Dinalva Santos, mãe de um jovem que faleceu em um incidente trágico em um supermercado, decidiu transformar sua dor em uma homenagem significativa. A história de Dinalva e seu filho, Pedro Henrique, é marcada por um desejo profundo de justiça e um legado de amor.
Dinalva Santos e a Criação do Ateliê
A ideia de Dinalva de abrir um ateliê de costura surgiu como uma forma de manter viva a memória de seu filho. O ateliê, que leva o apelido artístico que Pedro usava, “Peter”, é um espaço onde as pessoas podem se reunir para costurar e, ao mesmo tempo, participar de um processo terapêutico. “Peter Inspira porque ele foi — e continua sendo — minha maior inspiração”, afirmou Dinalva, refletindo sobre a importância de seu filho em sua vida.
O Caso de Pedro Henrique
Em 2019, Pedro Henrique de Oliveira Gonzaga, então com 19 anos, perdeu a vida após ser imobilizado por seguranças em um supermercado na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. O jovem sofreu uma parada respiratória devido à asfixia causada pelo golpe conhecido como “gravata” ou “mata-leão”. A tragédia gerou uma onda de indignação e questionamentos sobre a conduta dos seguranças envolvidos.
Buscando Justiça Após Sete Anos
Sete anos após a morte de Pedro, Dinalva ainda vive a dor da perda, mas também observa um avanço no processo judicial. A decisão de levar os seguranças a júri popular trouxe um misto de esperança e tristeza. “É a sensação que a vida dele vai sendo empurrada para frente, mas, em compensação, mesmo a passos lentos, a gente vê que alguma coisa está sendo feita”, disse Dinalva, expressando seus sentimentos complexos sobre o caso.
Desdobramentos Legais
Ainda não há uma data definida para o júri popular. As defesas dos seguranças, Davi Amâncio e Edmilson Félix Pereira, recorreram da decisão que os leva a julgamento. O advogado da família, Marcello Ramalho, afirmou que a Justiça reconheceu elementos suficientes para tratar o caso como homicídio doloso. “Conseguimos demonstrar que eles agiram com dolo eventual, assumindo o risco de matar”, explicou.
Testemunhos e Evidências
O caso de Pedro Henrique ganhou notoriedade não apenas pela tragédia em si, mas também pelas evidências apresentadas. Imagens do incidente mostram o jovem desacordado no chão enquanto era contido, mesmo após alertas de clientes sobre seu estado. “Ele está roxo”, disse um homem, enquanto uma mulher gritou: “Está sufocando”. Apesar dos avisos, a imobilização continuou.
Reflexões sobre a Vida e a Perda
Dinalva, que também é avó, não pode deixar de pensar na vida interrompida de seu filho. Seu neto, que tinha apenas seis meses na época do crime, agora está com sete anos. “Ele tinha a vida toda pela frente, e todo dia a gente pensa, não tem jeito”, lamentou Dinalva. O ateliê se tornou um espaço de cura, onde ela busca lidar com a dor e a saudade.
O Papel da Justiça
A juíza Tula Corrêa de Mello, da 3ª Vara Criminal da Capital, considerou haver indícios suficientes de autoria e materialidade no caso. Davi Amâncio foi pronunciado por homicídio qualificado, enquanto Edmilson Félix Pereira foi reconhecido por sua participação por omissão. A assistência de acusação busca acelerar o julgamento após o término dos recursos.
A luta de Dinalva Santos por justiça e a criação do ateliê são exemplos de como a dor pode ser transformada em algo positivo. Através da costura, ela não apenas homenageia seu filho, mas também oferece um espaço de acolhimento e terapia para outras pessoas. Para mais informações sobre casos de violência e suas repercussões, acesse site do Ministério da Justiça. Além disso, você pode acompanhar mais histórias inspiradoras em Em Foco Hoje.



