Aston Martin apresenta novo chassi na Hungria e busca melhorar desempenho na F1

A Aston Martin chega ao GP da Hungria com um chassi renovado e mudanças aerodinâmicas na esperança de melhorar seu desempenho na F1.

Aston Martin apresenta novo chassi na Hungria e busca melhorar desempenho na F1; veja números

A Aston Martin irá implementar no GP da Hungria significativas atualizações no AMR26, o carro atual da equipe. Com um desempenho aquém das expectativas neste ano e a ausência de novidades no carro, a equipe britânica chega ao Hungaroring com um chassi totalmente novo e alterações aerodinâmicas, que ainda não foram completamente divulgadas. – Acredito que o período de estagnação em que não tivemos melhorias acabou. O futuro parece promissor, e todos nós estamos ansiosos para ir a Budapeste e ver o que conseguimos – comentou Mike Krack, chefe de operações da equipe.

O foco é diminuir o peso do carro e proporcionar maior estabilidade nas curvas. Em Silverstone, por exemplo, vídeos de Lance Stroll lutando para controlar o carro repercutiram nas redes sociais. Com essas modificações, a equipe espera sair do atual abismo de desempenho e começar a competir com as equipes do meio do pelotão, como Williams, Haas, Alpine e Audi.

Nos últimos anos, poucas equipes apresentaram um desempenho tão insatisfatório quanto a Aston Martin na Fórmula 1. Apesar do alto investimento do proprietário, o bilionário Lawrence Stroll, da presença do bicampeão Fernando Alonso como um de seus pilotos e de contar com o projetista multicampeão Adrian Newey à frente do desenvolvimento do carro, os resultados têm sido decepcionantes.

As expectativas eram de que a Aston Martin pudesse, ao menos, desafiar as equipes de ponta neste ano; tanto que, na temporada anterior, nomes como Max Verstappen e Charles Leclerc foram cogitados para o time. A realidade atual, no entanto, é bem diferente: na Bélgica, Fernando Alonso terminou mais de um minuto atrás do penúltimo colocado, o finlandês Valtteri Bottas, da novata Cadillac.

O ge analisou os dados atuais e históricos do Q1 – a fase inicial da classificação – já que é o único momento em que todos os carros estão na pista simultaneamente e acelerando sem restrições, em condições semelhantes e com pneus novos. A partir daí, foi calculada a diferença de tempo de cada equipe em relação ao carro mais veloz em cada circuito. Com essa média individual por prova, foi feita uma média geral por temporada para cada escuderia. A conclusão é que, em média, a Aston Martin tem ficado 2s717 atrás da melhor equipe no Q1 em 2026 – e esse número não considera que os tempos dos times que avançam nas classificações costumam melhorar. Se a comparação fosse feita com os tempos dos líderes no Q3, a situação seria ainda mais preocupante.

Nas últimas quatro corridas, com a evolução das demais equipes e pistas que exigem muito do motor, o déficit chega a 3s382. Em Spa-Francorchamps, a Aston Martin registrou o pior tempo da temporada, com uma diferença de 4s093 em relação à Red Bull, a melhor equipe no início da classificação. É verdade que esse número ainda está distante do pior desempenho histórico, com a Manor levando 5s160 de diferença média em 2015. Contudo, já é suficiente para colocá-la como a quinta pior nesta lista, pior do que equipes que passaram a temporada sem pontuar, como a Williams de 2020 e a Haas de 2021.

Um golpe duro, considerando as expectativas iniciais para a Aston Martin neste ano. Nem mesmo a Cadillac, apesar de ser uma equipe estreante e ter montado sua estrutura do zero, tem enfrentado dificuldades semelhantes – a equipe está quase meio segundo mais rápida que a Aston Martin na média de classificações, com um déficit geral de 2s222 em 2026.

Um ponto positivo para a equipe britânica é o ponto conquistado por Fernando Alonso com o 10º lugar no tumultuado GP de Mônaco, o que coloca a equipe à frente dos novatos da Cadillac, que ainda não marcaram pontos.

