A esteira com IA tem se destacado como uma ferramenta inovadora na detecção de sinais precoces de doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson. Desenvolvida por uma equipe de cientistas franceses, essa tecnologia combina caminhada e estímulos mentais, aumentando significativamente as chances de identificar riscos antes que os sintomas se tornem evidentes.
Esteira com IA e seu funcionamento
A equipe liderada pela neurocientista Leslie Decker, da Universidade de Caen, criou um dispositivo que se assemelha a uma esteira ergométrica. Este aparelho foi apresentado em 2019 no laboratório de realidade virtual da universidade. O projeto, denominado Présage, utiliza uma combinação de realidade virtual, matemática e inteligência artificial para monitorar a saúde cognitiva e motora dos usuários.
O funcionamento da esteira é bastante interessante. Durante o teste, o paciente caminha enquanto responde a perguntas que exigem atenção e memória. Isso permite que o dispositivo registre dados sobre o equilíbrio e a força de reação do solo, informações cruciais para avaliar a saúde do participante.
Benefícios da tecnologia
Uma das grandes vantagens da esteira com IA é sua capacidade de adaptar-se ao ritmo do usuário. Ela pode inclinar-se em diferentes direções, desafiando o equilíbrio do paciente e mobilizando recursos cognitivos adicionais. Essa abordagem não só melhora a experiência do usuário, mas também fornece dados valiosos sobre possíveis distúrbios cognitivos.
Os pesquisadores utilizam parâmetros matemáticos para analisar os movimentos dos pacientes, o que pode triplicar a probabilidade de prever o desenvolvimento de transtornos neurocognitivos. Decker afirma que a identificação precoce desses riscos é fundamental para o tratamento eficaz.
Resultados dos testes realizados
Até o momento, cerca de cem pacientes, com idades variando de 55 a 87 anos, participaram dos testes com a esteira. Desses, 20 apresentavam a síndrome do risco cognitivo motor, que se caracteriza por lentidão na marcha e queixas cognitivas. A equipe de pesquisa, incluindo o cientista Baptiste Perthuy, utilizou modelos de inteligência artificial para criar um perfil locomotor específico para essa síndrome, permitindo uma comparação com dados de pacientes saudáveis.
Essa análise é crucial, pois a marcha de uma pessoa pode refletir seu estado de saúde geral, incluindo aspectos emocionais e patológicos. A capacidade de medir a reserva cognitiva, que é a habilidade do cérebro de se adaptar ao envelhecimento, também é um foco importante da pesquisa.
O futuro da esteira com IA
O dispositivo desenvolvido pela startup a-gO está em fase de adaptação para uso em consultórios médicos. A tecnologia utiliza três iPhones para capturar os movimentos do paciente durante uma caminhada de cinco minutos. A partir dessas gravações, a inteligência artificial cria um modelo 3D da marcha, facilitando a identificação de sinais da síndrome do risco cognitivo motor.
O objetivo é estabelecer um perfil dos pacientes que apresentam essa síndrome, possibilitando intervenções preventivas e tratamentos personalizados. A startup acredita que, ao detectar precocemente esses riscos, é possível adotar estratégias terapêuticas que ajudem a evitar transtornos associados ao envelhecimento.
Impacto social e econômico
A introdução da esteira com IA pode ter um impacto significativo na saúde pública. A pesquisa indica que quase 75% das doenças neurodegenerativas podem ser evitadas com intervenções precoces. Isso não apenas melhora a qualidade de vida dos pacientes, mas também pode reduzir os custos associados ao tratamento de doenças em estágios mais avançados.
Com a tecnologia se aproximando de um uso clínico em breve, espera-se que hospitais e consultórios médicos na França adotem essa ferramenta nos próximos anos. Isso representa um avanço importante na luta contra doenças que afetam milhões de pessoas em todo o mundo.
Para mais informações sobre inovações em saúde, acesse Em Foco Hoje. Além disso, você pode conferir dados sobre Alzheimer e Parkinson no site da OMS.



