Ministério da Saúde determina que mãe e bebê tenham contato ‘pele a pele’ após o nascimento em todas as maternidades do Brasil
Se você está prestes a ter um bebê, é fundamental saber disso: nenhum hospital brasileiro pode afastá-lo de seu filho imediatamente após o nascimento para realizar pesagens, medições ou vacinas. Esse contato pele a pele na primeira hora de vida é um direito garantido, aplicável a partos normais e cesarianas, e foi recentemente reforçado em uma nova diretriz do Ministério da Saúde. Pesagens, vacinas e medições podem aguardar. O que não pode ser postergado é esse momento especial. O Ministério da Saúde reafirmou esse direito para todas as mães no Brasil. A determinação faz parte da Nota Técnica nº 98/2026, divulgada em maio e apresentada em um evento que contou com a presença de representantes da OMS, UNICEF e Fiocruz. O documento é claro: qualquer procedimento rotineiro deve ser adiado. O que não pode esperar é o contato entre mãe e bebê.
O que é a ‘Hora de Ouro’ e por que ela importa
Os primeiros 60 minutos após o nascimento são conhecidos como a Hora de Ouro. Durante esse período, três práticas devem ser priorizadas: o clampeamento oportuno do cordão umbilical, o contato pele a pele sem separação entre mãe e bebê e o incentivo ao aleitamento materno. A nova nota técnica deixa claro que qualquer procedimento rotineiro, como pesagens, medições, vacinas e profilaxias, deve ser postergado para depois dessa primeira hora. O banho, por sua vez, não é recomendado nas primeiras 24 horas de vida. Os benefícios científicos do contato pele a pele são amplos e bem documentados. Para o bebê, isso ajuda na regulação da temperatura corporal, estabiliza a respiração e a glicemia, diminui o choro e o estresse, facilita a amamentação e contribui para o fortalecimento do sistema imunológico. Para a mãe, essa prática auxilia na redução da ansiedade, do risco de hemorragia pós-parto e fortalece o vínculo com o filho desde os primeiros momentos de vida. Uma revisão sistemática, publicada em 2025 na Cochrane Database, que analisou 69 estudos clínicos envolvendo mais de 7 mil duplas de mãe e bebê, confirmou o aumento nas taxas de aleitamento materno exclusivo, melhor regulação térmica e maior estabilidade fisiológica nos recém-nascidos que tiveram esse contato inicial.
Contato pele a pele vale para a cesariana também
Um dos pontos mais relevantes da nota técnica, que surpreende muitas famílias, é que o contato pele a pele deve ser realizado mesmo em cesarianas. A ciência comprova: os primeiros 60 minutos de vida são a Hora de Ouro. Nenhum cuidado rotineiro deve interromper o contato entre mãe e bebê nesse período. Para isso, a organização da equipe deve ser planejada antes da cirurgia. Os eletrodos de monitoramento da mãe são colocados nas costas ou nas laterais. O campo cirúrgico é ajustado para que o tórax da mãe fique acessível. Sempre que possível, os braços da mãe não devem ser contidos, permitindo que ela possa sentir e segurar o filho logo após o nascimento. Se, por algum motivo clínico, a mãe não puder realizar esse contato imediatamente, o documento sugere que o pai ou acompanhante assuma essa função até que ela esteja apta a receber o bebê. A nota também determina que o contato pele a pele deve ser registrado no prontuário. Quando ele não ocorrer, o motivo deve ser documentado e justificado.
Como o bebê deve ser posicionado
O recém-nascido deve ser colocado sobre o tórax da mãe em posição vertical, com a barriga voltada para a barriga dela, a cabeça voltada para o lado para garantir que as vias aéreas fiquem livres e as perninhas levemente flexionadas. Nada deve ser colocado entre a pele dos dois. Antes de ser posicionado, o bebê é cuidadosamente seco, exceto as mãos, que devem permanecer úmidas com líquido amniótico. Esse detalhe é importante: o bebê utiliza o olfato para se orientar até o seio materno, e as mãos úmidas ajudam a ativar esse reflexo instintivo. Uma touca e uma manta pré-aquecida são utilizadas para manter o calor, especialmente em bebês prematuros.
E os bebês prematuros e gêmeos?
A nota técnica é clara: o contato pele a pele deve ser incentivado para todos os recém-nascidos clinicamente estáveis, incluindo os prematuros. Nos casos de gestações múltiplas, o contato pode ser feito simultaneamente, com cada bebê posicionado em um dos lados do tórax da mãe, ou de forma alternada, com o pai ou acompanhante ajudando no cuidado do outro bebê. Não há lugar mais seguro para um recém-nascido do que o colo da mãe. E agora isso é também uma determinação oficial do Ministério da Saúde. Para os bebês que necessitam de internação na UTI Neonatal, a recomendação é que o contato pele a pele comece nas primeiras 24 horas e seja mantido pelo maior tempo possível durante a internação, respeitando os critérios clínicos de cada caso.
O que muda na prática para os hospitais
O documento, que se aplica a todos os serviços de saúde do Brasil, tanto públicos quanto privados, define responsabilidades claras para as equipes e estabelece que o contato pele a pele deve deixar de ser uma prática ocasional para se tornar rotina em todas as maternidades. A nota técnica faz parte de um conjunto maior de avanços anunciados pelo Ministério da Saúde: a inclusão de uma calculadora de idade corrigida para prematuros no Prontuário Eletrônico do Cidadão e novas diretrizes para o transporte seguro de recém-nascidos de alto risco também foram apresentadas no mesmo evento. Vale ressaltar que a Nota Técnica nº 98/2026 não estipula um prazo específico para que os hospitais se adaptem às novas diretrizes. O documento determina a implementação imediata e como rotina em todos os serviços de saúde, mas não estabelece uma data-limite para a transição. Famílias que desejam saber como seu hospital está se preparando para atender a norma podem entrar em contato com a ouvidoria da instituição ou com o Ministério da Saúde pelo e-mail dahu@saude.gov.br ou pelo telefone (61) 3315-6158.
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