O que está por trás da falta de desempenho? O AMR26, carro da Aston Martin deste ano, enfrenta problemas em três aspectos fundamentais de um monoposto de Fórmula 1: chassi, aerodinâmica e motor. Essa desorganização é resultado de um processo de desenvolvimento conturbado, conforme explicaram os membros da equipe em entrevistas ao longo do ano. As equipes começaram a desenvolver o carro deste ano já em 2025, mas a Aston Martin só conseguiu realizar testes aerodinâmicos no túnel de vento em abril, enquanto as outras equipes já trabalhavam em seus modelos desde janeiro.

Além disso, a Honda dividiu sua equipe em 2022, quando anunciou sua saída da Fórmula 1. Quando decidiu voltar, muitos engenheiros ainda estavam envolvidos em outros projetos, o que prejudicou o desenvolvimento do motor utilizado pela equipe britânica. Na visão de Adrian Newey, a falta de organização teve um custo alto. – O tempo foi um fator crucial, mas não o único. Temos um grupo muito talentoso, mas não estávamos funcionando tão bem quanto gostaríamos como organização e operando como uma unidade coesa. As expectativas estavam nas alturas, mas a realidade não correspondeu a isso – disse.

Os resultados negativos começaram a aparecer durante a pré-temporada, com quebras frequentes, faltas de peças para as baterias e vibrações excessivas no motor, que poderiam até causar danos permanentes nos nervos das mãos dos pilotos, segundo o gestor. Além disso, o chassi não foi integrado da melhor forma com o restante do carro. Com um conceito aerodinâmico compacto desenvolvido por Newey, o AMR26 está “bem acima do peso mínimo” (768kg) exigido na Fórmula 1 – a equipe não divulgou publicamente o peso exato, mas um carro mais pesado compromete décimos de segundo cruciais por volta.

O que muda agora? A Aston Martin chega ao Hungaroring em um clima de decisão. A equipe optou por não seguir o ritmo de atualizações das rivais e decidiu implementar as alterações no carro de uma só vez – o que ocorrerá justamente no GP da Hungria, o último antes da pausa de verão europeu da F1. O principal objetivo da escuderia com as atualizações é reduzir peso tanto do chassi quanto da caixa de câmbio, para se aproximar do peso mínimo de 768kg. A equipe ainda não tem certeza se conseguirá implementar as mudanças nos dois carros imediatamente, mas está otimista. – Todos estão se esforçando para conseguir as peças e preparar os carros. É um grande desafio quando você decide fazer isso. Você sempre tenta adiar os prazos o máximo possível. Portanto, é um grande esforço acontecendo no AMRTC (Campus de Tecnologia da Aston Martin) neste momento. E eu sou uma pessoa positiva. Então, acredito que teremos os dois carros prontos. Mas acho que não teremos cinco reservas de cada, para ser honesto – afirmou Mike Krack.

No final de junho, Adrian Newey detalhou algumas das atualizações que devem ser implementadas em busca de melhorias aerodinâmicas. – A suspensão dianteira permanece inalterada. A suspensão traseira passou por pequenas revisões. Desenvolvemos um novo bico e revisamos substancialmente as superfícies aerodinâmicas. Portanto, embora a estrutura básica seja semelhante, trata-se de um grande pacote aerodinâmico aliado a uma redução significativa de peso – explicou.

Além disso, a Honda também está trabalhando em um novo motor, com previsão de estreia para o GP da Holanda, o primeiro após as férias. Contudo, a fabricante japonesa acredita que a Aston Martin já poderá apresentar um desempenho melhor na Hungria, uma vez que o Hungaroring não é um circuito que exige tanta potência. – Para o Grande Prêmio da Hungria, a Aston Martin irá introduzir a atualização no chassi. Estamos colaborando com eles para apoiar na integração com o motor. O Hungaroring é menos sensível à unidade de potência, então podemos esperar uma performance melhor, apesar de não termos nosso motor “B” aqui – afirmou Shintaro Orihara, engenheiro-chefe da divisão de automobilismo da Honda. Para mais notícias acesse… Confira também outros conteúdos em…

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Em Foco Hoje Redação
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