Sintomas que podem ficar mais intensos conforme o parto se aproxima
A reta final da gravidez gera muita ansiedade. A expectativa está alta e, assim, qualquer dor diferente, contração ou alteração corporal levanta a mesma pergunta: será que o parto está chegando? Alguns sinais tendem a se intensificar nessa fase da gestação.
Na verdade, o corpo emite alguns sinais de que está se preparando para o nascimento do bebê. No entanto, para ajudar a amenizar a pressa e o nervosismo, é fundamental entender que o organismo não atua como um cronômetro. “Não há uma sequência fixa de sintomas que indique que o parto está próximo. Isso varia bastante entre as gestantes. Algumas mulheres apresentam sinais de que o corpo está se preparando para o parto, enquanto outras entram em trabalho de parto sem qualquer aviso”, esclarece a ginecologista e obstetra Aline Melo Feitosa, coordenadora da Semi-intensiva da Maternidade Star, da Rede D’Or (SP). Segundo a especialista, mesmo quando esses sintomas surgem, eles não permitem prever exatamente quando o trabalho de parto ativo começará. “O mais importante é observar a evolução do quadro como um todo, e não um sintoma isolado”, sugere.
De maneira geral, existem alguns sinais que costumam ser mais comuns e tendem a se intensificar à medida que o parto se aproxima. Conheça oito deles:
- 1. As contrações de treinamento ficam mais frequentes
Nas semanas finais da gestação, é comum notar um aumento nas chamadas contrações de Braxton Hicks, conhecidas como contrações de treinamento. Elas costumam causar o endurecimento da barriga e algum desconforto muscular, mas, ao contrário das contrações do trabalho de parto, não provocam dor intensa nem apresentam um ritmo regular. “Às vezes, a barriga fica dura, podendo até causar uma sensação de falta de ar ou aceleração do coração, mas não há dor associada”, explica a obstetriz Fernanda Gomes, da Cria Casa de Parto e do Coletivo Nascer (SP). As contrações de treinamento geralmente melhoram com hidratação, repouso, banho morno ou mudança de posição, enquanto as do trabalho de parto continuam a evoluir, tornando-se regulares, progressivamente mais intensas e frequentes. “Elas persistem mesmo com medidas de conforto e promovem o apagamento e dilatação progressivos do colo uterino”, esclarece Aline. - 2. A pressão na pelve aumenta
Muitas gestantes relatam que, próximo ao parto, sentem como se o bebê tivesse “descido”. Especialmente na primeira gestação, o bebê pode se encaixar na pelve dias ou semanas antes do nascimento. O resultado é uma sensação de peso na parte inferior do abdômen, dor na sínfise púbica [articulação que une os dois ossos da pelve na frente] e dificuldade para caminhar, além do aumento da pressão no assoalho pélvico. “É uma sensação de que a bacia se abriu. Algumas mulheres afirmam que parece que têm algo entre as pernas e passam a ter dificuldade para andar”, relata Fernanda. Segundo Aline, o encaixe do bebê também explica a pressão aumentada sobre a bexiga e a coluna lombar. - 3. As dores nas costas podem ficar mais intensas
A lombalgia tende a piorar à medida que a gravidez avança. Isso ocorre porque o bebê cresce, o útero ocupa mais espaço e o centro de gravidade da mulher muda. Além disso, dormir se torna mais difícil e algumas posições geram desconforto. Aline afirma que o encaixe do bebê também aumenta a pressão sobre a coluna lombar, contribuindo para as dores. “Quando essas dores ocorrem junto com contrações regulares, progressivamente mais intensas e frequentes, aumenta a possibilidade de que o trabalho de parto esteja começando”, afirma a obstetra. Para aliviar o desconforto, Fernanda recomenda medidas simples, como banho morno, compressas quentes na lombar ou na região púbica e exercícios de mobilidade pélvica orientados por profissionais. - 4. Cólicas podem ficar mais frequentes
Algumas mulheres começam a sentir cólicas semelhantes às menstruais à medida que o colo do útero começa a amadurecer. Esse processo faz parte da preparação do corpo para o parto e está relacionado ao aumento das prostaglandinas, substâncias que ajudam a amolecer e afinar o colo do útero. Segundo Fernanda, existe ainda uma fase chamada pródromo, que costuma gerar confusão. “O pródromo pode durar vários dias. A mulher sente cólicas e contrações com desconforto, mas elas desaparecem depois. Isso pode indicar que o parto está mais próximo, mas ainda pode levar dias para acontecer”, pontua. - 5. A vontade de fazer xixi aumenta ainda mais
