Climatério: quando a reposição hormonal é indicada e quem pode fazer o tratamento

A terapia de reposição hormonal é essencial para mulheres no climatério, aliviando sintomas como ondas de calor e alterações de humor.

Climatério: quando a reposição hormonal é indicada e quem pode fazer o tratamento

Tratamento melhora fogachos, alterações do sono, humor e ressecamento vaginal, quando indicado. Especialista destaca que terapia deve ser individualizada e que benefícios costumam superar os riscos para mulheres elegíveis.

Terapia de reposição hormonal na menopausa: tire suas dúvidas

Aproximadamente 17 milhões de brasileiras estão no climatério, que é a fase de transição entre o período reprodutivo e o não reprodutivo, caracterizada pela diminuição gradual da produção de estrogênio e progesterona. Essa queda hormonal pode causar sintomas que afetam a qualidade de vida, como ondas de calor, distúrbios do sono, variações de humor e ressecamento vaginal. Apesar da existência de um tratamento eficaz através da terapia de reposição hormonal, muitas mulheres não recebem ou buscam essa terapia tardiamente devido a receios sobre os riscos ou à falta de informação.

Em entrevista, a ginecologista Maria Celeste Osório esclareceu que a terapia hormonal continua sendo a opção mais eficaz para amenizar os sintomas do climatério e da menopausa, quando indicada corretamente. A médica também enfatizou que o risco aumentado de câncer de mama associado ao tratamento é muito baixo (cerca de 0,08%) e deve ser avaliado no contexto clínico de cada paciente.

Climatério e menopausa não são a mesma coisa

Embora os termos climatério e menopausa sejam utilizados como sinônimos, eles têm definições distintas. Menopausa refere-se à data da última menstruação da mulher, enquanto climatério abrange todo o período de transição entre a fase reprodutiva e a não reprodutiva, incluindo os anos que antecedem e sucedem a menopausa. Esse intervalo também é conhecido como transição menopausal. Durante essa fase, a atividade ovariana e a produção dos hormônios femininos diminuem progressivamente, ocasionando diversas mudanças.

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Os sintomas podem aparecer anos antes da última menstruação. Os fogachos (ondas de calor) são os mais conhecidos, mas não os únicos. Segundo Maria Celeste, muitas mulheres começam a notar sinais durante a transição menopausal, quando ainda menstruam, mas a produção hormonal já está em declínio. Os sintomas mais comuns incluem: alterações no ciclo menstrual; ondas de calor; suor noturno; distúrbios do sono; irritabilidade; ansiedade; mudanças de humor; ressecamento vaginal; dor durante as relações sexuais; e sintomas urinários, como ardência e infecções recorrentes. A médica destaca que a alteração menstrual é frequentemente o primeiro sinal da transição hormonal, e muitas mulheres buscam orientação médica por alterações de humor ou insônia sem relacionar esses sintomas ao climatério.

Diagnóstico é clínico, e exames hormonais costumam ajudar pouco

Conforme a especialista, o diagnóstico do climatério é baseado principalmente na história clínica da paciente e nos sintomas que ela apresenta. Ela afirma que exames hormonais têm utilidade limitada, pois os níveis hormonais variam bastante nessa fase, podendo resultar em valores considerados normais, mesmo em mulheres que estão bastante sintomáticas. Portanto, o relato da paciente e a avaliação médica são mais relevantes do que a dosagem hormonal isolada.

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A reposição hormonal continua sendo o tratamento mais eficaz. A principal indicação da terapia hormonal é a redução de sintomas que impactam a qualidade de vida. Segundo Osório, os melhores resultados são alcançados quando o tratamento é iniciado durante a chamada “janela de oportunidade”: na transição menopausal, quando a mulher ainda menstrua e já apresenta sintomas; ou até dez anos após a menopausa; ou, se a data da menopausa não é conhecida, antes dos 60 anos. A especialista afirma que essa abordagem maximiza os benefícios e minimiza os riscos associados ao tratamento.

