Paquetá fora da Copa? Entenda o que é lesão muscular no posterior da coxa
Jogadores da Seleção Brasileira celebram o gol de Lucas Paquetá em um amistoso contra o Panamá. Exames de imagem feitos na terça-feira (30) revelaram uma lesão muscular na parte posterior da coxa do meio-campista. Segundo informações, Paquetá não participará das oitavas de final da Copa, que ocorrerá no próximo domingo (5).
A lesão muscular ocorre quando há ruptura parcial ou total das fibras musculares. Esse problema geralmente acontece devido a um esforço excessivo ou sobrecarga do músculo. A parte posterior da coxa é formada por músculos como o glúteo e o bíceps femoral. Especialistas afirmam que lesões nessa área são frequentes, especialmente durante movimentos rápidos e intensos. O médico ortopedista Eduardo Ramalho, especialista em trauma esportivo, explica que durante esse tipo de movimento, os músculos da parte de trás da coxa sofrem grande tensão, tornando-se mais suscetíveis a lesões.
Nos últimos minutos do primeiro tempo do jogo contra o Japão, na segunda-feira (29), Paquetá começou a mancar e tocou a parte de trás da coxa. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) informou que o atleta seguirá um “protocolo de tratamento intensivo”, sob supervisão da equipe médica da Seleção, visando sua recuperação e retorno o mais rápido possível. Contudo, não há previsão de quando ele voltará a jogar. Em geral, lesões musculares podem levar algumas semanas para serem totalmente tratadas, permitindo que o atleta retorne ao campo.
O que é uma lesão muscular?
Os músculos do corpo humano são formados por milhares de fibras que atuam como pequenos cabos elásticos. Quando a carga aplicada ao músculo ultrapassa sua capacidade de suportar, algumas dessas fibras se rompem, resultando em uma lesão muscular. O médico ortopedista Mário Lenza, do Hospital Israelita Albert Einstein, explica que as fibras musculares trabalham em conjunto para gerar movimento e força. Ele acrescenta que, em situações de esforço extremo — como arrancadas, mudanças rápidas de direção, aceleração ou sobrecarga — algumas fibras podem não resistir à tensão. “No esporte de alto rendimento, esse risco aumenta devido à sequência de jogos, desgaste físico acumulado, fadiga muscular, pouco tempo de recuperação entre as partidas e até histórico de lesões anteriores”, comenta o especialista.
Níveis de lesões musculares
Ramalho detalha que as lesões musculares são classificadas em três graus principais:
- Grau 1 – ocorre um leve estiramento no músculo. Pode causar inchaço e sensibilidade, mas não afeta o movimento.
- Grau 2 – refere-se à ruptura parcial das fibras musculares. Provoca dor moderada e perda parcial de força e função.
- Grau 3 – caracteriza-se pela ruptura completa do músculo ou separação do músculo do tendão, resultando em perda quase total da função do músculo afetado.
Os sinais e sintomas variam conforme a gravidade da lesão e podem incluir: dor ou sensibilidade, vermelhidão ou hematomas, limitação de movimento, espasmos musculares, inchaço e fraqueza muscular.
Tratamento e tempo de recuperação
O tratamento inicial para lesões musculares de ruptura parcial foca no controle da dor, inflamação e edema. Após isso, inicia-se uma fase progressiva de recuperação da função muscular, que inclui fisioterapia, fortalecimento e recondicionamento físico. “Na coxa, é necessário ter muito cuidado, pois é uma região com alto índice de recidivas. O jogador pode até sentir alívio da dor rapidamente, mas o músculo leva mais tempo para recuperar a capacidade de suportar cargas explosivas”, alerta Ramalho. O tempo de recuperação pode variar bastante de atleta para atleta. Geralmente, o prazo de retorno fica entre quatro e oito semanas, dependendo da extensão e localização exata da ruptura. Além disso, há sempre a preocupação com o retorno precoce do atleta. “O maior risco do retorno antecipado é a recidiva. Quando o músculo ainda não recuperou totalmente sua resistência, ele se torna muito vulnerável a uma nova ruptura, que muitas vezes é mais grave que a primeira”, enfatiza o ortopedista.
Paquetá fora da Copa?
Embora a ausência de Paquetá nas oitavas de final da Copa esteja confirmada, especialistas afirmam que ainda é prematuro afirmar que o jogador pode ficar fora da competição. “Tudo dependerá da evolução clínica nas próximas semanas. Em lesões musculares, sempre há uma preocupação significativa com o risco de nova lesão caso o retorno ocorra antes da recuperação ideal”, conclui Lenza.
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