De freguesa a rival: entenda como a Itália virou o maior desafio do Brasil no vôlei feminino

O Brasil enfrenta a Itália na semifinal da Liga das Nações de Vôlei, um confronto que promete ser desafiador para as brasileiras.

De freguesa a rival: entenda como a Itália virou o maior desafio do Brasil no vôlei feminino

A seleção brasileira derrotou o Japão por 3 a 1 e avançou na Liga das Nações Feminina de Vôlei. Considerada a rival mais temida da equipe feminina de vôlei atualmente, a Itália volta a ser adversária do Brasil na disputa por um lugar na final da Liga das Nações de 2026. Após vencer o Japão de virada na última quarta-feira, a equipe chega motivada para enfrentar as tricampeãs da competição, na madrugada do próximo sábado, às 5h (horário de Brasília), ciente de que o histórico recente favorece as italianas. A partida será transmitida ao vivo pela getv e sportv2.

Com dois ouros e seis pódios em Olimpíadas, a seleção feminina brasileira é, sem dúvida, uma das equipes mais respeitadas e temidas no vôlei. Os primeiros resultados expressivos foram alcançados em 1994, quando o técnico Bernardinho assumiu o comando da equipe, que conquistou a medalha de prata no Mundial. Naquela época, o principal adversário era Cuba, que venceu o Brasil na polêmica semifinal dos Jogos de Atlanta, em 1996, interrompendo o sonho do título das brasileiras.

Poucos anos depois, a Rússia se tornou a nova dor de cabeça da seleção feminina. Sob a direção de José Roberto Guimarães desde 2003, o Brasil começou a acumular títulos, mas viveu um dos momentos mais dramáticos de sua história: a derrota para as russas na semifinal das Olimpíadas de Atenas. As rivais conseguiram reverter o placar no quarto set, salvando cinco match points e eliminando as brasileiras dos Jogos de 2004. A redenção veio nos ciclos seguintes, com a conquista do primeiro ouro olímpico em Pequim 2008 e, posteriormente, o bicampeonato em Londres 2012. A seleção também se destacou no antigo Grand Prix de vôlei, vencendo 12 edições e se consolidando como a principal referência no esporte.

A seleção italiana, por sua vez, tem uma trajetória de triunfos mais recente. Embora tenha conquistado a medalha de ouro no Mundial de 2002, o país só voltou a ganhar medalhas em competições mundiais em 2018, levando tempo para se firmar como uma potência no vôlei. Enquanto o Brasil estava em seu auge, a Itália ainda buscava se estabelecer entre as principais seleções. A equipe participou, mas foi considerada “freguesa” do Brasil nas edições de 2004, 2005 e 2017 do Grand Prix de vôlei, terminando como vice-campeã. Durante mais de uma década, o time italiano alternou boas campanhas com eliminações precoces, sem conseguir manter uma sequência de títulos fora da Europa.

A rivalidade entre Brasil e Itália se intensificou realmente na Liga das Nações, torneio que substituiu o Grand Prix a partir de 2018. Essa competição marcou o início de uma mudança histórica para a seleção italiana. O investimento do país nas seleções de base trouxe resultados positivos para a equipe principal, que conquistou três títulos da VNL, em 2022, 2024 e 2025. Nas Olimpíadas de Paris, em 2024, as duas seleções não se enfrentaram diretamente. As italianas conquistaram o ouro, enquanto as brasileiras ficaram com o bronze, após perderem para os Estados Unidos nas semifinais e vencerem a Turquia na disputa pelo terceiro lugar.

A derrota mais simbólica na rivalidade entre Brasil e Itália ocorreu no Mundial da Tailândia, no ano seguinte. As italianas eliminaram as brasileiras nas semifinais em um tie-break, com um placar apertado de 15 a 13. Na disputa pelo bronze, a seleção feminina venceu o Japão, conquistando sua sexta medalha na competição, mas ainda sem o ouro.

Ao analisarmos os números entre as duas seleções, fica claro o porquê dos confrontos contra a Itália serem sempre situações de atenção para o Brasil. Em 13 partidas entre VNL e Mundiais, as brasileiras venceram sete, enquanto as rivais levaram a melhor em seis. Esse dado seria considerado positivo para a equipe comandada por Zé Roberto, se não fosse por um detalhe: nos últimos quatro encontros, o Brasil venceu apenas uma partida, no tie-break e contra uma equipe italiana reserva. Antes do duelo da primeira fase da Liga das Nações de 2026, em junho, a Itália vinha de uma sequência impressionante de 39 vitórias. O Brasil conseguiu vencer a equipe europeia por 3 sets a 2, mesmo com um elenco desfalcado de suas principais jogadoras, como Paola Egonu, Alessia Orro e Anna Danesi.

Contabilizando apenas os confrontos entre as duas equipes na VNL desde sua primeira edição, o cenário é ainda mais equilibrado. Foram 10 jogos, com cinco vitórias para cada lado. Neste novo confronto, a Itália, que ocupa a primeira posição no ranking mundial, entrará em quadra com sua equipe completa. Paola Egonu, eleita melhor jogadora do mundo em 2024, é um dos nomes cotados para a partida de sábado, assim como Antropova, Orro e Danesi. Por outro lado, o Brasil se apresenta sem duas de suas principais jogadoras. Gabi Guimarães, segunda melhor do mundo em 2025, não participou desta edição do torneio devido a um desconforto na região lombar. Já Julia Kudiess, maior bloqueadora da Liga, está afastada por tempo indeterminado, após sofrer uma lesão no ligamento cruzado anterior.

Mesmo sem duas de suas principais atletas, o Brasil finalizou a primeira fase da VNL em terceiro lugar, atrás da Itália (2º) e dos Estados Unidos (1º). Com nove vitórias e três derrotas — para França, Tailândia e Estados Unidos — a equipe se classificou para a fase final e superou o Japão no primeiro confronto do mata-mata. Com o sonho do título inédito da VNL à vista, as brasileiras enfrentarão uma missão difícil, mas não impossível. A semifinal deste sábado pode ser uma oportunidade para a seleção brasileira escrever um novo capítulo dessa rivalidade e, quem sabe, voltar a assumir o protagonismo entre as duas gigantes do vôlei. Para mais notícias acesse emfocohoje.com.br. Confira também outros conteúdos em centralnerdverse.com.br.

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Em Foco Hoje Redação
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