Primeiro-ministro da Bélgica usa pet para ironizar suspensão de cartão vermelho de Balogun
Durante o segundo tempo, aos 15 minutos, o atacante Folarin Balogun, dos Estados Unidos, recebeu um cartão vermelho na partida contra a Bósnia. O governo belga se uniu às críticas em relação à decisão da FIFA de suspender a punição do jogador, que será adversário da Bélgica nas oitavas de final da Copa do Mundo nesta segunda-feira. O primeiro-ministro Bart De Wever utilizou o perfil de seu gato, Maximus, nas redes sociais para fazer uma crítica bem-humorada à decisão da entidade máxima do futebol. “Cartão vermelho? Vou jogar mesmo assim!” foi a mensagem do gato no post, enquanto ele exibia um cartão vermelho em uma de suas patas, relaxando na passadeira cinza do edifício da presidência do Conselho de Ministros, em Bruxelas.
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Em contato com a agência de notícias “AFP”, a equipe do primeiro-ministro belga se limitou a compartilhar o post de Maximus quando foi solicitado um comentário de Bart De Wever. O político é conhecido por usar seu gato em comunicações oficiais, sempre com um tom divertido. O árbitro Raphael Claus foi o responsável por expulsar Balogun na partida entre Estados Unidos e Bósnia.
O ministro de Relações Internacionais da Bélgica, Maxime Prévot, adotou um tom mais sério nas críticas do governo. Ele expressou estar chocado com a intervenção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que teria ligado para Gianni Infantino, presidente da FIFA, pedindo a anulação do cartão vermelho, conforme reportado pelo jornal americano “The New York Times”. “Se um telefonema realmente justifica essa decisão incompreensível, seria uma violação das regras mais básicas do futebol e do esporte. Isso seria muito grave. Como a FIFA poderia ainda defender o fair play de forma plausível?” questionou Prévot.
Após uma reclamação formal da Federação de Futebol da Bélgica (RBFA), a entidade obteve o direito de apelar a um comitê da FIFA encarregado de analisar o caso, embora não tenha garantias de que o recurso será julgado antes do início da partida, marcada para às 21h (de Brasília). A federação belga divulgou uma nota nesta segunda-feira criticando os procedimentos estabelecidos pela FIFA para o recurso. Segundo os belgas, a FIFA criou mecanismos que garantem que o apelo seja considerado inadmissível. Assim, o direito de recurso se torna apenas uma formalidade.
“Após tomar conhecimento, através de notícias midiáticas, da decisão da FIFA de levantar a suspensão automática do jogador Balogun, a RBFA enviou uma carta à FIFA solicitando uma cópia da decisão, uma explicação do processo adotado e expondo sua posição em relação aos regulamentos aplicáveis. Como única resposta, a FIFA enviou uma carta à RBFA afirmando que considerava a correspondência como um recurso, que um juiz tinha sido nomeado e que a RBFA tinha apenas algumas horas para concluir o recurso. A FIFA não forneceu qualquer outra informação. Para que um recurso seja admissível, os próprios regulamentos da FIFA estipulam que a decisão fundamentada deve ter sido comunicada ao recorrente. Enquanto a RBFA apenas buscava esclarecimentos legítimos, a própria FIFA criou um recurso e garantiu que este fosse declarado inadmissível”, afirmou a nota da Federação de Futebol da Bélgica.
As federações de futebol da Bélgica e dos Estados Unidos tinham até as 9h (de Brasília) desta segunda-feira para apresentar suas considerações sobre o caso. No entanto, os belgas não receberam o relatório sobre a decisão e a justificativa da FIFA para suspender o cartão vermelho que Balogun recebeu durante o jogo contra a Bósnia-Herzegovina, o que automaticamente o tiraria da partida das oitavas de final. O relato da arbitragem sobre a expulsão do atacante também não foi apresentado. Assim, a defesa belga teve que se basear em informações incompletas. Além disso, o árbitro catari Salman Al-Ansari foi designado para analisar o caso, e ele é muito próximo ao presidente da FIFA, Gianni Infantino. A Federação de Futebol da Bélgica ainda pode recorrer à Corte Arbitral do Esporte (CAS), a instância máxima da justiça esportiva, mas ainda não se manifestou sobre essa possibilidade.
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O cartão vermelho resultaria em uma sanção automática de um jogo de suspensão, conforme o Artigo 10.5 das regras da FIFA para a competição. Contudo, Folarin poderá enfrentar a equipe do técnico Rudi Garcia na próxima fase, já que a punição foi revogada. O artigo 27 do Código Disciplinar da FIFA estabelece que o “órgão judicial pode suspender total ou parcialmente a aplicação de uma medida disciplinar”. “Por força do Artigo 27 do FDC, a implementação da suspensão automática de jogos para Folarin Balogun é suspensa por um período probatório de um (1) ano”, diz parte do comunicado no site da entidade.
Íntegra da nota oficial da Bélgica
Na sequência de sua declaração anterior, a RBFA deseja esclarecer publicamente os acontecimentos das últimas horas. Após tomar conhecimento, através de notícias midiáticas, da decisão da FIFA de levantar a suspensão automática do jogador Balogun, a RBFA enviou uma carta à FIFA solicitando uma cópia da decisão, uma explicação do processo adotado e expondo sua posição em relação aos regulamentos aplicáveis. Como única resposta, a FIFA enviou uma carta à RBFA afirmando que considerava a correspondência como um recurso, que um juiz tinha sido nomeado e que a RBFA tinha apenas algumas horas para concluir o recurso. A FIFA não forneceu qualquer outra informação. Para que um recurso seja admissível, os próprios regulamentos da FIFA estipulam que a decisão fundamentada deve ter sido comunicada ao recorrente. Enquanto a RBFA apenas procurava esclarecimentos legítimos, a própria FIFA criou um recurso e garantiu imediatamente que este fosse declarado inadmissível. Tudo isso aconteceu enquanto a FIFA se recusava simultaneamente a responder aos pedidos legítimos da RBFA. Além disso, durante a reunião de coordenação da partida, a FIFA removeu deliberadamente a seção referente à suspensão automática de jogadores de sua apresentação. Esse tópico, no entanto, havia sido abordado em todas as reuniões anteriores às quatro partidas anteriores. A RBFA questionou a FIFA, tanto verbalmente quanto por escrito, sobre os motivos dessa mudança, mas, mais uma vez, não obteve resposta. Para que fique claro, até o momento, a RBFA ainda não recebeu nenhuma decisão ou explicação da FIFA sobre o assunto. Portanto, não lhe resta outra alternativa senão contestar a elegibilidade do jogador para a próxima partida. Independentemente do resultado esportivo desta partida, a RBFA está profundamente preocupada com o rumo dos acontecimentos e continuará lutando nas próximas horas, dias e meses em defesa dos princípios fundamentais da ética, da competição justa e dos interesses do futebol como um todo.
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