Duas estrelas que viviam em par podem ter se tornado supernovas

Um estudo recente sugere que duas estrelas que viveram juntas podem ter explodido como supernovas em momentos diferentes.

Duas estrelas que viviam em par podem ter virado supernovas em caso inédito; veja IMAGEM

Estudo publicado na revista “Nature Communications” sugere que a famosa Nebulosa da Água-Viva tem uma “vizinha” escondida por perto — e que as duas surgiram de estrelas que nasceram juntas, em um raro sistema binário, e explodiram em momentos diferentes.

Imagem mostra a região onde estão IC 443 e G189.6+3.3, os dois restos de supernova que podem ter surgido de estrelas que viviam em par. NASA Goddard e M. Michailidis et al. (2026). Duas estrelas que coexistiram podem ter encerrado suas vidas de uma maneira nunca antes observada: ambas explodindo como supernovas. Isso é o que um novo estudo publicado nesta terça-feira (21) na revista científica “Nature Communications” sugere, ao encontrar indícios de que os vestígios dessas duas explosões pertencem a estrelas que faziam parte do mesmo sistema.

➡️ ENTENDA: Uma supernova é a explosão colossal de uma estrela muito maior que o Sol no final de sua vida. Quando o combustível se esgota, a estrela perde o equilíbrio que a sustentava e colapsa sobre si mesma. Esse colapso resulta em uma explosão tão intensa que pode superar, por um período, a luminosidade de uma galáxia inteira.

💥 Neste caso, os pesquisadores analisaram a área onde se localizam IC 443, conhecida como Nebulosa da Água-viva, e G189.6+3.3, a aproximadamente 6 mil anos-luz da Terra (veja ACIMA a região estudada e os vestígios dessas explosões).

📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia. A dúvida era se as duas estruturas apenas pareciam próximas no céu ou se tinham, de fato, uma conexão. Para investigar isso, a equipe reuniu 16 anos de observações do telescópio espacial Fermi (um observatório espacial da NASA lançado em 2008) e cruzou os dados com imagens obtidas em outros comprimentos de onda. O resultado sugere que os dois restos estão na mesma região do espaço e a uma distância similar da Terra.

“Foi um momento realmente empolgante. No início, estávamos apenas tentando entender a natureza de uma estrutura muito tenra que permanecia oculta ao lado da muito mais brilhante IC 443”, explica ao g1 Miltiadis Michailidis, pesquisador da Universidade Stanford e autor do estudo.

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Esse é um ponto crucial, pois reforça a hipótese de que as duas estrelas podem ter nascido juntas e formado um sistema binário, como os astrônomos denominam os pares de estrelas interligados pela gravidade. As estimativas também sugerem que elas não explodiram simultaneamente. A estrela que deu origem a G189.6+3.3 teria explodido entre 20 mil e 100 mil anos antes daquela que formou IC 443. Isso não seria incomum para um par de estrelas. Mesmo nascendo juntas, duas estrelas podem evoluir em ritmos distintos. Uma pode chegar ao fim da vida primeiro, enquanto a outra persiste por milhares de anos antes de também explodir.

Mas para verificar se essa possibilidade era viável, os pesquisadores realizaram simulações de um milhão de sistemas compostos por duas estrelas. “À medida que as evidências se acumulavam, começamos a perceber que o remanescente recém-identificado não era apenas mais um objeto isolado, mas poderia estar fisicamente relacionado a IC 443”, acrescenta o pesquisador.

Os resultados demonstraram que pares assim podem, de fato, produzir duas supernovas separadas por dezenas de milhares de anos e deixar restos próximos entre si. Imagem destaca um filamento observado em luz ultravioleta e visível que ajuda a delimitar G189.6+3.3 e reforça que ela é um resquício de supernova distinto de IC 443. NASA Goddard e M. Michailidis et al. (2026).

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Apesar disso, os cientistas ainda tratam o sistema como um possível candidato. As evidências são robustas, mas novas observações serão necessárias para confirmar de forma definitiva se IC 443 e G189.6+3.3 realmente se originaram de duas estrelas que coexistiram. O estudo também contribuiu para esclarecer melhor G189.6+3.3, que durante muito tempo ficou menos evidente por estar na mesma área de IC 443, que é muito mais brilhante.

“Descobertas como esta são especialmente gratificantes porque muitas vezes não surgem de uma única observação espetacular, mas da conexão de várias evidências independentes que, gradualmente, revelam um quadro muito maior”, comenta Michailidis. Os novos dados mostram que ela é uma estrutura própria e que interage com o material ao redor.

Caso a ligação seja realmente confirmada, a descoberta pode abrir uma nova janela para entender como estrelas grandes evoluem quando vivem em pares. Para os astrônomos, o sistema funcionaria como um registro de duas mortes estelares ligadas pela mesma história, ocorridas em momentos diferentes. “Se confirmado, esse sistema ofereceria um laboratório natural extremamente valioso para estudar todo o ciclo de vida de um sistema binário de estrelas massivas. A maioria dos remanescentes de supernova preserva apenas as consequências da explosão de uma única estrela. Aqui, porém, podemos estar observando o resultado final dos dois integrantes de um mesmo sistema binário.”

Imagem em raios gama destaca a região de IC 443, uma das fontes mais brilhantes desse tipo de radiação no céu. NASA/DOE/Fermi LAT Collaboration. Fotógrafo do RS faz imagem incrível de cometa ‘mais brilhante do ano’. Para mais notícias acesse emfocohoje.com.br e confira também outros conteúdos em centralnerdverse.com.br.

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Em Foco Hoje Redação
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