Risco de câncer de mama é de cerca de 0,08%

Por muitos anos, a reposição hormonal foi associada ao aumento do risco de câncer de mama e doenças cardiovasculares após a divulgação de estudos realizados há mais de duas décadas. Segundo Maria Celeste, investigações mais recentes permitiram uma compreensão mais clara desses riscos. Ela explica que o aumento do risco de câncer de mama relacionado ao uso prolongado da terapia hormonal é considerado muito pequeno e comparável a outros fatores, como: consumo diário de um a dois drinques de álcool; obesidade; e sedentarismo. Como exemplo, ela menciona que, entre mil mulheres usando terapia hormonal convencional por cinco anos, haveria cerca de 0,8 caso adicional de câncer de mama em comparação com aquelas que não utilizam hormônios. A indicação do tratamento leva em conta fatores como idade, intensidade dos sintomas, tempo desde a menopausa, risco cardiovascular, risco individual para câncer de mama e estado geral de saúde.

As diferentes formas de fazer a reposição hormonal

A terapia de reposição hormonal pode ser realizada por diferentes vias, incluindo: comprimidos (via oral); adesivos; gel; e spray transdérmico. Segundo a especialista, mulheres com fatores de risco cardiovascular — como hipertensão, obesidade, diabetes, tabagismo ou maior risco de trombose — costumam se beneficiar mais das vias não orais, que evitam a primeira passagem pelo fígado. Ela ainda explica que o estrogênio é o principal hormônio utilizado para aliviar os sintomas. Já as mulheres que ainda possuem útero precisam associar progesterona ou progestagênio para proteger o endométrio. Osório alerta para o uso de géis manipulados de progesterona aplicados na pele, afirmando que eles não oferecem a proteção adequada ao endométrio.

SUS oferece tratamento apenas para sintomas vaginais

No Sistema Único de Saúde (SUS), o estriol está disponível apenas na forma de creme vaginal. Segundo a especialista, esse tratamento é indicado para mulheres com sintomas da síndrome geniturinária da menopausa, como: ressecamento vaginal; dor durante a relação sexual; e sintomas urinários. Contudo, ela ressalta que essa medicação atua apenas localmente e não melhora sintomas gerais, como fogachos, distúrbios do sono ou oscilações de humor. A médica observa que ainda há uma carência de hormônios sistêmicos disponíveis no SUS para tratar esses sintomas mais amplos do climatério.

Novo medicamento aprovado não contém hormônios

A Anvisa aprovou o primeiro medicamento não hormonal desenvolvido especificamente para tratar fogachos da menopausa. O fezolinetant será comercializado no Brasil sob o nome Veoza pela farmacêutica Astellas e tem forma de comprimido diário. Segundo a médica, o medicamento atua diretamente nos mecanismos cerebrais responsáveis pelas ondas de calor, sem o uso de hormônios. A expectativa é beneficiar principalmente mulheres que não podem fazer terapia hormonal, como muitas pacientes em tratamento para câncer de mama. De acordo com Osório, estudos mostram uma redução de cerca de 60% dos fogachos com o uso do medicamento.

Nem toda mulher precisa interromper a reposição hormonal

Atualmente, não existe um prazo máximo obrigatório para a interrupção da terapia hormonal. A continuidade do tratamento deve ser decidida de forma individual, considerando: a manutenção dos benefícios; a ausência de efeitos adversos significativos; e a avaliação conjunta entre paciente e médico. Osório afirma que, com o passar dos anos, muitas mulheres conseguem manter os benefícios utilizando doses menores dos hormônios.

Fitoterápicos têm pouca evidência de benefício

Osório também menciona que os fitoterápicos perderam espaço nas recomendações atuais. Tanto sociedades médicas brasileiras quanto norte-americanas consideram que as evidências científicas disponíveis são insuficientes para apoiar seu uso no controle dos sintomas do climatério. A especialista ressalta que algumas mulheres podem relatar melhora individual, mas os estudos não demonstram um benefício consistente.

Qualidade de vida depende de vários fatores

A médica enfatiza que a menopausa deve ser vista como uma fase natural da vida e que sintomas significativos merecem tratamento. Osório destaca que a reposição hormonal pode ser um aspecto importante desse cuidado, mas que atividade física, alimentação balanceada, saúde mental e relações sociais também desempenham um papel fundamental na qualidade de vida das mulheres durante o climatério. Para mais notícias acesse… Confira também outros conteúdos em…

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Em Foco Hoje Redação
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