Preço do dólar opera em alta após novos ataques entre EUA e Irã

O preço do dólar apresenta alta nesta quinta-feira, enquanto o Ibovespa registra queda. A situação no Oriente Médio e o aumento do petróleo são fatores-chave.

Dólar opera em alta, após novos ataques entre EUA e Irã e com alta do petróleo no radar; Ibovespa cai

Na véspera, a moeda americana teve uma queda de 0,43%, sendo cotada a R$ 5,0512. O principal índice da bolsa brasileira, por sua vez, avançou 2,44%, alcançando 177.548 pontos.

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

O dólar apresenta uma alta nesta quinta-feira (23), com um aumento de 0,77% por volta das 10h30, cotado a R$ 5,0899. Em contrapartida, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, mostrava uma queda de 0,61% nesse mesmo horário, a 176.470 pontos.

O aumento do petróleo, em meio à intensificação do conflito no Oriente Médio, continua sendo um ponto central. Com a continuidade dos ataques na região, a commodity se aproxima novamente do patamar de US$ 100 por barril, mesmo após a declaração de que Omã está mediando negociações com a Arábia Saudita, grupos iemenitas e um enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU). A diminuição do tráfego no Estreito de Ormuz gera preocupações sobre possíveis interrupções na oferta global de petróleo. Por volta das 10h30, o barril do Brent, referência internacional, subia 5,25%, sendo cotado a US$ 99,99. O West Texas Intermediate (WTI), dos EUA, também avançava 5,25% nesse mesmo horário, cotado a US$ 91,39 por barril.

O novo tarifaço do presidente americano, Donald Trump, também está no foco. Na véspera, a nova taxa adicional de 25% sobre produtos brasileiros entrou em vigor, e há expectativas de que uma nova alíquota, variando entre 10% e 12,5%, seja anunciada em breve para cerca de 60 parceiros comerciais, incluindo o Brasil. Essa situação aumenta a pressão sobre o governo brasileiro, que segue em diálogo com os setores impactados e analisa como responder às tarifas.

A temporada de balanços corporativos também deve influenciar as bolsas globais nesta quinta-feira (23). As ações da Alphabet apresentaram queda no pré-mercado, após a companhia aumentar sua previsão de investimentos, intensificando os gastos com inteligência artificial e reacendendo preocupações sobre os altos custos para a expansão da infraestrutura do setor. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.

  • Dólar: Acumulado da semana: -1,17%; Acumulado do mês: -2,16%; Acumulado do ano: -7,97%.
  • Ibovespa: Acumulado da semana: +2,21%; Acumulado do mês: +3,21%; Acumulado do ano: +10,19%.

Nova taxa dos EUA deve ser anunciada em breve

A tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao país entrou em vigor ontem. A medida foi anunciada após uma investigação do governo Donald Trump concluir que o Brasil adota práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os EUA. As justificativas foram amplamente contestadas pelo governo brasileiro, que considera a medida uma tentativa de interferência em questões internas e consideradas inegociáveis. A expectativa agora é que uma nova taxa, que deve variar entre 10% e 12,5%, seja anunciada nos próximos dias para cerca de 60 países, incluindo o Brasil. Nesse caso, a justificativa se baseia em outra investigação dos EUA, que concluiu que essas nações adotaram práticas comerciais desleais ao não impedirem o comércio de produtos fabricados com trabalho forçado. Na véspera, o representante do comércio americano, Jamieson Greer, reiterou que práticas de desmatamento no Brasil colocam agricultores americanos em desvantagem competitiva, justificando que os baixos padrões ambientais existentes em outros países “justificam tarifas mais altas”. O tema já foi amplamente refutado pelo governo brasileiro. Na semana passada, o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, afirmou que os argumentos são “absolutamente improcedentes” e “inverídicos”, reiterando que o sistema de exportação brasileiro passa por um rigoroso sistema de fiscalização e controle ambiental.

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Petróleo volta a se aproximar de US$ 100

Na véspera, o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) finalizou uma nova rodada de ataques contra alvos militares iranianos, marcando a 12ª noite consecutiva de operações. Segundo o comando, foram atingidas instalações de armazenamento de mísseis e drones, sistemas de defesa aérea, capacidades marítimas e locais de vigilância costeira. O Centcom afirmou que as ações visam reduzir a capacidade do Irã de atacar embarcações comerciais e marinheiros civis. Os EUA também informaram ter retomado um bloqueio marítimo contra o país e que mais de 50 mil militares americanos permanecem mobilizados no Oriente Médio. Nesta quinta-feira, a Guarda Revolucionária do Irã, braço ideológico das forças armadas do país, declarou ter atacado e destruído diversos equipamentos militares americanos na Jordânia, além de ter atacado bases dos EUA no Kuwait, incluindo Arifjan e Doha. Os aliados houthis do Irã no Iémen também afirmaram ter atacado dois petroleiros sauditas como parte de um bloqueio naval à Arábia Saudita, ameaçando criar um segundo ponto de estrangulamento no fornecimento global de petróleo, além do fechamento iminente do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, comentou em um encontro diplomático no Sudeste Asiático que o preço que o Irã paga “ficará mais alto a cada noite” até que Teerã esteja pronto para um acordo de paz que aceite cumprir. “O Irã está implorando por um acordo todos os dias. O problema com o Irã é que, toda vez que eles fecham um acordo… ou o quebram ou querem mudá-lo”, disse ele. “Agora eles estão pagando o preço por isso. E talvez mudem de ideia nos próximos dias, conforme continuam a sofrer grandes perdas.”

Bolsas globais

Na Europa, o dia era negativo nesta quinta-feira (23), em meio a preocupações com a inflação global devido às novas altas do petróleo. Por volta das 10h30, o índice DAX, da Alemanha, apresentava uma queda de 1,41%, enquanto o CAC-40, da França, recuava 1,77% e o FTSE 100, do Reino Unido, caía 0,95%. Na Ásia, as ações chinesas fecharam em alta, à medida que o otimismo do mercado com o setor de tecnologia e inteligência artificial se recuperava. O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, subiu 0,23%, enquanto o índice composto de Xangai, o SSEC, teve alta de 0,25%. Entre as demais bolsas da região, o Hang Seng, de Hong Kong, avançou 1,28%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, teve uma valorização de 4,40% e o Nikkei, do Japão, registrou ganhos de 0,46%.

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Em Foco Hoje Redação
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