Japandi: como aplicar o estilo japandi na decoração

O estilo japandi tem conquistado muitos adeptos ao combinar o minimalismo japonês com o aconchego escandinavo. Confira como aplicá-lo na sua casa!

Japandi: como usar o estilo que une minimalismo e aconchego na decoração

A estética japandi tem atraído arquitetos e moradores globalmente ao combinar duas correntes de design que, apesar da distância geográfica, compartilham valores semelhantes: o minimalismo do Japão e o calor do estilo escandinavo. Essa tendência de decoração sugere uma maneira de viver em casa que prioriza o equilíbrio, a funcionalidade e a conexão com o que é essencial. A estética ganhou popularidade nos últimos anos e continua em evidência, especialmente em um período em que as pessoas procuram ambientes que ofereçam conforto, bem-estar e uma desaceleração da rotina. Mas, o que realmente define esse estilo? Como implementá-lo na prática? É viável criar uma decoração japandi sem gastar muito? Vamos explorar a seguir!

As tonalidades claras, comuns nas estéticas escandinava e japandi, são ótimas para compor com madeiras de design linear, resultando em ambientes iluminados e acolhedores.

Características do estilo japandi

O arquiteto Leonardo Bolsi, do escritório Lema Arquitetos, afirma: “O japandi combina o minimalismo japonês com a sensação de aconchego escandinavo. É um estilo leve, que utiliza materiais naturais, cores neutras e ambientes funcionais.” A arquiteta Victoria Carvalho, do escritório Victoria Carvalho Arquitetura e Design, complementa: “Valorizamos o essencial, o feito à mão e a autenticidade dos materiais. Isso se reflete em espaços que transmitem tranquilidade e atemporalidade, com linhas limpas, paletas neutras e bastante textura.” Elementos naturais e uma paleta suave ajudam a minimizar a sobrecarga visual e criam uma atmosfera de conforto.

Os principais componentes que definem essa estética incluem madeira, linho, pedras naturais, fibras trançadas e peças artesanais, além de móveis com design simples e linhas horizontais. Victoria acrescenta que materiais como travertino, mármore e concreto exposto também podem ser utilizados, desde que em harmonia. “Os materiais naturais são fundamentais. Eu também busco trazer o natural para dentro de casa com galhos secos, eucalipto e arranjos que tenham presença escultural.”

No quarto, a combinação de painéis de madeira nogueira ripada, da Pau Pau, que revestem paredes e teto, com os painéis de laca fosca terracota, da Florense, na entrada, resulta em um efeito acolhedor.

Como combinar referências japonesas e escandinavas?

Um dos maiores desafios é equilibrar as referências orientais e nórdicas sem que uma delas se sobressaia. Segundo Leonardo, o segredo está na simplicidade: “É vital trabalhar com poucos elementos e manter uma composição limpa. Madeira, texturas naturais e iluminação suave são grandes aliados.” As cubas esculpidas em mármore travertino bruto, da Artemano, são instaladas fora da área fechada, enquanto o fechamento em vidro jateado remete ao estilo japandi.

Victoria reforça que a harmonia é alcançada através da combinação de tons e contrastes. “Utilizo bases claras, em bege e areia, e trago profundidade com elementos mais escuros, como almofadas em marrom intenso ou madeiras quentes. O japonês se manifesta na contenção e nas peças baixas; o escandinavo, no conforto e na luminosidade. O segredo é não permitir que um estilo sobressaia ao outro”, comenta.

No quarto, o painel ripado de tauari natural e a cabeceira de couro, feitos pela DM – Dantas Marcenaria, servem como fundo para uma composição que exala naturalidade.

Cores para a decoração japandi

A natureza é a principal fonte de inspiração para a paleta de cores japandi. Tons neutros, beges, areia, branco e cinzas suaves predominam nos ambientes, criando uma sensação de calma e equilíbrio. Tons terrosos, como marrons, caramelo, areia e argila, também são bem-vindos, pois aquecem os espaços e reforçam a conexão com a natureza. “Essas cores tornam os ambientes mais acolhedores”, observa Leonardo.

No quarto do casal, a atmosfera japandi é criada pela união de materiais naturais e tons suaves. A cabeceira em folha de carvalho natural e as prateleiras feitas pela Dezain Marcenaria promovem unidade visual e aconchego. Ao pé da cama, os bancos da Ubud reforçam a estética artesanal.

Como aplicar o japandi em apartamentos pequenos

O estilo japandi é uma excelente escolha para apartamentos compactos. Ao valorizar a funcionalidade e evitar excessos, ele ajuda a ampliar visualmente os cômodos e a tornar a rotina mais prática. “Funciona muito bem em apartamentos pequenos porque prioriza funcionalidade e leveza visual. Investir em poucos móveis e em uma boa iluminação já faz uma grande diferença”, afirma Leonardo.