Se a gestante já estava indo muitas vezes ao banheiro, essa frequência pode aumentar nas últimas semanas. Isso ocorre porque, à medida que o bebê se encaixa, a pressão sobre a bexiga aumenta. “O bebê pode se encaixar mais profundamente na pelve, aumentando a pressão sobre a bexiga, a região pélvica e a coluna lombar”, explica Aline. - 6. O intestino pode mudar de ritmo
Curiosamente, muitas gestantes notam que a constipação melhora justamente perto do parto. Em algumas mulheres, o intestino passa a funcionar com mais frequência e pode até ocorrer diarreia. Segundo Aline, isso acontece devido à diminuição relativa do efeito da progesterona — hormônio que torna o intestino mais lento durante grande parte da gravidez — e ao aumento das prostaglandinas. Fernanda acrescenta que essa mudança também faz parte da preparação natural do corpo para o nascimento. - 7. Mais corrimento vaginal e perda do tampão mucoso
O aumento da secreção vaginal é esperado no final da gravidez. “O corrimento fisiológico costuma ser esbranquiçado ou transparente, mais fluido e sem odor desagradável”, explica Aline. Já o tampão mucoso apresenta uma aparência diferente. Segundo a obstetra, ele é gelatinoso, viscoso e pode ser transparente, amarelado ou apresentar pequenas estrias de sangue. Fernanda faz uma comparação simples: “O tampão se assemelha a um catarro. Ele é mais viscoso e diferente daquela lubrificação mais clara, parecida com clara de ovo”. As especialistas ressaltam, no entanto, que a perda do tampão não significa que o parto começará imediatamente. “O tampão pode sair semanas antes do parto. O corpo continua produzindo esse muco ao longo da gestação”, esclarece Fernanda. Outra dúvida comum é sobre o rompimento da bolsa. Segundo Aline, o líquido amniótico é praticamente incolor e pode sair de uma vez ou escorrer aos poucos, causando uma umidade constante na roupa íntima. Sempre que houver suspeita de rompimento da bolsa, a orientação é buscar avaliação médica. - 8. O bebê pode mudar a forma como se movimenta
No final da gravidez, é normal que os movimentos pareçam menos amplos, simplesmente porque há menos espaço dentro do útero. Mas atenção: isso não significa que o bebê deve parar de se mover. “Com o crescimento do bebê, os movimentos tornam-se menos amplos devido à falta de espaço no útero. No entanto, a frequência dos movimentos deve permanecer”, explica Aline. Fernanda reforça que cada bebê tem seu próprio padrão de movimentação. “O importante é continuar sentindo o bebê se mexer. Se houver uma mudança brusca ou uma redução significativa na movimentação habitual, é necessário procurar atendimento imediatamente”, recomenda.
Como saber que o trabalho de parto começou?
Embora muitos sintomas façam parte da preparação para o nascimento, o processo pode ser prolongado. O trabalho de parto ativo é caracterizado por contrações regulares, dolorosas e progressivamente mais intensas, que persistem mesmo após repouso ou medidas como banho morno. São essas contrações que provocam as mudanças no colo do útero, necessárias para a saída do bebê. Embora não seja uma regra, na primeira gestação, o trabalho de parto costuma evoluir de forma mais lenta. “Já nas gestações seguintes, especialmente após um parto vaginal, essa evolução pode ocorrer de maneira mais rápida”, explica Aline.
Quando é hora de procurar a maternidade?
Nem toda alteração na reta final da gravidez requer uma ida imediata ao hospital, mas alguns sinais exigem uma avaliação mais rápida. “A principal orientação é que a gestante não permaneça em casa diante de dúvidas ou sintomas preocupantes. Quando há suspeita de trabalho de parto ou qualquer sinal de alerta, a avaliação médica é sempre a conduta mais segura para a mãe e para o bebê”, complementa a obstetra Aline. Procure a maternidade ou entre em contato com seu obstetra se notar: contrações regulares, dolorosas e progressivamente mais intensas; rompimento da bolsa ou perda contínua de líquido pela vagina; sangramento vaginal semelhante a uma menstruação; diminuição significativa dos movimentos do bebê; dor abdominal intensa ou contínua; dor de cabeça persistente, alterações visuais ou dor intensa abaixo das costelas; febre ou falta de ar.
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