É normal o bebê mexer menos no fim da gravidez?
Perceber que o bebê está se movendo menos na barriga provoca ansiedade, especialmente nas últimas semanas de gestação. A mudança no padrão de movimentos nem sempre indica que algo está errado, mas é um sinal que merece atenção.
Sentir os primeiros chutes do bebê é um momento marcante e inesquecível. Esse instante é muito aguardado pelas mães e torna mais real o fato de que, sim, seu filho está se desenvolvendo a cada dia, dentro do útero. Contudo, à medida que as semanas avançam, esse padrão de movimento começa a mudar. Os chutes fortes e as cambalhotas dos meses anteriores são substituídos por sensações diferentes, que podem parecer mais sutis e organizadas. A diminuição das mexidas, principalmente, é algo que gera preocupação – e com razão. Até que ponto isso é normal? Quando a diminuição dos movimentos do bebê deve ser motivo de preocupação?
É comum que a percepção dos movimentos mude na fase final da gestação, mas isso não significa que o bebê deva se mover significativamente menos. Em caso de dúvida, a recomendação é sempre buscar avaliação médica. Aqui, especialistas esclarecem o que você precisa saber sobre o tema:
Como os movimentos fetais mudam durante a gravidez?
Os movimentos do bebê começam muito antes de serem sentidos pela mãe. Segundo o ginecologista e obstetra Alexandre Pupo Nogueira, o feto já se movimenta por volta de 8 ou 9 semanas de gestação, embora a maioria das mães comece a sentir esses movimentos entre 20 e 22 semanas. “Esses movimentos se tornam mais intensos com o tempo, até que a relação entre o tamanho do bebê e o espaço disponível no útero faz com que ele não tenha espaço suficiente para grandes rotações”, explica. Nas semanas finais, em vez de grandes cambalhotas, é possível notar mais movimentos de braços, pernas, esticadas e mudanças de posição. “Observa-se mais movimentos de braços, pernas e cutucadas do que propriamente movimentos do corpo como um todo”, completa o especialista. Além disso, como a maioria dos bebês já está posicionada de cabeça para baixo próximo ao parto, muitos movimentos passam a ser rotações do tronco e mudanças de posição dentro do útero.
Como perceber os movimentos do bebê ao longo do dia?
A sensação de que o bebê está se movendo menos nem sempre indica uma redução real dos movimentos. A rotina da gestante pode influenciar bastante essa percepção. Durante o dia, enquanto trabalha, cuida da casa ou realiza outras atividades, é comum prestar menos atenção aos movimentos fetais. “Quando você está mais tranquila, sem estímulos externos, a percepção da movimentação do bebê é maior”, ressalta o médico. Por isso, muitas mulheres relatam sentir o bebê mais ativo à noite, quando estão deitadas e relaxadas. A posição da placenta também pode impactar. Quando ela está localizada na parte anterior do útero, atua como um tipo de amortecedor, tornando alguns movimentos menos perceptíveis. Outro aspecto importante é que os bebês também dormem dentro do útero. Assim, pequenos períodos com menos atividade podem ser normais. O que preocupa, de acordo com os especialistas, é a ausência prolongada de movimentos ou uma redução significativa em relação ao padrão habitual.
Existe uma quantidade “normal” de movimentos?
Mais do que contar chutes, é essencial identificar o padrão do próprio bebê. “É necessário perceber que o seu bebê está, de fato, se mexendo com a frequência que habitualmente mexe”, afirma o obstetra. Apesar disso, a contagem dos movimentos fetais pode ser uma ferramenta útil, especialmente em determinadas fases da gestação. Segundo Luciana, as diretrizes recomendam acompanhar os movimentos principalmente a partir de 28 a 30 semanas em gestações de alto risco e a partir de 34 semanas em gestações de baixo risco. Uma das orientações mais comuns para as mães é que elas se deitem, preferencialmente sobre o lado esquerdo, após uma refeição, e contem os movimentos durante uma hora. Esse teste é conhecido como mobilograma. “A literatura varia um pouco, mas o consenso mais aceito considera normal a percepção de pelo menos 4 a 6 movimentos fetais em 1 hora”, explica a médica. Caso a gestante não perceba pelo menos seis movimentos na primeira hora, a observação pode ser estendida por mais uma hora.
Quando a diminuição dos movimentos merece atenção?
A redução dos movimentos fetais pode ser um sinal de alerta significativo, especialmente após 28 a 30 semanas de gestação. Segundo Luciana, uma das possíveis explicações é a insuficiência placentária, situação em que o fornecimento de oxigênio ao bebê fica comprometido. “Quando o suprimento de oxigênio pela placenta diminui, o feto reduz sua atividade para conservar energia e diminuir o consumo de oxigênio, priorizando o fluxo sanguíneo para órgãos vitais (cérebro e coração)”, explica. Algumas gestantes precisam de atenção ainda maior, como aquelas com hipertensão, diabetes, restrição de crescimento fetal, malformações fetais, síndromes cromossômicas ou outras condições consideradas de alto risco.
O que fazer se o bebê parar de mexer ou mexer muito menos?
Ao notar uma redução significativa dos movimentos, a primeira recomendação é interromper as atividades e prestar atenção ao padrão do bebê. Períodos muito longos de jejum também podem influenciar temporariamente os movimentos. Nesses casos, a sugestão é fazer uma refeição ou consumir algum alimento mais energético e observar o comportamento fetal por cerca de 30 minutos. “Se mesmo assim o bebê não se mexer, isso deve ser comunicado ao médico imediatamente”, afirma Pupo. Quando a gestante relata uma diminuição dos movimentos fetais, alguns exames podem auxiliar na avaliação do bem-estar do bebê. A ultrassonografia obstétrica com Doppler permite analisar a posição e o peso do bebê, a quantidade de líquido amniótico e o fluxo de sangue entre a placenta e o feto por meio do cordão umbilical, além da circulação sanguínea no cérebro fetal. O perfil biofísico fetal é considerado um dos exames mais importantes nesses casos, pois avalia diretamente a vitalidade do bebê por meio da observação de quatro parâmetros no ultrassom — tônus fetal, movimentos corporais, movimentos respiratórios e volume de líquido amniótico — associados a um parâmetro obtido pela cardiotocografia. “Os resultados ajudam a equipe médica a decidir se é necessário algum acompanhamento ou intervenção imediata”, explica Luciana.
Quando é preciso buscar avaliação médica com urgência?
Procure seu obstetra ou uma maternidade sem demora se houver: ausência de movimentos fetais por várias horas; redução significativa em relação ao padrão habitual do bebê; resultado alterado no mobilograma; sangramento vaginal; perda de líquido; dor abdominal intensa; qualquer outro sintoma que cause preocupação.
Como estimular o bebê a mexer?
Se você notar que o bebê está se movendo menos do que o habitual: pare as atividades e busque um local tranquilo; deite-se preferencialmente sobre o lado esquerdo; faça uma refeição ou um lanche; beba água; observe os movimentos por cerca de uma hora; caso a movimentação continue reduzida, entre em contato com seu médico ou procure uma maternidade.
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