Dólar em queda, com petróleo e tarifaço no radar; Ibovespa cai
O dólar apresenta uma leve queda nesta sexta-feira (24), com um recuo de 0,14% por volta das 10h15, sendo cotado a R$ 5,0769, enquanto os investidores analisam o novo tarifaço anunciado pelos Estados Unidos. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, também mostrava um recuo de 0,88% no mesmo horário, alcançando 175.171 pontos.
O novo tarifaço dos Estados Unidos, que afeta o Brasil e mais 59 parceiros comerciais, está no centro das atenções. As alíquotas, que variam entre 10% e 12,5%, foram anunciadas na véspera, com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana. Essa situação aumenta a pressão sobre o governo brasileiro, que está em diálogo com os setores impactados e analisa como responder às tarifas.
As tensões no Oriente Médio também estão sendo monitoradas, especialmente após novos ataques a navios petroleiros no Mar Vermelho. A deterioração do cenário geopolítico na região intensificou as preocupações sobre possíveis efeitos nas cadeias logísticas e no mercado de petróleo. Após uma semana tensa, os preços do petróleo estavam em queda nesta sexta-feira. Por volta das 10h15, o barril do Brent, referência internacional, caía 3,34%, sendo cotado a US$ 97,33. O West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, recuava 3,02%, a US$ 89,41 por barril.
A temporada de resultados corporativos continua a ser observada pelos investidores. Na véspera, as ações da Alphabet caíram mais de 7% após a empresa aumentar sua previsão de investimentos em inteligência artificial, reacendendo preocupações sobre os altos custos da expansão da infraestrutura necessária para o setor. Nesta sexta-feira, os balanços de Dow, American Airlines, T-Mobile e Intel são os destaques. Dados econômicos também estão em foco. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
- Dólar Acumulado da semana: -0,53%; Acumulado do mês: -1,53%; Acumulado do ano: -7,38%.
- Ibovespa Acumulado da semana: +1,59%; Acumulado do mês: +2,59%; Acumulado do ano: +9,53%.
Nova tarifa dos EUA é anunciada
Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (23) a implementação de uma nova tarifa sobre importações de cerca de 60 parceiros comerciais, incluindo o Brasil. As alíquotas variam entre 10% e 12,5% e entraram em vigor às 0h01 desta sexta-feira (24), no horário de Washington. De acordo com o governo americano, a decisão é resultado de uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. A apuração concluiu que esses países adotam práticas comerciais consideradas desleais por não proibirem ou fiscalizarem adequadamente a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. ‘Os Estados Unidos têm uma proibição de importação de trabalho forçado há quase um século e a aplicam rigorosamente. Já passou da hora de nossos parceiros comerciais fazerem o mesmo’, afirmou o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer. ‘A ação de hoje começará a corrigir o que é, ao mesmo tempo, um abuso dos direitos humanos e uma prática comercial distorcida, contribuindo para melhorar o bem-estar dos trabalhadores em todo o mundo.’
O governo americano estabeleceu duas categorias de tarifas: países que implementaram medidas para proibir essa prática estarão sujeitos à tarifa de 10%. Aqueles que não tomaram essas providências foram enquadrados na alíquota de 12,5% — como é o caso do Brasil. O tema já foi fortemente contestado pelo governo brasileiro. Na semana passada, o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, afirmou que os argumentos são ‘absolutamente improcedentes’ e ‘inverídicos’, ressaltando que o sistema de exportação brasileiro passa por um rigoroso controle e fiscalização ambiental. Recentemente, os EUA também confirmaram uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao país, após uma investigação do governo de Donald Trump que concluiu que o Brasil adota práticas que ‘oneram ou restringem’ o comércio com os EUA.
Novas tensões no Oriente Médio
As Forças Armadas dos EUA realizaram na quinta-feira (23) ataques ao Irã pela 13ª noite consecutiva. ‘As forças dos EUA iniciaram outra noite de ataques contra alvos militares iranianos às 18h45 ET de hoje. Esta é a 13ª noite consecutiva de ataques destinados a responsabilizar o Irã e reduzir ameaças da Guarda Revolucionária Islâmica ao transporte marítimo comercial’, diz uma postagem do Comando Central (Centcom) americano. A imprensa iraniana relatou explosões na cidade de Ahvaz, no sul do país, além de Bandar Abbas e Qeshm, alvos frequentes de bombardeios americanos. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quinta que está considerando seriamente retomar grandes operações de combate no Irã. ‘Eles ainda não sentiram dor suficiente. Estou considerando um ataque maciço. Maior do que qualquer outro antes. Estou perto de tomar uma decisão. Está tudo pronto’, afirmou. Um porta-voz militar do Irã informou que os Estados Unidos estão utilizando armas que nunca haviam sido empregadas antes contra o território iraniano. Em uma entrevista a uma rádio iraniana, o general Abolfazl Shekarchi afirmou que Washington está mobilizando ‘todas as capacidades, todas as armas e todas as previsões’ que havia acumulado para a Terceira Guerra Mundial contra o país. ‘Todas as armas que foram testadas no mundo, mas nunca utilizadas em qualquer guerra, foram empregadas contra a República Islâmica. Cada capacidade, cada arma, cada plano de contingência que os americanos haviam planejado e estocado para a Terceira Guerra Mundial — para enfrentar as principais potências mundiais — tudo foi levado ao campo de batalha’, declarou.
Além do conflito entre EUA e Irã, ataques no Mar Vermelho também estão sendo monitorados. Os aliados houthis do Irã no Iémen afirmaram ter atacado dois petroleiros sauditas como parte de um bloqueio naval à Arábia Saudita, ameaçando criar um segundo ponto de estrangulamento no fornecimento global de petróleo, além do fechamento iminente do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo.
Bolsas globais
Na Europa, o dia é mais otimista, à medida que investidores analisam novos dados econômicos e balanços corporativos. Por volta das 9h15, o DAX, da Alemanha, subia 0,68%, enquanto o CAC-40, da França, avançava 0,30% e o FTSE 100, do Reino Unido, tinha alta de 0,21%. Na Ásia, a maioria dos índices da região fechou em baixa. O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, caiu 1,67%, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, recuou 0,98% e o Kospi, da Coreia do Sul, teve uma desvalorização de 5,72%. O Nikkei, do Japão, registrou perdas de 2,73%.
Para mais notícias acesse emfocohoje.com.br. Confira também outros conteúdos em centralnerdverse.com.br.



