Estilo escandinavo: 36 ideias para adaptar o conceito ao Brasil
O estilo escandinavo simboliza uma forma de viver dos países nórdicos refletida na decoração dos lares. “É uma linguagem de design que surgiu da necessidade e evoluiu para uma filosofia. Ele parte de um princípio muito claro: o espaço precisa ser bonito e funcional simultaneamente, sem que um aspecto prejudique o outro”, afirma a arquiteta Thaisa Bohrer, do escritório Bohrer Arquitetos. Segundo o arquiteto Leonardo Bolsi, do escritório Lema Arquitetos, o estilo escandinavo emergiu da necessidade de criar habitações mais confortáveis nos países do norte da Europa, onde o clima é bastante frio. “Ele prioriza ambientes claros, materiais naturais e uma arquitetura mais limpa, onde cada escolha tem um propósito”, explica.
O estilo se firmou ao longo do século 20, especialmente na Dinamarca, Suécia, Noruega e Finlândia, recebendo reconhecimento internacional a partir dos anos 1950. Thaisa ressalta que ele é uma resposta a um contexto muito específico: invernos longos, escassez de luz natural e uma cultura que historicamente valoriza o lar como um refúgio. Poucos elementos e a presença do design brasileiro são algumas das propostas do projeto. Painel de muxarabi de MDF Carvalho Natural, da Guararapes, realizado pela marcenaria Planus.
“Designers como Alvar Aalto, Arne Jacobsen e Hans Wegner foram essenciais para traduzir essa mentalidade em objetos e espaços que alcançaram o mundo todo. O que eles criaram não era apenas uma questão estética, mas uma nova forma de compreender o que significa habitar”, destaca a arquiteta. De acordo com o arquiteto Jorge Elmor, o estilo escandinavo foi moldado pelo movimento modernista e pela ideia de democratização do design: “Arquitetos e designers começaram a desenvolver móveis e objetos que fossem funcionais, duráveis e acessíveis, sem comprometer a qualidade estética”.
A decoração hygge na casa A casa desempenha um papel central na cultura nórdica, especialmente durante o inverno. “Isso fez com que os projetos passassem a valorizar mais o conforto, a funcionalidade e a relação com materiais naturais”, comenta Leonardo. O conceito central do estilo de vida nórdico tem até um nome: hygge, uma palavra dinamarquesa que expressa uma sensação de conforto, aconchego e bem-estar compartilhado. “O design escandinavo é, em essência, a materialização desse conceito”, diz Thaisa.
O revestimento Mood, da Portinari, adiciona textura ao banheiro. A bancada de quartzo branco Zeus, realizada pela Granart Revestimentos, repousa sobre a bancada MDF Areia, da Guararapes. Os espaços são projetados para que as pessoas se sintam bem dentro de casa, com um bom aproveitamento da luz, materiais que convidam ao toque e uma organização que minimiza o ruído visual e mental. “É uma arquitetura que entende que o lar deve ser um lugar de recuperação, não de estímulos excessivos”, observa a arquiteta. Em resposta ao clima, a arquitetura escandinava é planejada para maximizar a iluminação, garantir conforto térmico e promover a permanência nos ambientes. “Esse conceito está intimamente ligado ao hygge. A casa deixa de ser apenas um abrigo e se transforma em um espaço de convivência e desaceleração”, completa Jorge.
O estilo em alta O escandinavo tem conquistado o mundo nos últimos anos, e isso não é por acaso: ele atende a uma necessidade real e contemporânea de desacelerar em casa. “Em um cenário de excesso de informação e estímulo visual contínuo, um espaço tranquilo, bem organizado e acolhedor ganhou um novo valor”, afirma Thaisa. Essa busca está diretamente conectada ao movimento wellness que vem ganhando força na arquitetura, no design e no estilo de vida, com a noção de que o ambiente em que vivemos impacta diretamente nosso bem-estar físico e emocional. “Ambientes que respiram, com materiais naturais, iluminação cuidadosa e ausência de ruído visual, são espaços que cuidam de quem os habita”, comenta.
No Brasil, esse estilo encontrou um solo fértil por dialogar com a natureza e o aconchego, valorizados localmente. “O que fazemos é reinterpretá-lo com um olhar brasileiro, incorporando materialidades locais, formas orgânicas e uma paleta que responde à nossa luz e ao nosso clima. O resultado é uma versão mais quente e sensorial do escandinavo, mantendo a essência, mas com uma identidade própria”, diz. Para Jorge, o sucesso do estilo escandinavo está ligado à sua habilidade de unir estética e funcionalidade. “Em um momento em que as pessoas buscam lares mais flexíveis, confortáveis e duráveis, essa linguagem oferece soluções que permanecem relevantes ao longo do tempo”, observa. “É uma linguagem que não se baseia em tendências e se adapta a diferentes estilos de vida. Mesmo ao receber outras referências, continua atual”, conclui Leonardo.
A sala de jantar possui mesa Board, da Lattoog, na Lider, e cadeiras Wishbone. A luminária Nami, de Adriana Yazbek, complementa o ambiente. O piso de porcelanato existente foi mantido no projeto. Além disso, o escandinavo se mescla facilmente com outros estilos, como o contemporâneo, minimalista e japandi. “No Brasil, a abundância de luz natural favorece ainda mais sua aplicação, permitindo criar ambientes claros e acolhedores adaptados ao nosso clima e modo de viver, sem perder a essência do design nórdico”, finaliza.
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