Carne wagyu: conheça o boi japonês com a carne mais cara do mundo

A carne wagyu, famosa por seu elevado preço, é originária do Japão e se destaca pelo seu marmoreio. Conheça mais sobre essa iguaria.

R$ 1 mil o quilo? Conheça o wagyu, boi do Japão que tem a carne mais cara do mundo

A carne de wagyu é reconhecida pelo seu alto marmoreio.

O Japão, que enfrenta o Brasil nesta segunda-feira (29), é a origem do wagyu, um boi renomado pela carne mais cara do mundo, com preços que podem ultrapassar R$ 1.000 o quilo no Brasil. A fama da carne wagyu se deve ao seu marmoreio, que é a gordura intramuscular que confere à peça uma aparência semelhante ao mármore e é a responsável por sua maciez. Uma das variedades mais célebres do wagyu é o Kobe Beef, que só pode receber esse nome se o animal nascer, crescer e ser abatido na província japonesa de Hyogo, além de atender a rigorosos padrões de qualidade.

No Brasil, é possível encontrar diferentes cortes do wagyu, como picanha, ancho, chorizo e fralda, com os preços variando de acordo com o nível de marmoreio: quanto mais elevado, maior o custo.

Esse boi recebe cerveja? O wagyu se tornou famoso por suas ‘mordomias’ no passado, como consumir cerveja e receber massagens. Esse tratamento especial era bastante comum no Japão, mas atualmente não é mais praticado na maioria das fazendas e nem é visto nos grandes confinamentos do país. Acreditava-se que a cerveja ajudava na digestão do animal, promovendo relaxamento, enquanto a massagem funcionava como drenagem linfática, facilitando a infiltração de gordura para a formação do marmoreio.

No entanto, segundo Daniel Steinbruch, presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos da Raça Wagyu (ABCWagyu), nada disso possui comprovação científica. A maciez e o sabor distintos da carne são proporcionados, na verdade, pela genética do wagyu. “O que precisamos é criar condições ideais para que o boi manifeste sua genética, o que implica, por exemplo, oferecer uma dieta equilibrada. O segredo está em uma alimentação rica em amido, pois é dele que o boi obtém a energia necessária para transformar em marmoreio”, explica Steinbruch.

Com a saída da cerveja, entra a cevada. Os grãos ricos em amido incluem milho, sorgo, arroz, trigo e cevada. Alguns bois wagyu no Brasil, apesar de não consumirem cerveja diretamente, se alimentam de sobras dessa indústria. “O que alguns criadores utilizam é a borra resultante do processo de fermentação da cevada, que é uma boa fonte de proteína e um excelente alimento para os bovinos”, afirma Steinbruch. Embora a massagem possa proporcionar bem-estar aos animais, nas grandes propriedades isso não é uma prática comum, considerando o tamanho do rebanho.

O nome do animal deriva de ‘wa’, que significa ‘do Japão’, e ‘gyu’, que se refere a ‘gado’. Os primeiros ancestrais do wagyu moderno chegaram ao Japão por volta do século II, originários da península coreana. Descendentes do gado Hanwoo, esses animais eram utilizados para tração, arando a terra e movimentando moinhos de grãos, conforme relata a associação WagyuBrasil. Devido à sua força e resistência física, desenvolveram a característica que os tornou famosos: a alta quantidade de gordura entre as fibras musculares.

Esse rebanho permaneceu isolado no Japão até 1868, quando a Restauração Meiji iniciou o desenvolvimento do wagyu moderno. A partir desse momento, criadores japoneses começaram a cruzar essas raças com raças importadas até chegar às linhagens que conhecemos hoje. Em 1976, os primeiros exemplares de wagyu deixaram o Japão em direção aos Estados Unidos. Na década de 1990, a raça começou a se espalhar pelo mundo. No Brasil, a chegada ocorreu em 1992, trazida pela proprietária de uma famosa marca de bebida: a Yakult, que introduziu a raça pura japonesa. Mais de trinta anos depois, a empresa continua sendo uma das principais produtoras de wagyu no Brasil. Atualmente, o rebanho brasileiro é composto tanto por animais puros quanto por cruzamentos com outras raças. Segundo a ABCWagyu, o país conta com aproximadamente 5 mil wagyus puros e cerca de 30 mil animais cruzados.

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Em Foco Hoje Redação
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