Lore Improta revela que cuidar dos cachos de Liz foi seu aprendizado sobre letramento racial

Lore Improta compartilha como cuidar dos cachos de Liz a ajudou a entender questões de identidade e autoestima. Dicas práticas de cuidados com cabelos cacheados também são abordadas.

Lore Improta diz que cuidar dos cachos de Liz foi sua entrada para o letramento racial

Recentemente, Lore Improta publicou um vídeo onde mostra a cabeleireira Duda Lima aparando as pontas do cabelo de sua filha, Liz, de 4 anos. Duda é especialista em cabelos com curvaturas (crespo, cacheado e ondulado) e conheceu a influenciadora através das redes sociais. Ela enviou uma mensagem direta para a esposa do cantor Léo Santana no Instagram. Lore, que tem cabelo liso, nunca havia lidado com cabelos cacheados e, por isso, não sabia como cuidar dos fios da filha. “Duda me ensinou quais produtos são mais adequados para o tipo de cabelo cacheado, como organizar o cronograma capilar e entender as necessidades do cabelo da minha filha. Esse aprendizado, junto ao programa de letramento racial que estou fazendo com Anita Machado (advogada, palestrante e autora do livro infanto-juvenil ‘Maria Firmina’), faz toda a diferença. Ter profissionais especializados ao meu lado me permite criar Liz com mais consciência, fortalecendo sua autoestima e o orgulho de ser quem ela é”, afirma Lore.

Os cuidados com o cabelo da filha negra foram a porta de entrada para seu letramento racial, reconhece ela: “Compreendi que o cabelo não é apenas uma questão estética, mas também de identidade, pertencimento e autoestima. Aprendi que cuidar de um cabelo cacheado requer respeito às suas características e, principalmente, a desconstrução de padrões de beleza que, por muito tempo, desvalorizaram os cabelos ondulados, cacheados e crespos. Esse processo ampliou meu olhar e me fez entender a importância da representatividade desde a infância. No caso de Liz, a importância da representatividade negra.”

Sua maior dificuldade era entender que o cabelo de Liz possui necessidades específicas de fios cacheados e que não existe uma fórmula única. Foi um aprendizado sobre técnicas, produtos adequados e marcas que oferecem linhas para cabelos cacheados, sempre respeitando o tempo da criança. “Busco tornar esse momento leve e afetivo, para que o cuidado com o cabelo nunca seja visto como algo difícil ou negativo.” E referências para Liz se sentir cada vez mais segura e bonita não faltam. Lore procura mostrar à primogênita mulheres e meninas negras que valorizam seus cachos com orgulho, seja na família, entre amigas ou nas figuras que ela encontra em livros, desenhos e na vida real. “Quero que ela cresça enxergando a beleza dela refletida em outras pessoas e entendendo que seu cabelo é motivo de orgulho”.

Constantemente, Liz ouve de Lore que seu cabelo é bonito e único. Os elogios surgem de maneira natural. Ela valoriza os penteados e permite que a menina participe das escolhas. Lore reconhece a importância de Liz amar sua própria imagem: “Acredito que a autoestima é construída a partir do que a criança é orientada diariamente em casa, na escola, do que ela vê nos filmes, etc. Mesmo que eu não consiga controlar tudo, sempre fico atenta ao que ela está prestando atenção.” E os ensinamentos de Lore têm mostrado resultados. Ela percebe que Liz está construindo uma relação muito positiva com o cabelo. A influenciadora observa que a filha demonstra orgulho de seus cachos e gosta de experimentar novos penteados. Para isso, Lore conta com a ajuda da babá da menina, Leninha, que a arruma de diversas maneiras. “Liz adora! Meu compromisso é continuar fortalecendo essa autoestima para que ela cresça segura de quem é e da beleza que possui.”

Antes de se tornar especialista em cabelo cacheado, Duda Lima passou pela transição capilar em 2018. Desde então, decidiu que queria se especializar em cachos. Desde que Lore Improta compartilhou a visita dela à sua casa, em Salvador, para cuidar de Liz, a profissional baiana tem recebido muitos directs com dúvidas sobre como tratar cabelos cacheados. Duda orientou Lore a usar produtos específicos para cabelo crespo na filha. A cabeleireira, atendendo ao pedido de Liz, cortou algumas pontinhas que estavam ressecadas e embaraçadas, dificultando o cuidado diário. “Fizemos um corte apenas para alinhar. Não fiz camadas, apenas um corte mais reto para que os fios cresçam igualmente. As orientações que passei para a Lorena foram muito sobre a rotina de cuidados. Ensinei como desembaraçar, usar a escova certa e quais produtos ela deveria usar.”

Normalmente, Duda recomenda para mães de crianças menores de cinco anos produtos menos irritantes, com pH adequado para o couro cabeludo, que é mais sensível do que o dos adultos, além de os fios também serem mais delicados. “Sugiro produtos que contenham muitos agentes hidratantes e nutritivos, como manteigas e óleos, para nutrir os cabelos. O cabelo da criança é muito seco, especialmente porque, às vezes, elas fazem natação e ficam expostas ao sol. Como brincam muito na escola, necessitam lavar os cabelos com mais frequência, então precisam de produtos que sejam mais hidratantes e que não agridam os fios nem o couro cabeludo.”

Mas, além de todos os cuidados necessários, o que Duda realmente prioriza é que as mães ofereçam referências aos seus filhos. “Isso não significa que, se uma mãe tem cabelo liso, ela precise usar o cabelo cacheado para que a filha se identifique. Mas ela deve sempre reforçar o quanto o cabelo da criança é bonito. A criança precisa ter influência dentro de casa, ou seja, a mãe deve apresentar desenhos com personagens de cabelo crespo e cacheado. A Lorena, por exemplo, fez aulas de letramento racial. Ela está sempre estudando e procurando trazer essa representatividade para a filha dentro de casa.” Na visita à casa de Lore, Duda trouxe para Liz livros que falam sobre essa representatividade: ‘Com Qual Penteado Eu Vou?’, de Kiusam de Oliveira; ‘O Pequeno Príncipe Preto’, de Rodrigo França, e ‘Sinto o Que Sinto, um Passeio pelos Sentimentos’, de Lázaro Ramos. “Os livros abordam muito sobre cabelo, cor de pele, e um deles fala sobre sentimentos, sobre como devemos falar sobre o que sentimos. Vejo que Lorena também está sempre conversando sobre isso com Liz em casa. Eu tenho me aprofundado mais em letramento. Sou uma mulher preta, de pele clara e cabelo crespo. Então, tenho estudado mais para trazer empoderamento e conscientização para as pessoas pretas, que muitas vezes não percebem que são pretas e que não consomem conteúdo desse tipo. Uso minhas redes sociais não apenas para falar sobre cabelo, mas também para trazer um pouco de estudo e embasamento.”

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Em Foco Hoje Redação
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