclarece a diretora-presidente do ISP, Bárbara Caballero.

Os registros indicaram 3.417 vítimas apenas de violência psicológica no ambiente virtual em 2025, além de 5.970 casos de violência psicológica e moral na internet, resultando em uma média de 16 meninas e mulheres agredidas diariamente. Em 2015, quando a série histórica teve início, foram contabilizados 239 casos. O Dossiê revela que a violência psicológica se mantém como a forma de agressão mais comum contra mulheres no estado pelo quinto ano consecutivo. Em 2025, foram 59.742 vítimas, o que corresponde a cerca de 164 novos casos por dia.

“A violência psicológica não deixa marcas visíveis. Muitas vezes, ela se manifesta de forma sutil, mas é igualmente violenta. Acredito que isso persiste porque a sociedade permite que essas violências ocorram. Quantas vezes já não vimos a culpa recair sobre a vítima e não sobre os agressores?”, questiona Bárbara. “É isso que queremos evidenciar com o Dossiê deste ano. Mais do que incentivar denúncias e registros desses crimes, que são cruciais para reduzir a subnotificação e trazer visibilidade ao problema, é fundamental avançar em estratégias que não se concentrem apenas nas vítimas, mas também na responsabilização dos autores dessas violências”, conclui a diretora.

De acordo com o estudo, essas práticas envolvem táticas de controle, intimidação e humilhação que impactam a autoestima e a autonomia das vítimas, frequentemente precedendo outras formas de violência.

Outro dado alarmante é o descumprimento de medidas protetivas no ambiente digital. Em 2025, quase 10% dos casos ocorreram por meio de redes sociais, mensagens de aplicativos e até transferências via PIX usadas para manter contato, perseguir ou monitorar as vítimas. “Com esses dados, percebemos como o machismo se reinventa e se adapta aos novos tempos, a cada avanço dos direitos relacionados à equidade de gênero, explicando o aumento observado”, afirma Caballero.

No total, foram registrados 5.870 descumprimentos de medidas protetivas, o maior número desde o início da série histórica em 2018. Ao todo, 159.041 meninas e mulheres sofreram algum tipo de violência no estado do Rio de Janeiro em 2025, resultando em uma média de 18 vítimas por hora. O perfil predominante é de mulheres negras, solteiras e jovens entre 18 e 29 anos. Os dados também mostram que 105 mulheres foram vítimas de feminicídio no estado no último ano. Em mais de 80% dos casos, os crimes ocorreram no lar e, em mais da metade, os autores eram companheiros das vítimas. Segundo o Dossiê, mais de 70% dessas mulheres já haviam enfrentado algum tipo de violência doméstica antes do assassinato, mas não tinham registrado ocorrência.

Para mais notícias acesse emfocohoje.com.br. Confira também outros conteúdos em centralnerdverse.com.br.

Compartilhe
Em Foco Hoje Redação
Em Foco Hoje Redação

Em Foco Hoje é um perfil editorial responsável pela produção e organização de conteúdos informativos sobre atualidades, tecnologia, economia, saúde e temas de interesse geral, sempre com foco em clareza, utilidade e atualização constante.