Americanas vende dona da Imaginarium e Puket para BandUP! por R$ 152 milhões
A Americanas anunciou, na quinta-feira (2), a venda da Uni.Co, holding que possui a Imaginarium, para a BandUP!, recebendo R$ 20 milhões como a primeira parcela dos R$ 152,9 milhões acordados na transação. Este negócio faz parte do plano de recuperação judicial da companhia. Uma parte do montante foi destinada a cobrir despesas da venda, enquanto o restante foi utilizado para a amortização antecipada da 22ª emissão de debêntures não conversíveis em ações da empresa, ou seja, para quitar parte da dívida fora do cronograma estabelecido.
A BandUP! se especializa na comercialização de produtos licenciados de franquias consagradas como Harry Potter, Disney e Cartoon Network. O saldo restante da venda será pago à Americanas em cinco parcelas anuais, iguais e sucessivas, com a primeira vencendo em um ano. Durante o intervalo até o pagamento de cada parcela, os valores serão corrigidos pelo CDI, considerando o período entre a data de fechamento do negócio e a data do pagamento efetivo.
A Americanas está em recuperação judicial desde janeiro de 2023, após a descoberta de inconsistências bilionárias em suas contas. A empresa reportou um déficit estimado em mais de R$ 20 bilhões relacionado à contabilização de operações com fornecedores, o que resultou em uma crise financeira e uma disputa judicial com credores. Desde então, a varejista tem implementado ações previstas em seu plano de recuperação, como a venda de ativos e a renegociação de dívidas, visando reduzir seu endividamento e reequilibrar suas finanças.
Na semana passada, a Polícia Federal (PF) deu início à 2ª fase da Operação Disclosure, que investiga a fraude na companhia. De acordo com laudos técnicos periciais, estima-se que o prejuízo já chegue a R$ 54 bilhões. O blog da Camila Bomfim apontou que entre os alvos da investigação estão Paulo Alberto Lemann — filho do bilionário Jorge Paulo Lemann, um dos principais acionistas da Americanas —, Carlos Alberto da Veiga Sicupira, Eduardo Saggioro Garcia, além de outros nomes associados a instituições financeiras que tinham vínculos com a empresa.
Em nota, as Americanas esclareceram que não foram alvo da operação e que continuarão colaborando com as investigações. “Os acionistas de referência acreditam que a operação faz parte do processo regular das apurações em curso e reafirmam seu compromisso de colaborar integralmente com as autoridades competentes para esclarecer os fatos, como têm feito desde 11 de janeiro de 2023, quando tomaram conhecimento das fraudes contábeis”, diz o comunicado.
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