A arquiteta Victoria explica que soluções inteligentes de marcenaria são fundamentais em imóveis pequenos. “Em espaços menores, o japandi é um aliado, pois exige organização e intenção”, comenta. Algumas boas soluções incluem divisórias internas na marcenaria, cabeceiras integradas ao mobiliário, camas baixas e iluminação indireta, que ajudam a criar ambientes mais amplos, acolhedores e tranquilos.

No quarto do casal, o grande painel de madeira freijó natural, da Via Madeira, combina com a cama estofada em linho da Artefacto, resultando em uma atmosfera japandi.

O japandi não precisa ser sempre minimalista

Embora tenha raízes minimalistas, o japandi não requer cômodos vazios ou desprovidos de personalidade. O conforto e a acolhida são partes essenciais da proposta. “Pode ser acolhedor por meio das texturas e dos materiais naturais”, destaca Leonardo. “A diferença é que cada elemento é escolhido por um motivo. O minimalismo aqui é uma atitude de seleção, não uma regra rígida”, complementa Victoria. “O japandi não é vazio; é uma curadoria.”

Logo na entrada, a tapeçaria de Polonnio, na Casa Diária, dá as boas-vindas, ao lado do painel vazado com acabamento em lâmina de madeira freijó, produzido pela Rudnick, que separa o hall da cozinha. Em contraste, estão as texturas naturais do piso de porcelanato Downtown, da Portinari, que imita concreto, e o quartzo branco na bancada, da Ideal Marmoraria.

Tecidos naturais, mantas, almofadas e objetos artesanais ajudam a adicionar personalidade aos ambientes sem comprometer a essência do estilo. O pufe e as almofadas da Codex Home trazem suavidade, enquanto a manta e o tapete da Galeria Hathi reforçam a atmosfera acolhedora. O paisagismo assinado por Anna Luiza Rothier integra vasos com pleomele e costela-de-adão, criando uma conexão orgânica e serenidade no ambiente.

O que evitar ao reproduzir o japandi em casa?

Um dos erros mais frequentes é exagerar na quantidade de objetos decorativos ou optar por materiais artificiais. “Evite a sobrecarga de informações visuais e ambientes excessivamente frios. O equilíbrio é fundamental”, aconselha Leonardo. A estante com design da arquiteta, feita em MDF Carvalho Malva, da Duratex, pela marcenaria, remete à madeira clara característica do estilo japandi.

Victoria concorda. “Evite materiais que imitam o natural sem autenticidade, pois o japandi pede genuinidade. Também não recomendo ambientes totalmente brancos e sem textura, que acabam perdendo a alma. Antes de adicionar qualquer objeto, pergunte-se se ele realmente tem um propósito naquele espaço.” A parede com textura Ornamentali Bege Bahia, da Diore Revestimentos, serve de fundo para o painel da cama em freijó natural e palha sextavada da Conrah Móveis. A cabeceira estofada em bouclé, da Estofaria Nelson, completa a composição, traduzindo a essência japandi com serenidade e aconchego.

As vantagens do japandi

Entre as principais vantagens do japandi está a capacidade de transformar a casa em um espaço tranquilo, organizado e funcional. Ao reduzir a sobrecarga visual, os ambientes se tornam mais agradáveis para relaxar e socializar. “É um estilo que proporciona uma sensação de calma e torna os cômodos funcionais para o dia a dia”, resume Leonardo.

O painel de muxarabi desenhado pelo escritório divide a cozinha e a sala de jantar, mantendo a continuidade, a luminosidade natural e a ventilação.

“Por priorizar a ordem e o essencial, ele reduz o ruído visual e cria ambientes que convidam ao descanso. Além disso, envelhece muito bem, pois não depende de modismos”, acrescenta Victoria. Outra vantagem é a versatilidade. O estilo pode ser adaptado a diferentes tamanhos de imóveis, orçamentos e perfis de moradores, sempre mantendo sua principal característica: criar lares acolhedores, equilibrados e conectados ao bem-estar.

No quarto, à frente do painel em folha natural de carvalho americano, está a cabeceira estofada pela loja Cortinas Carmelita e, ao lado, um armário de MDF branco e palha. A execução foi da Marcenaria Mademarch. A mesa de cabeceira é da Tok&Stok. A arandela Bauhaus da Lumini, quadro da Arte Maxx, fronha de linho da Il Casalingo e almofada off-white da Objekti completam a composição. O piso vinílico da Tarkett, na Globex Decoração, finaliza o ambiente.

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Em Foco Hoje Redação
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